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26 de Abril de 2008

Garimpos na atualidade e no passado: filmes que andei vendo, por Chico Lopes

De vez em quando, há leitores do que escrevo aqui no "Verdes Trigos" que me cobram o fato de comentar mais filmes antigos que novos ou me acusam de só gostar de "filmes velhos". Mal respondo à acusação de só gostar de filmes do passado, porque é simplesmente uma atitude do pior obscurantismo e ignorância - como se a história do Cinema fosse desdenhável e tudo tivesse começado ontem, com algum dos fetiches tecnológicos de Spielberg e Lucas. Gosto de tudo, de qualquer época, contanto que seja bom de fato. É impossível entender o que é o Cinema sem ver os chamados "filmes velhos".Acho privilegiada uma época como a nossa, em que DVDs de velhos filmes não param de sair, que nos permitem olhar para o passado, avaliar o que foi feito, comparar com o presente (ainda que seja para lamentar este) ou simplesmente fazer uma viagem deliberadamente saudosista a personagens e valores tidos por antiquados, por quê não? (se a modernidade prega que toda pretensão a valor é hipocrisia e só a maldade dá uma idéia fiel do ser humano, talvez o que está decididamente fora de moda seja a única salvação).
Vou vendo filmes de todos os tipos, tempos e lugares. Um pouco do que ando vendo segue aqui, talvez como orientação para algum leitor que aprecie meu gosto (ou desgosto) e queira concordar (ou discordar) comigo futuramente:

ENCANTADA - Produto de Walt Disney que pretende fazer paródia dos desenhos animados clássicos do estúdio como "A Bela Adormecida", "Branca de Neve e os Sete Anões", e consegue ser inteligente e engenhoso, ao menos até à metade. A princesa típica de todos os desenhos Disney, que inclusive, folgada, faz uso de animais para serviços domésticos convocando-os com musiquinhas melosas, sofre maldição de uma bruxa, cai num abismo e este abismo dá num buraco de esgoto de uma rua da Nova York atual, onde o desenho sai como atriz (Amy Adams).
Aí, o filme passa a ser uma comédia romântica normal. Ela sai à procura de um castelo e do príncipe com quem deve se casar, deparando-se com a brutalidade do mundo contemporâneo (como se não houvesse muita crueldade velada naqueles desenhos todos!). Encontra um jovem executivo realista (nesses filmes, o sujeito que não crê em fantasia é rapidamente estigmatizado como um tipo cruel e sem imaginação) e desiludido que tem uma noiva, mas não é feliz (vocês já entenderam tudo). O filme faz rir, mas, quando a gente se dá conta, está pregando precisamente todos os valores que tentou parodiar até então, e sentimos que fomos chantageados de maneira bem baixa. Uma pena. Mas Amy Adams é boa atriz. ==>> LEIA MAIS

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14 de Abril de 2008

Romance de estréia segue tradição de 'O Nome da Rosa' e 'O Código Da Vinci"

ADRIANO SCHWARTZ - ESPECIAL PARA A FOLHA
O título, "O Conto do Amor", sugere à primeira vista que se trata da história de uma paixão. Essa é, de fato, uma das formas de amor abordadas no livro de Contardo Calligaris, mas há outras, que, misturadas, criam a teia de afetos presentes no enredo: há o amor entre pai e filho, há o amor interrompido no passado que deixa marcas na história dos envolvidos, há o amor aparentemente simples que, para ser levado adiante, irá requerer desprendimento e coragem.
Carlo Antonini, o protagonista da obra, é um italiano que mora em Nova York, onde ensina psicopatologia, e volta para seu país em busca do sentido de uma conversa que tivera com o pai pouco antes de ele morrer, 12 anos antes. Nela, o homem que passara a vida toda imerso em seus estudos sobre a Renascença conta para o filho uma experiência estranha que vivenciara na juventude no convento do Monte Oliveto Maggiore, próximo a Siena: "Ao entrar no claustro, tive a sensação imediata, distinta, nítida de que conhecia os afrescos perfeitamente, cada cena, cada figura, cada pincelada".
O ponto de partida é interessante, e a complexidade das relações amorosas é abordada com delicadeza. O problema de "O Conto do Amor" é que ele se filia a uma tradição narrativa já bastante desgastada e diluída, que tem seu marco de origem genial, nessa formulação, em "O Nome da Rosa", de Umberto Eco, e seu maior best-seller em "O Código Da Vinci", de Dan Brown.
Entre seus mais comuns ingredientes, estão o uso de questões da história da igreja e da arte didaticamente expostas, as constantes referências eruditas ou supostamente eruditas, os toques autobiográficos, a assimilação no texto de roteiros turísticos e a investigação detetivesca que se vale de coincidências e das intuições brilhantes (e às vezes altamente improváveis) do herói. No Brasil, o esquema já fora adaptado, por exemplo, por Isaías Pessotti, em romances como "O Manuscrito de Mediavilla" e "Aqueles Cães Malditos de Arquelau".
Infelizmente, em sua estréia na ficção, Contardo Calligaris não consegue escapar do peso dessa linhagem.


