início da navegação

VerdesTrigos.ORG lhe oferece conteúdo interativo, inteligente, culto e de indiscutível bom gosto. Deixe o seu recado.  Volte sempre!   Cadastre-se

27 de Abril de 2008

A turba do 'pega e lincha', por Contardo Calligaris

Outro dia passei duas horas em frente à televisão. Não adiantava zapear: quase todos os canais estavam, ao vivo, diante da delegacia do Carandiru, enquanto o pai da pequena Isabella estava sendo interrogado. O pano de fundo era uma turba de 200 ou 300 pessoas.
Permaneceriam lá, noite adentro, na esperança de jogar uma pedra nos indiciados ou de gritar "assassinos" quando eles aparecessem, pedindo "justiça" e linchamento.
Mais cedo, outros sitiaram a moradia do avô de Isabella, onde estavam o pai e a madrasta da menina. Manifestavam sua raiva a gritos e chutes, a ponto de ser necessário garantir a segurança da casa. Vindos do bairro ou de longe (horas de estrada, para alguns), interrompendo o trabalho ou o descanso, deixando a família, os amigos ou, talvez, a solidão - quem eram? Por que estavam ali? A qual necessidade interna obedeciam sua presença e a truculência de suas vozes?

“Os alemães que saíram para saquear os comércios
dos judeus na “Noite de Cristal” faziam isso porque
queriam sobretudo afirmar sua diferença"

LEIA MAIS

Marcadores: , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 4/27/2008 08:08:00 AM | | | Voltar

       

14 de Abril de 2008

Corrente literária

Folha de S. Paulo - 12/04/2008 - por Cyrus Afshar
Aquele livro bacana que você nem lembra mais que tem, perdido no fundo de uma gaveta ou juntando pó em uma estante, poderia estar solto no mundo, satisfazendo a sede de outros leitores. E outra obra interessante, já devorada por algum leitor, poderia estar na cabeceira de sua cama. Novas formas de consumo começam a mudar a relação que as pessoas têm com as coisas, inclusive com os livros. Criado em 2001 nos EUA, o site de trocas de livros Bookcrossing ganha cada vez mais adeptos no mundo todo e também no Brasil. Os membros do site filiam-se de graça e registram na internet os livros que querem "libertar", escolhendo quando e onde vão deixá-los. Antes, devem escrever, na folha de rosto de cada obra, uma "dedicatória" com uma breve explicação pessoal, o endereço do Bookcrossing e um código de identificação gerado no site (BCID). Depois, deixam os livros em um lugar qualquer ou em "crossing zones" ("zonas de cruzamento") oficiais. >> Leia mais

Marcadores: , , , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 4/14/2008 06:36:00 PM | | | Voltar


Romance de estréia segue tradição de 'O Nome da Rosa' e 'O Código Da Vinci"

ADRIANO SCHWARTZ - ESPECIAL PARA A FOLHA
O título, "O Conto do Amor", sugere à primeira vista que se trata da história de uma paixão. Essa é, de fato, uma das formas de amor abordadas no livro de Contardo Calligaris, mas há outras, que, misturadas, criam a teia de afetos presentes no enredo: há o amor entre pai e filho, há o amor interrompido no passado que deixa marcas na história dos envolvidos, há o amor aparentemente simples que, para ser levado adiante, irá requerer desprendimento e coragem.
Carlo Antonini, o protagonista da obra, é um italiano que mora em Nova York, onde ensina psicopatologia, e volta para seu país em busca do sentido de uma conversa que tivera com o pai pouco antes de ele morrer, 12 anos antes. Nela, o homem que passara a vida toda imerso em seus estudos sobre a Renascença conta para o filho uma experiência estranha que vivenciara na juventude no convento do Monte Oliveto Maggiore, próximo a Siena: "Ao entrar no claustro, tive a sensação imediata, distinta, nítida de que conhecia os afrescos perfeitamente, cada cena, cada figura, cada pincelada".
O ponto de partida é interessante, e a complexidade das relações amorosas é abordada com delicadeza. O problema de "O Conto do Amor" é que ele se filia a uma tradição narrativa já bastante desgastada e diluída, que tem seu marco de origem genial, nessa formulação, em "O Nome da Rosa", de Umberto Eco, e seu maior best-seller em "O Código Da Vinci", de Dan Brown.
Entre seus mais comuns ingredientes, estão o uso de questões da história da igreja e da arte didaticamente expostas, as constantes referências eruditas ou supostamente eruditas, os toques autobiográficos, a assimilação no texto de roteiros turísticos e a investigação detetivesca que se vale de coincidências e das intuições brilhantes (e às vezes altamente improváveis) do herói. No Brasil, o esquema já fora adaptado, por exemplo, por Isaías Pessotti, em romances como "O Manuscrito de Mediavilla" e "Aqueles Cães Malditos de Arquelau".
Infelizmente, em sua estréia na ficção, Contardo Calligaris não consegue escapar do peso dessa linhagem.


