A cinza dos afogados, por Manuel da Costa Pinto
Folha de S. Paulo - 05/04/2008 - por Manuel da Costa Pinto
Nos últimos anos, surgiram inúmeros artistas oriundos dos espaços sociais conflagrados, periferias e morros. Até um poderoso artefato narrativo como "Cidade Deus" foi qualificado, na primeira edição, de "romance etnográfico". Já a poesia não tem o álibi de uma trama costurada ou da denúncia social; seu valor está no corpo a corpo com as palavras. Por isso, tantas antologias de poetas da periferia valem apenas por trazerem poetas da periferia... E, também por isso, um poeta como Marcelo Ariel, autor de Tratado dos anjos afogados (Letra Selvagem, 216 pp., R$ 20), deve ser saudado. Não há qualquer condescendência em dizer que esse escritor negro, de 40 anos, mora em Cubatão, na baixada santista, onde vive de um "sebo itinerante". Pois se o livro reúne bom número de poemas sobre chacinas e presídios, o teor testemunhal se conecta a outros martírios e nos restitui ao coração de um fracasso maior, que funda a experiência poética moderna. >> Leia mais
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VerdesTrigos @ 4/07/2008 05:26:00 PM | | | Voltar
