ADRIANO SCHWARTZ é professor de literatura da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP.
O CONTO DO AMOR
Autor:
Contardo Calligaris
Editora: Companhia das Letras
Quanto: R$ 34 (128 págs.)
Avaliação: regular
Lançamento: sábado (26/4), na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (av. Paulista, 2.073), às 11h

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17 de Março de 2008

É sempre interessante recordar que o Brasil sempre recebeu de braços abertos a todos

Para Todos

Neste momento em que a Espanha barra a entrada de brasileiros, deportando-os com vileza, lastreada em estatística e discriminação - turistas, estudantes, doutorandos dirigindo-se a congressos científicos, clérigos de passagem e, inclusive, alguns que para lá vão tentando alcançar alguma dignidade na existência, fugindo da pobreza ou da perseguição política - é sempre interessante recordar que o Brasil desde 1824, recebeu de braços abertos a todos e, na medida do possível, deu guarida a portugueses, alemães, italianos, franceses, espanhóis, ciganos, poloneses, ingleses, húngaros, romenos, iugoslavos, argentinos, chilenos, uruguaios, bolivianos, paraguaios, libaneses, israelenses, palestinos, armênios, turcos, japoneses, coreanos e chineses (isso sem falar de todas as nações e etnias africanas mas essa é uma outra história diferente, bem mais radical, que merece abordagem diversa noutro artigo - nesta história da herança afro existe culpa e débitos ainda a acertar).

Levas de imigrantes, sem posses ou que tinham perdido tudo, vieram para cá (e continuam vindo) refazer suas vidas por variados motivos (pobreza, sobrevivência, carência de oportunidades, guerras, genocídios, perseguições políticas, injustica social, desejo de crescimento cultural), que são, curiosamente, quase idênticos aos que estimulam legitimamente alguns brasileiros a tentar alguma chance de vida, algumas oportunidades para sobreviver, as mesmas que outros imigrantes encontraram aqui, generosamente, em anteriores momentos profundamente ásperos.

Alfredo Aquino - http://ardotempo.blogs.sapo.pt

CONCORDO com todas as letras da opinião do amigo Alfredo Aquino.

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16 de Março de 2008

Na cama com Bruna Surfistinha - Receitas de prazer e sedução, por Carla Coelho

"Você vai descobrir por que toda mulher tem o sonho de ser garota de programa por um dia e por que os homens são tão loucos pelo sexo anal. Você vai saber como tirar proveito da masturbação (sozinho ou acompanhado), aprender a explorar o corpo dele ou dela e encontrar prazer onde você jamais imaginava sentir".
Bruna Surfistinha não escreveu o terceiro livro simplesmente para ter mais um título no currículo, para ganhar ainda mais dinheiro ou para criar uma trilogia digna dos grandes nomes da literatura nacional. A autora afirma, várias vezes, que o livro é quase que uma obra de caridade para as pessoas que não são plenas em suas vidas sexuais.
"Garota de programa por um dia", "Aquecendo os motores", "Massagem para acender o tesão" e "O sexo começa pelo beijo", são apenas alguns dos capítulos do livro de 296 páginas que vai deixar muito "marmanjo" sentado por horas e horas praticando um hábito não muito comum para a população brasileira, ler.

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3 de Março de 2008

PAUL VALÉRY: ATOR DAS IDÉIAS

Em sua vida de professor e ensaísta, João Alexandre Barbosa foi o assíduo leitor de Paul Valéry, que se transformou num caso de perseguição a “exigir um ajuste de contas”. O resultado não foi tanto o aparecimento de um livro original que o crítico brasileiro poderia ter concebido, mas sim a reunião de nove ensaios, redigidos e publicados entre 1970 e 2005, que percorrem a obra do poeta francês: A Comédia Intelectual de Paul Valéry (Iluminuras, 159p., R$35). Coletânea que bem demonstra a “permanência e continuidade” de uma obra surpreendente por sua dimensão filosófica e por seu exame exigente da linguagem, a conduzir a literatura a uma via do fracasso da expressão; obra que também se impõe por seu gigantismo: somente a edição fac-similada dos Cahiers ocupa 35 cadernos de mil páginas cada um, resultado das anotações diárias de um pensador que não se ocupava dos fatos cotidianos, mas da investigação que busca o auge radical de lucidez e consciência sobre as “linguagens, sejam as verbais, sejam as das matemáticas e da filosofia.” [.....]

Uma nova edição de A Comédia Intelectual de Paul Valéry deveria zelar, contudo, pelo estabelecimento de critérios que beneficiem o leitor brasileiro: há trechos inteiros em língua francesa, sem qualquer tradução; mais adiante, trechos são transcritos somente em português; em seguida, há trechos em francês com tradução ao pé da página. Descuidos editoriais de uma coletânea que merece ser conhecida até mesmo por também trazer o problema da tradução e a idéia de rigor ao debate. [Felipe Fortuna]

Jornal do Brasil -Caderno Idéias & Livros
Sábado, 1º de março de 2008

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13 de Fevereiro de 2008

Guimarães Rosa na roda

PublishNews - 13/02/2008
O Café Literário Bravo e o Centro da Cultura Judaica propõe o debate de um tema pautado pela revista. Neste primeiro encontro, a professora Walnice Nogueira Galvão e o jornalista René Daniel Decol conversam sobre o diário de Guimarães Rosa. O debate, que acontece no dia 14/02 às 20h30, terá a participação especial de Élida Marques e o grupo Ler é Uma Viagem. No encontro os participantes poderão ainda se deliciar com um buffet de chá elaborado pela chef Simone Chevis a partir das 19h30 (R$12 por pessoa). O Centro de Cultura Judaica fica na Rua Oscar Freire, 2.500, no Sumaré em São Paulo. Informações pelo telefone 11-3065-4333. >> Leia mais

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9 de Fevereiro de 2008

Desespero e melancolia, por Manuel da Costa Pinto.

