A FESTA DE TATI: PARA PENSAR A DIFERENÇA
Por Isabela Monken Velloso
Diferentes ou iguais; somos iguais somente na diferença. Ser diferente é constituir-se. Sou eu porque não sou outro, como diria o poeta, sou qualquer coisa de intermedium. Pensar a alteridade é salutar, afinal, já nos disse a psicanálise: criamos nossa identidade a partir do registro das diferenças, das nossas e dos outros; precisamos deles para "escrever-nos" por contraste ou disjunção, junção de escolhas e ressonâncias.
Pensar sob a ótica do outro, da margem, esse é o convite do livro infantil "A festa de Tati" de Rosângela Vieira Rocha. A pequena história concentra-se na vida de Tati, uma garota diferente, que não goza de alguns privilégios, para alguns, tão rotineiros: "Ela não anda, fala mal e não consegue entender as coisas como as outras crianças da idade dela. Pra ela tudo é mais difícil. Os meninos não conseguem aceitar como Tati é".
Tratar questões delicadas como a diferença não é algo tão simples, como se possa pensar. Falar de especialidades, sem assumir uma roupagem estereotipada, marcada pelo clamor performático da integração, é tarefa para poucos. Falar do outro, daquele que, em certo aspecto, não ocupa o mesmo topos da comunidade, estando num entre-lugar, implica espantar o fantasma de alguns mascaramentos: ver o diferente como objeto pena é prova de arrogância. E, felizmente, não é esse o discurso do livro.
Há na obra uma inegável comoção da família em relação àquela filha que, aparentemente, encontrou em seu desenvolvimento um desvio. No entanto, a rota diferente, trilhada por Tati, sua narrativa cotidiana de superar-se, confere um brilho especial à própria família: todos se unem para vê-la bem e feliz; incansáveis, certos de que é possível contar estrelas no céu, desde que possamos contá-las por grupos, um dia de cada vez. Para Tati e sua família, a rotina é sempre um novo recomeço que requer, cotidianamente, novas reformulações. Tomar banho, fazer uma festa, trivialidades que requerem dos seus convivas inteligência e união.
É bonito ver na narrativa a vivacidade da irmã, com seus salutares defeitos e acertos, e o empenho dolorido e contente dos pais. A narrativa é magistralmente bem ilustrada por Neli Aquino que sabe, como poucos, fazer com que a imagem apaixone-se pelo texto, profanando-o, respeitosamente, como todo gesto amoroso de entrega e de arte. As ilustrações apresentam simbolismos do universo infantil, colagens divertidas e marcas visuais que lembram diários íntimos, papéis de carta. Muito delicadas e nada ingênuas, as imagens sugerem carinho e intimidade. A vitalidade e a liberdade no uso das cores reiteram a deliciosa sugestão da obra de Rosângela Vieira: pensar a diferença pode e deve ser uma experiência colorida e feliz, como A Festa de Tati.
*Isabela Monken Velloso é doutora em Ciência da Literatura/Semiologia pela UFRJ, mestre em Teoria Literária pela UFJF e integra o corpo docente da Faculdade Estácio de Sá/JF.
Marcadores: Livros_Recebidos
Primeira Página
Link permanente··- publicado por
VerdesTrigos @ 11/15/2008 03:16:00 PM | | | Voltar

Tonho cresceu no meio da floresta, mas é diferente das outras crianças do lugar: não toma banho de rio, não gosta de subir em árvore nem de se aventurar pela mata. Tudo por causa do medo. Um medo que aumenta quando ele ouve falar no Mapinguari, figura lendária da Amazônia... Afinal, como é esse bicho? Por que Tonho sente tanto medo? Essas perguntas são respondidas quando, um dia, tio Rosarindo leva Tonho para uma caçada na floresta... 


A leitura do livro “Fragma”, de Cândido Rolim, é desconcertante. Logo se instala uma perturbação... é que o desafio se impõe da primeira à última página. A indisciplina com a forma, a relação de escassez com as palavras e de amor com as lacunas leva o leitor a uma ginástica mental ininterrupta. São estilhaços de pensamentos, fragmentos de concepções e filosofias que exigem uma (re)construção de sentido para a possibilidade de fruição. O transtorno é próprio da prosa contemporânea fragmentada. Há sempre mais subtexto que texto. Assim, o pequeno livro se agiganta, desaparece a idéia inicial de minimalismo, as construções crescem a cada leitura. Pensamentos, aforismos, nunca se sabe... De um tijolo se vê um prédio. Viagens... É denso e desordena... “forma, contorno, tudo temor de extensão”. [






Que é o saber, senão a busca incessante da combinação entre os inumeráveis fios de sol que tecem sua manhã, tão luminosa quando essa tessitura não transcura nenhuma das frestas das janelas por que entram esses fios de sol? Pois é assim que Raquel Naveira urde o seu belo "Tecelã de Tramas", em que trata da interdisciplinaridade com extrema competência, delicada sensibilidade e sutil erudição. Tomando como referência pensamentos de autores consagrados, Raquel faz de "Tecelã de Tramas" uma sucessão de viagens por tempos, caminhos e pensamentos diversos e entrelaçados, sempre matizadas (as viagens) por belas pinceladas da própria autora, expressas em textos ricos e muitas vezes comoventes. 



Viver e trabalhar no Japão. Para muitos, uma necessidade. Para outros, uma aventura. E para alguns, a última chance de sobrevivência. Neste livro você vai conhecer Emilia, uma descendente que trabalhou na terra do sol nascente, entre muitas idas e voltas, no período entre 1991 e 2005. 

É impossível não se impregnar no forte lirismo amoroso presente em toda obra de Z.A. Feitosa, e que se desgarra e se alucina nestes escritos de viagens, que têm como pano de fundo a paisagem de Brasília, Visconde de Mauá e Bauru, onde o autor esteve, entre 1989 e 1990.
Em Luís Antonio Cajazeira Ramos, a evidente sensibilidade lírica e o extremo domínio retórico, atributos que nem sempre se reúnem no mesmo escritor, revelam-se qualidades indissociáveis. Para além do espontaneísmo informe e confessional, ou da mera habilidade versejadora, sua poesia navega em território próprio: uma implacável máquina do poema, que retrata, com humor, farsa e melancolia, as vias e os desvios de um sujeito lírico em confronto, o mais das vezes, irônico frente ao mundo. 






A jovem Stephany até se julga uma “expert em beijo”, mas, no fundo, sabe que seu conhecimento prático não passa de beijocas na bochecha ou na mão. Ela já ouviu falar que beijo na boca tem gosto de maçã. Infelizmente, para sua vergonha, nunca experimentou.




AVE, PÁSSARO 
