ADRIANO SCHWARTZ é professor de literatura da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP.
O CONTO DO AMOR
Autor:
Contardo Calligaris
Editora: Companhia das Letras
Quanto: R$ 34 (128 págs.)
Avaliação: regular
Lançamento: sábado (26/4), na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (av. Paulista, 2.073), às 11h

Marcadores: , , , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 4/14/2008 03:35:00 PM | | | Voltar


'Eu tô querendo namorar um cara': Ana Carolina

A cantora Ana Carolina, que inicia turnê e lança o DVD "Dois Quartos", em entrevista no Rio: "Eu sei o que eu faço nas minhas quatro paredes", diz

Quase sempre de preto, a cantora Ana Carolina, ícone gay, recém-separada de uma mulher, diz que vai inaugurar uma fase mais "colorida", anuncia que está em busca de um namorado e revela: "Eu adoro o homem pra transar"

Ana Carolina costuma erguer o queixo quando conta uma história. Faz longas pausas entre uma frase e outra e, quando conclui o assunto, desata a gargalhar. "Eu toco desde os 16 anos na noite... é... sabe como é que é.... pra rolar uma grana, né? Fiquei tocando até os 24. E... você toca pra dois casais, pra dez pessoas, 15... Se desse muita sorte, eu fazia show até pra cem pessoas... Hahahaha!"  [Mônica Bergamo]

Marcadores: , , , , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 4/14/2008 03:15:00 PM | | | Voltar

       

9 de Abril de 2008

Ziraldo paga R$ 40 mil a 'assassina' de seu papagaio

Folha de S. Paulo - 09/04/2008 - por Mônica Bergamo
Se, por um lado, receberá indenização de R$ 1 milhão por ter sido perseguido pela ditadura militar, por outro o cartunista Ziraldo foi condenado a desembolsar R$ 40 mil, em seis meses, para indenizar a produtora cultural Lulu Librandi por danos morais, informa Mônica Bergamo. Duas parcelas já foram pagas. Há oito anos, ele chamou Lulu de "filha da puta" numa entrevista por causa de desavenças que os dois tiveram quando eram dirigentes da Funarte no governo de José Sarney. No processo, Ziraldo disse ainda que a produtora tinha "assassinado" seu papagaio já que a ave "morre quando alguém te deseja o mal". >> Leia mais

Marcadores: , , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 4/09/2008 06:53:00 PM | | | Voltar


USP abriga exposição gratuita com livros raros

Folha de S. Paulo - 09/04/2008 - por Eduardo Simões
O Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, em parceria com a Biblioteca Mário de Andrade, abre nesta quarta-feira, 9 de abril, uma exposição com obras raras de ambas instituições. Os 17 livros vindos da biblioteca são, em sua maioria, obras recuperadas após o furto ocorrido em seu acervo em 2006. Serão exibidas pela primeira vez desde então. Entre elas, destacam-se "As Primaveras" (Casimiro de Abreu, 1859) e um exemplar de "O Guarany" (José de Alencar, segunda edição, com data imprecisa). Já do acervo do IEB estarão expostos 40 livros. A exposição "Obras raras em acervos públicos" ocorre de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, e, aos sábados, das 10h às 16h, até o dia 29 de junho, no Instituto de Estudos Brasileiros (Av. Prof. Mello Moraes, tr. 8, nº 140, Cidade Universitária. Tel: 11.3091-2399), com entrada franca. >> Leia mais