Biografia do compositor Álfred Shnittke revela tensão entre liberdade e rigor que atravessa a arte soviética

HÁ DEZ ANOS, "surgiu na indústria fonográfica um selo intitulado "Musica Non Grata", sob o qual se reuniam compositores -como Edison Denisov e Galina Ustvolskaya- que tinham caído em desgraça na extinta União Soviética. Dentre eles, um nome que os críticos não hesitam em citar ao lado dos maiores do século 20: Álfred Shnittke (1934-1998).

Pouco conhecido mesmo entre o escasso público da música contemporânea, esse artífice do "poliestilismo" acaba de ganhar biografia escrita pelo pesquisador brasileiro (e médico) Marco Aurélio Scarpinella Bueno. "Shnittke: Música para Todos os Tempos" é um livro para todos e não exige conhecimentos musicológicos profundos. Exige, porém, um leitor atento à forma nada óbvia pela qual a invenção reverbera as harmonias e dissonâncias de seu tempo -fenômeno muito menos evidente na música do que nas linguagens da literatura ou das artes plásticas. => LEIA MAIS

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30 de Janeiro de 2008

Cadê os nacionais?

O Globo - 30/01/2008 - por André Miranda e Miguel Conde
Duas palavrinhas devem ser acrescentadas à velha máxima de que "brasileiro lê pouco". Levantamento feito pelo jornal Globo junto às principais editoras do país, e ilustrado na pilha de livros ao lado, mostra que apenas um nacional figurou entre os dez livros de ficção adulta mais vendidos no Brasil em 2007: Elite da tropa" (Objetiva), uma obra cujas vendas foram alavancadas pelo filme-sensação "Tropa de elite" e que possui o apelo extra de ser uma história real "disfarçada" de ficção. Portanto, se é verdade que o brasileiro lê pouco, parece mais claro ainda que o brasileiro lê pouco romance brasileiro. O desempenho comercial da ficção brasileira parece ainda mais fraco após uma olhada na lista de não-ficção, na qual a presença nacional é muito maior: em 2007, houve semanas em que até seis livros brasileiros apareciam entre os dez mais. No ranking de ficção, Elite da tropa ficou em oitavo, atrás de obras de autores de Afeganistão, Austrália, Índia, Estados Unidos e Espanha. >> Leia mais

Leia também: Assunto relevante, no Bloga Noga

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26 de Janeiro de 2008

'Ver: Amor', de David Grossman

Mesmo quando ansiamos pelos maiores e mais puros ideais humanos(…), não podemos nunca, nem só por um instante, deixar de ter compaixão pelo homem, ainda que seja um só, porque nesse caso não seríamos melhores do que “eles”, malditos sejam.” (pag. 512)

No livro "Ver: Amor", David Grossman recria, numa visão literária muito pessoal, a enormidade que foi a shoah (o holocausto). "Escrevi "Ver: Amor" porque não podia compreender a minha vida hoje em Israel, nesta terra, como ser humano, como israelita, como judeu, como pai, como escritor e como homem, sem tentar colocar-me a mim mesmo dentro desse cenário louco que foi a shoah.", diz Grossman, " Tentei viver a shoah sob todos os pontos de vista, o da vítima e o do assassino. Foi uma experiência complicada; é difícil conseguir compreender como é que uma pessoa normal se pode transformar num assassino de massas."

"Ver: Amor" é um romance aliciante, longo e complexo. Divide-se em quatro capítulos que se interligam como um puzzle e que correspondem a quatro visões inéditas do holocausto:

1) a de uma criança , Momik que quer salvar a família do monstro Nazi.
2) uma fantasia lírica sobre o escritor polaco Bruno Schultz, assassinado pelos Nazis;
3) a história de Wasserman , o tio-avô de Momik, e de Neigel, um oficial Nazi;
4) uma enciclopédia sobre a vida de Kazik, um dos personagens criados por Wasserman.

O título em inglês é "See under: Love" parece mais de acordo com o seu significado - uma entrada para a palavra "Amor" na enciclopédia. Em português talvez fosse mais exato chamá-lo "Vide: Amor" ou "Veja: Amor", mas isto é um pormenor sem importância.
Neste livro fantástico, o poder da criatividade e da imaginação, desafia a rigidez do pensamento Nazi e de todos os sistemas que tentam abolir a liberdade e a individualidade humanas. (in fragmentos luminosos)

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29 de Dezembro de 2007

Para Alívio dos Impulsos Insuportáveis

Para Alívio dos Impulsos Insuportáveis

de Nathan Englander (tradução de Lia Wyler; Rocco; 224 páginas; 36 reais)

Publicado nos Estados Unidos em 1999, esse livro foi uma das mais aclamadas estréias dos últimos tempos. Englander foi comparado a outros grandes escritores judeus, como Bernard Malamud, Saul Bellow e Philip Roth. E ele faz por merecer essa admiração crítica. Seus nove contos visitam o universo judaico com uma ironia que não dispensa o sentimento da tragédia histórica, como se vê em O Vigésimo Sétimo Homem, sobre um grupo de escritores iídiches que são torturados e mortos na União Soviética de Stalin, ou no conto-título, sobre as dificuldades sexuais de um casamento ortodoxo.

 

[Termino o ano de 2007 com a leitura deste lançamento do Nathan: um presente da Noga (isso mesmo, ela surpreendeu-me com este livro), vou conferir letra por letra. Nathan Englander é matéria de capa do Prosa & Verso, do Globo, de 29/12, com entrevista e mil elogios]

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13 de Dezembro de 2007

Só 26% dos brasileiros entre 15 e 64 entendem 1 texto longo

Blue Bus - 10/12/2007 - por Luiz Alberto Marinho
Eu adoro livros, livrarias e bibliotecas. No colégio, era um dos poucos frequentadores assíduos daquela sala ampla, cheia de livros e perfumada pelos odores do papel e das capas, onde eu encontrava refúgio em histórias fantásticas. Talvez por isso eu desconfie tanto das pessoas que nao lêem livros, jornais, revistas ou o Blue Bus. Porém, infelizmente, em nosso país os livros são caros, há poucas livrarias e muitos municípios nem bibliotecas têm. Para piorar ainda mais a situação, só 26% dos brasileiros entre 15 e 64 anos encontram-se no nível pleno de alfabetização, ou seja, tem hoje condição de ler e compreender integralmente um texto longo. Esse dado é de uma pesquisa feita em 2005 pelo Instituto Paulo Montenegro, mantido pelo Ibope. >> Leia mais

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3 de Dezembro de 2007

Triste, denso e belo, por Jeová Santana.

Este ano saí de casa para ver, duas vezes cada, três filmes brasileiros: "Os Dozes Trabalhos" (Ricardo Elias), "O Cheiro do Ralo" (Heitor Dhalia) e "Mutum" (Sandra Kogut). Este, o mais recente, apresenta algumas voltagens emotivas que ainda repercutem e guiam o correr dessas linhas marcadamente impressionistas. Tal escolha não se deve, em princípio, à afinidade com Paulo Emílio Sales Gomes (1916-1977), ensaísta, cinéfilo e contista tardio, cuja obra vem sendo reeditada com o cuidado editorial à altura de seu legado. O autor de "Três Mulheres de Três PPPÊS" afirmou que o filme brasileiro, mesmo ruim (o que não é o caso dos que citei), teria sempre algo a dizer sobre nós, daí preferi-lo a qualquer um feito nos Estados Unidos. Pinçada assim, sem referências contextuais, tal reflexão pode despertar, de saída, alguns pruridos ufanistas, mas sabemos que a produção da (ainda) chamada Sétima Arte em terras americanas, não existe somente na linha de montagem de Hollywood, cujo selo final é impresso todo ano naquela patacoada chamada Oscar. A parcela lá produzida que fica fora do chamado "circuitão" é do conhecimento de poucas retinas. (...)

Para quem está acostumado com esse tipo opção artístitca, dará nos nervos passar 95 minutos, vendo a leitura que a diretora Sandra Kogut, a roteirista Ana Luiza Martins Costa, o fotógrafo Mauro Pinheiro Jr., o sonoplasta Márcio Câmara, entre outros, fizeram para "Miguilim", que integra o livro "Campo Geral", de Guimarães Rosa (1908-1967). O primeiro incômodo vem pelos olhos. Pois os acostumados a viver cercado de prédios por todos os lados, o que torna a palavra "horizonte" apenas um verbete nos dicionários, estranha se vê frente a frente com tanto descampado, logo depois de se sentir na garupa do cavalo que conduz o menino Thiago e seu tio Terez de volta para casa. =>> LEIA MAIS

[Assisti ao filme, na última sexta, no Cine Abril, Conj. Nacional, São Paulo. Ratifico as impressões do Jeová, pois o filme tocou-me profundamente. Tudo bem, o universo roseano me é particular, tenho algo do Miguelim nas veias. No final do filme, chorei. Afinal, pessoalmente, eu conheço destino do menino que deixou a roça, sem enxergar direito, e, partiu. Ele viu o mar, Jeová. Assinado, Henrique]

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Obra sobre papa peca por exageros

Folha de S. Paulo - 01/12/2007 - por Leandro Beguoci
A editora Planeta lança no Brasil O poder e a glória (Planeta, 597 pp. R$ 54,90) de David Yallop, espécie de biografia não-autorizada do pontificado de João Paulo 2º, e reacende a discussão sobre o lado obscuro do Vaticano. Como dizia Antônio Vieira em 1655, no "Sermão da Sexagésima": "Para falar ao vento, bastam palavras; para falar ao coração, são necessárias obras. A nossa alma rende-se muito mais pelos olhos do que pelos ouvidos". É dessa fórmula que o autor, o jornalista inglês (e católico) David Yallop, 70, tenta se valer - basta que se troque "obras" por "informações". Ele pesquisou durante 17 anos arquivos da CIA, do Vaticano e do governo dos EUA para mostrar como a Igreja Católica protegeu pedófilos e deu apoio a ditadores durante os 27 anos do pontificado de João Paulo 2º - aclamado santo após a morte. >> Leia mais