Marcadores: ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 4/09/2008 06:45:00 PM | | | Voltar

       

7 de Abril de 2008

A cinza dos afogados, por Manuel da Costa Pinto

Folha de S. Paulo - 05/04/2008 - por Manuel da Costa Pinto
Nos últimos anos, surgiram inúmeros artistas oriundos dos espaços sociais conflagrados, periferias e morros. Até um poderoso artefato narrativo como "Cidade Deus" foi qualificado, na primeira edição, de "romance etnográfico". Já a poesia não tem o álibi de uma trama costurada ou da denúncia social; seu valor está no corpo a corpo com as palavras. Por isso, tantas antologias de poetas da periferia valem apenas por trazerem poetas da periferia... E, também por isso, um poeta como Marcelo Ariel, autor de Tratado dos anjos afogados (Letra Selvagem, 216 pp., R$ 20), deve ser saudado. Não há qualquer condescendência em dizer que esse escritor negro, de 40 anos, mora em Cubatão, na baixada santista, onde vive de um "sebo itinerante". Pois se o livro reúne bom número de poemas sobre chacinas e presídios, o teor testemunhal se conecta a outros martírios e nos restitui ao coração de um fracasso maior, que funda a experiência poética moderna. >> Leia mais

Marcadores: , , , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 4/07/2008 05:26:00 PM | | | Voltar


O sonho de Martin Luther King, por Contardo Calligaris

O amor é o agente da modernidade: os sentimentos vencem os preconceitos das tribos
Em 1963, cinco anos antes de sua morte, King contara seu sonho aos manifestantes da marcha sobre Washington: ele imaginava um futuro em que "brancos e negros, judeus e gentios, protestantes e católicos", descendentes de escravos e de donos de escravos, todos viveriam em harmonia, sentados "à mesa da irmandade". Nesse futuro, cada um seria julgado por seus atos e por seu caráter, não pela cor de sua pele, pela herança de sua etnia ou por sua fé.
King pedia que os EUA e o mundo moderno se mostrassem à altura de suas próprias declarações fundadoras: por exemplo, a Constituição dos EUA.
Ao longo das últimas quatro décadas, muitas coisas mudaram. Um balanço rápido constataria, sem otimismo excessivo, que o preconceito e a discriminação das diferenças retrocederam. Foi o efeito de mil lutas, grandes e pequenas, nos Parlamentos, nas ruas e nas padarias da esquina.
Esse sonho reviveu, nestes dias, no discurso de Barack Obama "A More Perfect Union" (a "união mais perfeita", que era o propósito explícito dos signatários da Constituição dos EUA). Obama é suficientemente atento às diferenças para se lembrar, por exemplo, de que ser filho de imigrante africano não é a mesma coisa do que ser descendente de escravo. Mas, apesar de sua atenção às diferenças, talvez por ser o fruto de um amor inter-racial, ele consegue (novidade absoluta) ser um candidato negro, sem ser um candidato dos negros. =>>> LEIA MAIS

Marcadores: , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 4/07/2008 09:06:00 AM | | | Voltar


Um grande voto no julgamento do ProUni

O ministro Carlos Ayres Britto defendeu o programa com uma exaltação da igualdade social
BENDITA A HORA em que o DEM (ex-PFL) e a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino resolveram bater às portas do Supremo Tribunal Federal, sustentando a inconstitucionalidade dos atos que criaram o ProUni. Levaram para a Corte a discussão da legalidade de ações afirmativas baseadas em critérios de renda e de raça para o acesso ao ensino superior. Na semana passada, tomaram a primeira pancada, pelo voto do ministro-relator Carlos Ayres Britto.
O ProUni troca por bolsas de estudo as imunidades tributárias dadas às universidades particulares. Coisa como 10% das vagas disponíveis. O programa já atendeu 310 mil jovens oriundos da rede pública e neste ano formará a sua primeira turma, com 60 mil bolsistas. Há 100 mil estudantes pré-selecionados para a próxima rodada de matrículas. Para receber uma bolsa integral, a renda per capita familiar do candidato não pode ser superior a 1,5 salário mínimo. Por exemplo, um casal com dois filhos não pode ganhar mais de R$ 1.648. As vagas do ProUni também devem ser preenchidas favorecendo o acesso de candidatos afro-descendentes (quem não gosta da expressão pode chamá-los de "descendentes de escravos"). A concessão de bolsas deve acompanhar os percentuais de diversidade de cada Estado, conforme o censo do IBGE. Há um regime de bolsas parciais, que segue critérios semelhantes.
Segundo a Confenen e o DEM, esses critérios são inconstitucionais porque violam o princípio da igualdade entre os cidadãos. (Eles faziam outras restrições, também rejeitadas pelo relator.)
Britto julgou improcedente o pedido, argumentando em cima do nervo da questão: o que é a igualdade numa situação de desigualdade? Nas suas palavras: "Não há outro modo de concretizar o valor constitucional da igualdade senão pelo decidido combate aos fatores reais de desigualdade. (...) É como dizer: a lei existe para, diante dessa ou daquela desigualação que se revele densamente perturbadora da harmonia ou do equilíbrio social, impor outra desigualação compensatória".
Em vez de tentar derrubar quem está em cima, empurra-se quem está em baixo. Tome-se o caso de dois jovens reprovados nos rigorosos vestibulares das universidades públicas, gratuitas. Um, de família mais abonada, vai para uma faculdade particular, paga. O outro iria à lona, mas, com o ProUni, vai à aula.
Britto buscou uma parte de sua argumentação na Oração aos Moços, de Rui Barbosa: "A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. (...) Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real".
O voto de Britto trata só do Pro-Uni. Sua linha de raciocínio abre um guarda-chuva conceitual que antevê próximos julgamentos, quando o STF será chamado a decidir sobre a constitucionalidade do regime de cotas em inúmeras universidades públicas. Terminada a leitura, na quarta-feira, o processo do ProUni foi suspenso por um pedido de vista do ministro Joaquim Barbosa e recomeçará em poucas semanas. Se o DEM e a Confenen não tivessem cutucado as togas com vara curta, essa bonita discussão não teria sido aberta.(Elio Gasperi, na FSP)

Marcadores: ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 4/07/2008 08:58:00 AM | | | Voltar


BOLSA DITADURA

Para o banco de dados do Planalto: em 1952, a Alemanha negociou um acordo com o governo de Israel e se comprometeu a pagar 3 bilhões de marcos (US$ 5,8 bilhões em dinheiro de hoje) como reparação pelo que o nazismo fez aos judeus.
O Bolsa Ditadura já custou à Viúva US$ 1,5 bilhão. (Elio Gaspari)

Marcadores: , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 4/07/2008 08:53:00 AM | | | Voltar

       

20 de Março de 2008

Sul ganha evento literário em março

PublishNews - 20/03/2008
A capital gaúcha vai respirar literatura a partir da quarta-feira, 26 de março. Isso porque a cidade será invadida pela programação da Festa Literária de Porto Alegre (FestiPoa), um encontro que reunirá em torno dos livros escritores, músicos, atores, cantores, jornalistas, espectadores e leitores. Realizado pelo jornal Vaia o encontro, que acontece até o dia 29, terá a presença de mais de 50 artistas em lançamentos, sessões de autógrafos, bate-papos, exposições, shows e performances. Nomes como de Donaldo Schüler, Luís Augusto Fischer, Luiz Antonio de Assis Brasil, Moacyr Scliar e Fabrício Carpinejar devem participar do evento. Diversas livrarias da cidade e teatros sediarão as atividades gratuitas. Para conferir a programação acesse o site.