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2 de Dezembro de 2007

O reincarnado da Avenida Parque*, por Noga Lubicz Sklar

Nathan Englander merece o benefício da dúvida, e não só por ser este gato aí da foto. Desculpem. Nunca antes aqui no Noga Bloga publiquei a foto de um autor, mas esta estava lá, dando pinta no artigo do San Francisco Chronicle, pedindo pra ser usada. Não resisti, dá pra entender porquê. Nathan Englander merece o benefício da dúvida por ter publicado seu primeiro livro aos 29 anos (nos EUA, em 1999) - esses contos que acabei de ler e que podem ser resumidos numa única constatação: o texto não faz por merecer o excelente título, "Para alívio dos impulsos insuportáveis" -, e ter recebido por ele não sei quantos prêmios, a ponto de ser considerado pela mídia um rock-star da literatura. Nathan Englander merece o benefício da dúvida por ter tido seu primeiro romance, publicado este ano, na lista dos 100 melhores livros de 2007 do New York Times. Não é pouca coisa.
Nathan Englander se acredita intenso, brilhante, e além de tudo isso, a reincarnação da literatura iídiche, intensa e brilhante, de Isaac Bashevis Singer e Bernard Malamud. A coisa é tão óbvia que depois de ter comentado com o Alan que o cara pretendia ser o novo BS ou BM dei de cara com o mesmo tipo de comentário na resenha do New York Times.  ===> > >  + + + + +

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Sobra sexo em livro de cuiabano, por Rodrigo Capella.

O filme francês Ils ("Eles"), dirigido por David Moreau e recém-chegado ás locadoras, é assustador. Uma verdadeira pancada no cérebro e mensagens subliminares percorrendo todas as cenas como se fizessem parte de algo maior. Uma história despretenciosa que tira qualquer um do sério e faz qualquer um ficar sério.
Na mesma linha de temática e proposta, com uma dose extra de requinte, o livro de contos 8ito, do cuiabano Danilo Fochesatto, também nos deixa inquieto, logo nas primeiras linhas: "uma chuva fina fazia do ar, ar rarefeito, ar cativante e úmido. Bocas-de-lobo gorgolejavam. Havia chovido. Com ímpeto".

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Uma editora que resiste há 20 anos

O Estado de S. Paulo - 01 dezembro 2007

A paulistana Iluminuras, fundada em 1987, lançou nomes como Ricardo Piglia e Alan Pauls sem fazer concessões ao mercado
Uma editora que publica Beatriz Sarlo, Robert Arlt, Friedrich Hõlderlin, Heinrich Heine e chega aos 20 anos sem fazer concessões é uma raridade no mercado brasileiro. Por essa e outras razões a paulistana Iluminuras, que comemora duas décadas de existência, é considerada uma editora de resistência - isso numa época em que grandes editoras fecham negócios às cegas na feira de Frankfurt, sem considerar o conteúdo dos livros que compram, ou perdem totalmente a identidade ao serem incorporadas por outros grupos editoriais. A editora, fundada pelo literato argentino Samuel Leon e pela historiadora brasileira Beatriz Costa, sempre foi cuidadosa ao escolher seus autores e tradutores , publicando menos de 500 títulos nesses 20 anos.
Entre os escritores lançados no Brasil pela Iluminuras hoje estão nomes consagrados como os dos argentinos Ricardo Piglia (A Invasão) e Alan Pauls (O Passado), para citar apenas dois estrangeiros. Um autor brasileiro do mesmo nível e publicado pela editora, o pernambucano Raimundo Carrero (O Amor Não Tem Bons Sentimentos) é outro exemplo dacriteriosa seleção do time. Seu novo livro deve ser publicado em 2008 pela Iluminuras, que promete títulos fundamentais de filosofia e poesia, dois outros segmentos privilegiados no catálogo. O ano começa com um ensaio da maior crítica literária argentina contemporânea, Beatriz Sarlo, sobre o mais conceituado autor de seu país, Borges, um Escritor na Margem. Outros títulos programados para o próximo ano traduzem a seriedade da dupla fundadora. Um deles é a tragédia inacabada do poeta-filósofo alemão Hõlderlin, Der Tod des Empedokles (A Morte de Empedocles). Outro é Die Gõtter im Exil (Os Deuses no Exílio), de Heine, com tradução do filósofo Márcio Suzuki, fiel colaborador da editora. Entre os contemporâneos, o destaque fica com O Homem das Peles, do psicanalista e romancista Luis Gusmán, um dos grandes nomes da literatura argentina, também introduzido no Brasil graças ao editor Samuel Leon.

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21 de Novembro de 2007

Quanto custa a calhordice política, por Gilberto Dimenstein

Até pouco tempo, a imagem das ONGs estava associada à generosidade e eficiência. Agora, se associa, graças aos escândalos que aparecem na mídia, à malandragem típica da política. A verdade sobre os escândalos, porém, não está clara.

A imensa maioria das pessoas que apoiou e apóia entidades não-governamentais queria fazer a diferença nas suas comunidades, mas também ficar justamente longe da política, onde corrupção e incompetência são rotina.

O ambiente mudou e o resultado dos escândalos é o surgimento de uma CPI para investigar as entidades não-governamentais. O ambiente mudou exatamente por causa da calhordice política.

É bom que se investigue qualquer entidade com dimensão pública. Quanto mais investigação, melhor. O chamado terceiro setor cresceu muito, misturando os mais diferentes tipos de entidades sem fins lucrativos, que envolvem um templo evangélico, um sindicato patronal ou de trabalhador, até um grupo que cuida de crianças com HIV. Há anos se fala na pilantropia.