Marcadores: , , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 3/20/2008 10:45:00 PM | | | Voltar


O homem que virou santo, por DRAUZIO VARELLA

Enfrentara rebeliões, caíra refém, mas era tudo brincadeira perto das crises de ciúme da mulher

JURANDIR JURA que a culpa foi da vizinha. Diz que tinha virado santo com a finalidade de aplacar os ciúmes da mulher, Zélia, convencida de que todas as outras mulheres da vila davam em cima dele, cafajeste, derretido por qualquer rabo-de-saia.
O comportamento exemplar dos últimos meses era conseqüência de uma briga provocada por uma ida à padaria, depois da qual Zélia acusou-o de haver admirado as pernas de uma loira alta e lhe atirou o liquidificador nas costas. Ao fazer as pazes, assinaram um armistício com diversas cláusulas, a mais importante das quais exigia que ele não ousasse olhar para a tal vizinha, recém-instalada no andar de cima.
Jurandir explicou que a exigência era absurda, mal reparara na moça. No dia da mudança, tinha segurado a porta do elevador para que ela entrasse com os pacotes, apenas por cortesia. A esposa respondeu, possessa, que o problema não havia sido o cavalheirismo, mas o sorriso calhorda que ele colocara nos lábios.
Decidido a preservar o casamento e o convívio diário com os filhos, ele fez de tudo para andar na linha. Tinha boas razões para desejar a paz: a esposa era mulher de bons princípios, mãe exemplar, dona-de-casa prestimosa; seu problema era um só: o gênio forte.
-Quando o ciúme atacava, parece que incorporava o Coisa Ruim. Não via hora nem lugar; fazia escândalo na frente de quem fosse.
Ele trabalhava como carcereiro havia 20 anos. Tinha enfrentado rebeliões, caído refém de presos amotinados, participado de negociações em galerias apinhadas de homens e facas, mas considerava as peripécias brincadeira de criança comparadas às crises da mulher enciumada.
Quis o destino, no entanto, que numa segunda-feira de chuva ele chegasse em casa mais cedo e que não houvesse ninguém. Tomou banho, vestiu a bermuda, colocou um CD, abriu a primeira lata de cerveja e foi atender ao telefone interno.
Era a vizinha. Perguntou se não poderia ajudá-la a instalar o aparelho de DVD. Tão cheio de fios!
Ele jura que subiu a escada na ingenuidade, preocupado com a volta da esposa, e que só se deu conta da armadilha quando viu o umbigo de fora, o decote diabólico e a calça agarrada que a moça usava.
-Uma roupa daquelas mulher nenhuma veste apenas para instalar um DVD.
Quando os lábios dela se aproximaram perigosamente, ele recuou.
-Minha mulher vai chegar, você está de batom vermelho.
No dia seguinte, ela ligou para a cadeia. Disse que existia uma atração fatal entre os dois, instalada desde a gentileza na porta do elevador. Insistiu que resistir a essa força seria ir contra a natureza humana.
Não precisou de retórica para convencê-lo.
-Eu estava totalmente de acordo. Perder uma chance como aquela seria até pecado. O problema era como escapar da marcação cerrada lá em casa. Meus horários eram controlados com precisão de minuto.
A imagem dos lábios vermelhos, entretanto, não lhe dava trégua.
Uma semana depois da instalação do DVD, concebeu um plano para passar a noite com a vizinha. No dia fatídico, telefonou para casa avisando que estava escalado para o plantão noturno, porque iriam realizar uma blitz que só terminaria quando localizassem dois revólveres em mãos dos detentos.
O plano foi executado com perfeição. Às seis da tarde, o telefonema para casa com voz grave, o encontro na estação do metrô, a pizza e a noite com a vizinha num hotel da rua Jaguaribe.
Na manhã seguinte, ao virar a esquina da cadeia, Jurandir viu que um colega corria em sua direção.
-Nem chega perto do portão. Tua mulher está lá fazendo um escândalo. Diz que ligou a noite inteira atrás de você, e ninguém te achou. Ela se recusa a ir embora enquanto você não aparecer. Pediu para falar com o diretor. Quer saber se você ficou mesmo de plantão por causa de dois revólveres.
Jurandir voltou na direção do metrô, sem idéia do que fazer. Parou no meio-fio desamparado, quando alguém gritou seu nome. Era o motorista de um camburão que chegava para buscar os presos com audiência no Fórum.
Nesse instante, teve uma idéia.
-Me leva pra dentro da cadeia, fechado no camburão. Depois explico.
Minutos mais tarde, o portão principal da cadeia se abria para que Jurandir saísse ao encontro da esposa, desconcertada.
-Oi, meu amor, disseram que você estava nervosa à minha espera. Eu fiquei preocupado. Algum problema?

[NOTA] Postei esta crônica do médio Drauzio Varella, depois que li, na FSP de hoje, a crônica do Contardo Calligaris. Creio que as duas crônicas se complementam e se completam. Pessoalmente, não gosto de santos, muito menos de moralistas. Aliás, eu não confio naqueles que se dizem santos, prefiro aqueles que se confessam pecadores e de seus pecados se arrependem ou se arrependem dos pecados que não cometeram.

Marcadores: , , , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 3/20/2008 10:39:00 PM | | | Voltar

       

14 de Março de 2008

Mundo árabe boicota Salão de Paris

Escolha de Israel como homenageado provoca saída de quatro países e editores de outros; direção do evento lamenta "politização"

Entidades de escritores árabes e palestinos, além de representações de Irã, Iêmen, Arábia Saudita e Líbano, rechaçam salão

ANA CAROLINA DANI -
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE PARIS
O Salão do Livro de Paris, um dos maiores eventos literários da Europa, será inaugurado hoje para o público sem a participação de diversos países e editores árabes, que protestam contra a escolha de Israel como convidado de honra.
A seleção de Israel no mesmo ano em que se comemoram os 60 anos da criação do Estado hebreu é vista, por parte do mundo árabe, como um apoio velado à política do premiê Ehud Olmert, principalmente às incursões israelenses em territórios palestinos.
Nas últimas semanas, as manifestações de protesto não pararam de aumentar, inclusive com vozes dissonantes mesmo entre intelectuais israelenses. A Isesco (Organização Islâmica para Educação, Ciências e Cultura) foi uma das primeiras entidades a se manifestar, pedindo publicamente aos seus 50 países membros que boicotassem o evento.
A União dos Escritores Palestinos e a União dos Escritores Árabes, com sede no Egito, também pediram às editoras que cancelassem os estandes no salão, que segue até a próxima quarta-feira.
Entre os países que se pronunciaram oficialmente, o Líbano, pedra angular da francofonia no mundo árabe, foi o primeiro a afirmar que não participaria do encontro em Paris, iniciativa seguida por Arábia Saudita, Iêmen e Irã. Editores de outros países, como Argélia, Marrocos e Tunísia, também cancelaram a presença.
Para o escritor e conselheiro cultural da Embaixada do Líbano em Paris, Abdallah Naaman, os escritores oficialmente convidados para representar a literatura israelense não representam o conjunto da população.
"Como explicar o fato de que todos os convidados escrevam em hebraico, quando sabemos que o árabe é muito presente no país, sem falar nos escritores que se exprimem em outros idiomas, como francês, russo e o inglês? A escolha do hebraico como única língua prova que uma parte importante da população é rejeitada", afirma ele.
Entre os organizadores, o sentimento é de surpresa. "Não é Israel que é convidado, mas sim a literatura israelense", diz o presidente do salão, Serges Eyrolles, que lamenta o que chama de "politização" do debate e insiste sobre a casualidade entre a participação de Israel e o aniversário de sua criação como Estado. "Tudo isso é uma grande coincidência. Eu mesmo só soube que neste ano se celebrava a criação de Israel em dezembro do ano passado."
Mas o argumento não convence todos. "O chamado campo da paz, formado por escritores como Amos Oz e Yehoshua e Grossman, é uma falácia. Eles não deram uma só palavra sobre os ataques recentes na Faixa de Gaza, que são uma forma de legitimação moral e cultural da política de Israel", diz Eric Hazan, um dos donos da La Fabrique, uma pequena editora francesa que publica obras traduzidas do hebraico e do árabe.