Mas o que provocou o escândalo é a forma como os partidos (e aqui se envolvem PT e PSDB) usaram o terceiro setor como recurso para ajudar aliados, a começar dos sindicatos. Basta ver que o que está na mira da CPI são grandes transferências de recursos a entidades suspeitas de alinhamento partidária --e, por isso, beneficiadas não por sua competência.

Não é à toa que dinheiro dado aos sindicatos para formação profissional foi, em muitos casos, desperdício. A junção de incompetência, esperteza e falta de fiscalização só poderia mesmo dar em escândalo.

É uma pena que um movimento generoso e com grandes conquistas de direitos de mulheres, crianças, idosos, negros, trabalhadores, portadores de deficiências, seja contaminado pela malandragem. Tudo isso talvez desestimule a participação dos brasileiros em desafios coletivos, especialmente dos jovens --esse é mais um custo da calhordice política. (Gilberto Dimenstein)

[CONCORDO]

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19 de Novembro de 2007

O que vem por aí, por Noga Lubicz Sklar.

"Este é um romance de ficção. Com exceção das partes que não são."
Michael Crichton

O que ele faz nem é considerado literatura, mas Michael Crichton não está nem aí. Segue em sua trajetória alarmista de sucesso iniciada com "Parque dos Dinossauros", agitando o cartão vermelho do futuro no nariz de quem discorda de sua visão do mundo. Entre os quais não me incluo, e a prova disso é que até me arrisco, sob o risco de desprezo dos meus pares, a citar seu último romance "Next" na coluna "Estou lendo" do meu blog. A partir dessa decisão me comprometi com algum comentário, e pra ser honesta, me espantei ao encontrar o livro resenhado no NY Times. Metendo o pau, claro.
Michael Crichton discorda do pensamento dominante e por isso - e também por seu trabalho de pesquisa e a ousadia de ir contra a corrente do lucro que permeia hoje em dia o idealismo ambiental -, tem a minha simpatia. Além disso, domina o ritmo frenético da prosa e a política da linguagem, o que garante, pelo menos, uma boa e bem revisada diversão. No original em inglês, pelo menos.
Com sua proposital ambigüidade, Crichton irrita críticos e leitores. Mas provoca a reflexão quando a gente descobre, por exemplo, que o coelho fluorescente de Eduardo Kac, um dos ícones da arte biogenética que ele descreve, é pura realidade, não delírio deslavado de um ficcionista de araque. O Alan, por exemplo, não sabia disso, mas Eduardo Kac, vocês sabem, é daqui do Rio e o coelho verde dele, pra nós, não é novidade nenhuma. ==>>> + + + + +

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17 de Novembro de 2007

Eladia Blázquez, pasión porteña; por Zaide Moz *

Eladia Blazquez (1931-2005) Argentina. Pianista, guitarrista, compositora, autora, cantante. Apodada “la Discépolo con faldas”. Un ser humano con sensibilidad exquisita, comprometida con la vida y la gente. Una grande de verdad que supo honrar la vida.
Nació un 24 de febrero de 1931 en Avellaneda - zona sur de la provincia de Buenos Aires. Hija de inmigrantes españoles, creciò en una casa modesta de un barrio humilde. Debutò profesionalmente en radio Argentina, a los ocho años, con un repertorio popular español. A los 11 escribió su primera composición, el bolero "Amor Imposible". En 1957, publico la canciòn melòdica "Humo y Alcohol.". A los 20 realizò la obra "Mi vinito de jerez" en homenaje a Federico García Lorca.
Compuso canciones en variados estilos y sus intèrpretes tambièn lo fueron…pero en un momento…"sin darse cuenta, empezó a hablar de Buenos Aires"… En 1968, la balada "No es un juego el amor" ganó el Festival Buenos Aires de la Canción. En 1970 presenta su primer disco de tango donde interpreta algunos de sus mejores temas: "Contame una Historia", "Sin Piel"; ""Mi ciudad y mi gente" con el que vuelve a ser premiada en el Festival de la Canción, "Sueño de Barrilete"…. =>>> + + + +

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16 de Novembro de 2007

DEZ FILMES para se levar para uma ilha deserta, por Chico Lopes.

Para quem aprecia Cinema, foi lançado pela Publifolha há alguns anos, um livrinho chamado "Ilha deserta - Filmes". Proposta curiosa: sete autores famosos, entre críticos cinematográficos, cineastas e escritores, falam dos dez filmes preferidos que levariam para uma ilha deserta. Os autores são o teledramaturgo Agnaldo Farias, os críticos de cinema Amir Labaki e Inácio de Araújo, o escritor Bernardo Carvalho, a socióloga Isa Grinspum Ferraz, o documentarista João Moreira Salles e o cineasta Ugo Giorgetti.
Essas listas dos "dez filmes preferidos", em geral solicitada a cineastas, críticos e personalidades da cultura, foram uma mania em outras épocas, quando a cinefilia parecia mais vigorosa; hoje, parecem impressionar e influir menos, porque o peso da crítica cinematográfica sobre o público é consideravelmente menor. Os gostos mudam depressa demais hoje em dia e quase não há tempo para a dedicação contínua e sistemática a uma obra cinematográfica a ponto de torná-la objeto de um culto recorrente e, sem esse tempo, sem essa disposição de espírito, não há apego ao que se vê (a descartabilidade é endêmica e frenética), não havendo, portanto, um mecanismo sólido de eleições. + + + +