Marcadores: , , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 3/14/2008 07:33:00 PM | | | Voltar

       

28 de Fevereiro de 2008

Da infância à 'descida'

Além de fechar acordo trabalhista milionário com a Confederação Israelita Paulista, Henry Sobel quer agora transformar o episódio do furto das gravatas no impulso para a venda de sua biografia, "Um Homem Um Rabino". A Ediouro triplicou a tiragem inicial de 10 mil para 30 mil cópias. "Uma das personalidades mais complexas de nosso tempo", segundo o texto na contracapa, o rabino contará "com coragem e dignidade raras" desde a infância até o "episódio estranho" de sua detenção nos EUA -"uma descida aos infernos", segundo o livro. (Mônica Bergamo - FSP)


Ao longo de mais de trinta anos de trabalho na Congregação Israelita Paulista, Henry Sobel tornou-se a face mais conhecida da comunidade judaica brasileira. Sua influência, porém, estendeu-se para muito além dos limites do rabinato; a atuação como defensor dos direitos humanos, o empenho pelo diálogo inter-religioso e as posições políticas liberais o colocaram em constante evidência na história recente do país. Neste livro, Sobel recompõe toda a sua trajetória, da infância em Nova York às tensões pelas quais passou durante a ditadura militar no Brasil; dos dilemas da juventude aos recentes acontecimentos que o levaram aos noticiários e que acabaram por precipitar seu desligamento da CIP - uma descida aos infernos descrita com coragem e dignidade raras. Em suas memórias, Henry Sobel discute diferentes aspectos da doutrina judaica, revela episódios decisivos que testemunhou ou protagonizou, expõe suas contradições, dúvidas e temores. Mostra-se ao leitor como é - um líder religioso de extraordinário carisma, um homem de fé comprometido com os embates de seu tempo, um ser humano com a grandeza de reconhecer seus erros e acertos.

Publicação prevista para: 25/3/2008
Previsão de envio a partir de: 25/3/2008

Marcadores: , , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 2/28/2008 09:41:00 PM | | | Voltar

       

19 de Fevereiro de 2008

Organize a leitura para Fuvest e Unicamp

Folha de S. Paulo - 19/02/2008 - por Fernanda Calgaro e Luisa Alcantara E Silva
Faltam nove meses para a primeira fase da Fuvest 2009. Apesar de parecer muito tempo, o vestibulando deve começar o quanto antes a se debruçar sobre as nove obras cobradas nos vestibulares da Fuvest e da Unicamp, que, pelo terceiro ano consecutivo, mantiveram a mesma lista unificada. Com base na análise das provas dos últimos dois vestibulares, não há uma obra que mereça mais atenção do que outra, já que todas (ou quase todas) costumam ser cobradas. O objetivo de unificar as listas das duas universidades e repeti-las por três anos é, segundo Leandro Tessler, coordenador-executivo da Comvest, que organiza o vestibular da Unicamp, é fazer com que o candidato leia todas as obras. >> Leia mais

Marcadores: , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 2/19/2008 10:32:00 PM | | | Voltar

       

16 de Fevereiro de 2008

CARTA A D. - HISTORIA DE UM AMOR

Este é o último livro do filósofo francês André Gorz, escrito para homenagear sua mulher, Dorine, com quem partilhou a vida por quase sessenta anos. O casal cometeu suicIdio em 22 de setembro de 2007; os corpos foram encontrados um ao lado do outro, e um cartaz, na porta de sua casa, pedindo que a polícia fosse avisada. Gorz, discípulo de Sartre e co-fundador do 'Le Nouvel Observateur', era um crítico radical da mercantilização das relações sociais, contrário à crença no trabalho assalariado, além de ser autor de vários livros sobre ecologia. Desde o início da década de 90 vivia em retiro com a mulher, que sofria, há anos, de uma doença degenerativa. Os dois viveram uma grande história de amor e companheirismo, após terem se conhecido em Lausanne, numa noite de neve, em outubro de 1947. Desde então, nunca mais se separaram.

Eis como começa o livro, escrito em 2006.

Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinqüenta e dois anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher.

O parágrafo foi bastante lembrado no fim do ano passado, quando veio a notícia de André Gorz e sua mulher, Dorine, suicidaram-se. Ela sofria de uma doença degenerativa há muitos anos. Eles se conheceram em 1947.