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10 de Novembro de 2007

Kadaré exibe decadência dos Bálcãs

No minirromance "Uma Questão de Loucura", albanês mostra descompasso entre passado grandioso e presente crítico
MARCELO PENCRÍTICO DA FOLHA
Nesta pequena história de cunho autobiográfico, o escritor albanês Ismail Kadaré retoma alguns de seus temas prediletos, como a morte, a Segunda Guerra Mundial e a ditadura comunista instalada após a expulsão dos alemães.
O autor parece ultimamente disposto a ir direto, com um mínimo de referências e digressões, ao assunto a ser narrado. Aqui ele trata sobretudo da decadência das antigas instituições de seu país diante da ascensão da ditadura de embasamento soviético. A história é contada do ponto de vista naturalmente limitado de um garoto (o próprio Kadaré, quando menino). A ausência de um contexto mais amplo transforma a obra em uma espécie de conto alongado, ou como classifica o autor, um minirromance.
Kadaré descobre, na própria família, tanto os sinais da decadência social quanto as sementes da ascensão política. O avô materno do garoto, ingenuamente associado por ele ao fundador do Estado albanês, é um antigo proprietário de terras que mantém os costumes associados à velha ordem. Ele ainda fuma seus cachimbos na espreguiçadeira de sua varanda; lê livros em turco, conserva por perto os ciganos que lhe tocam violino ao cair da tarde. Esses hábitos são censurados pelos tios do menino, membros do partido que viria a governar o país por cerca de 40 anos.  + + + +

UMA QUESTÃO DE LOUCURA
Autor:
Ismail Kadaré
Tradução: Bernardo Joffily
Editora: Companhia das Letras
Quanto: R$ 28 (74 págs.)
Avaliação: bom

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3 de Novembro de 2007

Auerbach e o Brasil de hoje, por Adelto Gonçalves.

Não há crítico literário digno desse nome nos séculos XX e XXI que não tenha lido e se deixado influenciar por Mimesis: a representação da realidade na literatura ocidental (São Paulo, Editora Perspectiva, 1970), de Erich Auerbach (1892-1957), obra de 1946 que se tornou clássica nos estudos de literatura porque, a rigor, abriu novas possibilidades de análise e leitura dos grandes textos da criação literária. Basta ver que professor Antonio Candido (1918), decano dos críticos literários brasileiros, sempre reconheceu que sua atividade foi fortemente influenciada por Auerbach.

Agora, meio século depois da morte do autor, a Editora 34 e a Livraria Duas Cidades, de São Paulo, depois de negociar com os herdeiros da obra, colocam nas livrarias Ensaios de Literatura Ocidenta l: filologia e crítica, coletânea organizada pelos professores Samuel Titan Jr. e David Arrigucci Jr. e que reúne 15 ensaios escritos entre as décadas de 1920 e 1950, período em que Auerbach se dedicou aos estudos literários, iniciado com sua tese de doutoramento Sobre a técnica da novela no início do Renascimento na Itália e na França (1921) e que se concluiu com Linguagem literária e pública na tardi a Antigüidade latina e na Idade Média (1958). + + + + + +

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Secretos de un inédito: 'Las caras de la medalla', de Julio Cortázar

cortazar Ciao, Verona, el relato oculto durante 30 años, desvela las sombras de Las caras de la medalla

En la primavera de 1977, Alfaguara publicó en la elegante colección de cubiertas de color violeta diseñada por Enric Satué el libro de relatos Alguien que anda por ahí, de Julio Cortázar, cuya edición íntegra había sido prohibida en Argentina. Por primera vez se publicaba en España un libro inédito de narrativa del autor, y si bien éste era ya conocido en el país y en dicha ocasión se resignó al circo de las presentaciones y de las conferencias -algo a lo que años atrás se negaba en redondo-, el volumen fue recibido con tibieza o desdén por aquellos que no le perdonaban repeticiones formales ("Cortázar, pero menos") o aquellos otros que no consentían que la política se entremezclara en sus textos ("¡qué lástima, un escritor que había empezado con tan buena letra...!").

Con la lectura del por treinta años inédito Ciao, Verona, el lector sabrá a qué correspondía la sombra de Las caras de la medalla y, al mismo tiempo, podrá imaginar otras atmósferas, otras sombras no menos inesperadas. -

Matéria completa no EL PAIS (03/11/2007). Dica de Alfredo Aquino

 

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28 de Outubro de 2007

O Fazer Cinematográfico, por Vicentini Gomez

Todas as vezes que vou fazer uma palestra ou mesmo ministrar uma oficina sobre cinema, as mesmas perguntas, as mesmas curiosidades, e a mesma indagação: Eu tenho amigos que fizeram um filme, mas não conseguiram colocar no mercado. Como fazer?

Verdadeiramente este é o grande problema do cinema nacional. Acabei de fazer, mas como vou exibir o meu filme? Então, vamos começar este artigo sobre o fazer cinematográfico, citando uma frase de Machado de Assis, do seu mais polêmico romance: D. Casmurro, que está lá, no  Capítulo LXXII – uma reforma dramática:

“Nesse gênero há porventura alguma coisa que reformar, e eu proporia como ensaio, que as peças começassem pelo fim. ...” Então, eu quero fazer um filme. Tenho uma idéia brilhante. Como começar?

(...)  Fazer cinema exige planejamento. O produto é caro e ocupa tempo. Voltemos ao texto de Machado de Assis, onde D. Casmurro diz que as peças deveriam começar pelo fim. Aqui, no cinema é assim. Com o nosso projeto pronto, devemos levá-lo primeiramente a uma distribuidora e negociar a viabilidade de distribuição.

Cinema é feito para o grande público. O investimento é alto, e para isso necessitamos de um planejamento perfeito,  para a realização do filme perfeito. Mas o que é um filme perfeito? Penso ser aquele que será assistido pelo maior número de pessoas possível. Então, mãos à obra. Vamos fazer o filme, mas para que seja exibido. Esse é o ideal. +++++

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22 de Outubro de 2007

Sonhos de uma vida infeliz, por Manoel Hygino dos Santos.

Quando Ronaldo Cagiano elegeu os autores que constariam de sua “Antologia do Conto Brasiliense”, nela incluiu Whisner Fraga. E fez bem. O jovem engenheiro mecânico nascido em Ituiutaba, em 1971, é uma das belas revelações de nossas letras.
Whisner é autor de “Seres e sombras”, “Coreografia dos danados”, “Anatomia de todas as noites”, os dois primeiros em prosa, e terceiro poesia, gênero que lhe deu distinção na revista inglesa “Poetic Hours”. E tem uma peça: “Biografia de um dia só”, monólogo intimista; dentre outros trabalhos.
Em 2007, aparece com ““As espirais de outubro””, pela Nankin Editora, de São Paulo. É a história de uma jovem que sonhou conquistar o Nobel de Literatura, e viveu a vida sonhando com o estrondoso sucesso nas letras e felicidade
pessoal, jamais conquistada.  ++++

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6 de Outubro de 2007

Multidão de mundos, por Manuel da Costa Pinto.


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"Reviravolta" utiliza modelos da inteligência artificial e da ficção científica para expor a irrealidade da vida cotidiana
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"REVIRAVOLTA" é o romance de um autor mais conhecido por trabalhos de teoria literária e pelo resgate da obra de Vilém Flusser (pensador tcheco que viveu no Brasil e adotou o português como idioma filosófico). Organizador de seus ensaios para a editora Annablume, Gustavo Bernardo não é um "discípulo", mas assimila suas idéias com o distanciamento irônico que só a ficção permite.
"A nossa imaginação (...) pode ultrapassar de muito as grades daquilo que chamamos de "realidade" e estabelecer, além, uma multidão de mundos. Esses mundos imaginários serão tão consistentes, ou mais, do que o mundo da "realidade", desde que nossa imaginação criadora de mundos seja informada pelo rigor do nosso intelecto. Imaginação rigorosa é a mola mestra da atividade criadora. O mundo da "realidade" não passa de uma criação da imaginação imperfeitamente rigorosa."
A passagem está num dos ensaios de Flusser em "Ficções Filosóficas" (Edusp). Poderia estar em "Reviravolta", cujo mérito consiste justamente em injetar rigor numa fantasia futurista. ++++++++


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27 de Setembro de 2007

Tropa de Elite: Não dá para aplaudir nem sob tortura


Filme de Padilha imita cinemão americano com roteiro esquemático e moralismo mistificador; para piorar, banaliza a tortura


PLÍNIO FRAGA - DA SUCURSAL DO RIO
"Tropa de Elite" é um filme de Hollywood falado em português. A obra de José Padilha é hollywoodiana no que a expressão tem de excelência técnica e conservadorismo social e estético. Ritmo narrativo ágil, fotografia caprichada, sonorização impecável, atores bem dirigidos e custo de produção na casa da dezena de milhões de reais são características do filme -não por acaso, apadrinhado pelo produtor Harvey Weinstein (ex-Miramax).
Mas "Tropa de Elite" herda do cinemão americano o roteiro esquemático, o moralismo mistificador, o cinismo utilitário, a hipocrisia social, o pensamento monolítico. Banaliza e glamouriza a tortura. Acha justificável os fins da assepsia social e seus meios aéticos. É um filme desumano e autoritário.
Exibido no Festival do Rio e em cartaz em Jundiaí (a 60 km de São Paulo), no cinema Moviecom Maxi 3, até hoje, em sessão única às 16h30 (era uma tentativa de concorrer ao Oscar em 2008), o filme é narrado pelo capitão Nascimento (Wagner Moura), que quer deixar o Bope (Batalhão de Opera- ções Policiais Especiais) da PM do Rio por causa do filho que nasce.
Às vésperas da visita do papa ao Brasil -que se hospedará na casa do cardeal do Rio, cercada por favelas-, Nascimento busca um sucessor entre dois aspirantes a oficiais (Caio Junqueira e André Ramiro) que pretendem se integrar à tropa de elite da polícia do Rio. O primeiro é um policial "honesto" que se aproveita de esquemas corruptos para equipar melhor a PM; o segundo, um negro de origem pobre que estuda direito entre bem-nascidos.
É uma história de ficção baseada em relatos reais, adaptada do livro "Elite da Tropa", escrito por um sociólogo (Luiz Eduardo Soares) e por dois capitães da PM (André Batista e Rodrigo Pimentel, este um dos roteiristas do filme).


Conivente, "Tropa de Elite" não merece aplausos - nem sob tortura.


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25 de Setembro de 2007

Pais e professores aprovam coleção criticada


O Estado de S. Paulo - 23/09/2007 - por Elisangela Roxo
Para pais de alunos e professores de escolas q