Eu despi o seu corpo com cautela. Descobri, miraculosa coincidência do real com o imaginário, a Vênus de Milo tornada carne. O brilho nacarado do pescoço iluminava o seu rosto. Mudo, contemplei longamente esse milagre de vigor e de doçura.

Entra em discussão o tema do casamento.

Eu tinha objeções de princípio, ideológicas. Para mim o casamento era uma instituição burguesa; eu considerava que ele codificava juridicamente e socializava uma relação que, sendo de amor, ligava duas pessoas no que elas tinham de menos social [...] Eu dizia: “O que nos prova que, em dez ou vinte anos, nosso pacto para a vida inteira corresponderá ao desejo do que teremos nos tornado?”

A sua reposta era incontornável: “Se você se une a alguém para a vida inteira, os dois estão pondo em comum sua vida e deixarão de fazer o que divide ou contraria a união. A construção do casal é um projeto comum aos dois, e vocês nunca terminarão de confirmá-lo, de adaptá-lo e de reorientá-lo em função das situações que forem mudando. Nós seremos o que fizermos juntos”. Era quase Sartre.

Naturalmente, o segredo está no sentido que se atribui ao termo “adaptá-lo”. Sartre e Simone de Beauvoir construíram uma vida em comum que se “adaptou” aos inúmeros casos que ambos tiveram fora da relação. O problema começa quando há desacordo a respeito das formas com que cada um dos cônjuges concebe a “adaptação”. É muito provável que um dos lados “se adapte” mais do que o outro... (MARCELO COELHO)

CARTA A D. - HISTORIA DE UM AMOR

Marcadores: , , , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 2/16/2008 05:37:00 PM | | | Voltar

       

31 de Janeiro de 2008

'Devem estar contentes com o aumento das vendas'

Folha de S. Paulo - 29/01/2008 - por Mônica Bergamo
O escritor Paulo Coelho assumiu publicamente no dia 20, na Alemanha, que juntou trechos de edições piratas de seus livros e os disponibilizou no blog "Pirate Coelho". Por e-mail, ele falou à coluna. A colunista Mônica Bergamo perguntou: "O que seus editores acharam da sua atitude?" Paulo Coelho: "Não sei se vão gostar, mas, pelo menos, devem estar contentes com o aumento das vendas. Com relação à língua portuguesa, eu tenho o direito a fazer isso, porque a edição não cobre a plataforma de internet. Mas, com relação às outras línguas, estou impedido -já que as traduções pertencem às editoras. Portanto, tudo que eu fiz foi coletar aproximadamente 395 edições "piratas", e colocá-las em uma mesma página". >> Leia mais

Technorati Marcas:

Marcadores: , , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 1/31/2008 11:26:00 PM | | | Voltar

       

30 de Janeiro de 2008

Prêmio espanhol inicia processo de 2008

Folha de S. Paulo - 29/01/2008 - por EFE, em Oviedo (Espanha)
A Fundação Príncipe de Astúrias iniciou ontem (29/01) a divulgação pela internet e a distribuição por todo o mundo da convocação e do regulamento do prêmio internacional, que leva o nome do herdeiro da coroa espanhola. As candidaturas têm de ser apresentadas até o dia 14/03, exceto para os prêmios de Concórdia e Esportes, que terminam em 25/07. Os oito prêmios Príncipe de Astúrias - comunicação e humanidades, ciências sociais, artes, letras, pesquisa científica e técnica, cooperação internacional, concórdia e esportes - reconhecem o trabalho científico, técnico, cultural, social e humano realizado por pessoas, equipes ou instituições no âmbito internacional. Cada um dos vencedores ganhará cerca de US$ 73,5 mil (R$ 130,7 mil) e uma escultura do artista Joan Miró. >> Leia mais

Marcadores: , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 1/30/2008 01:30:00 PM | | | Voltar

       

13 de Janeiro de 2008

'Reparação' tem bênção de seu autor

Folha de S. Paulo - 10/01/2008 - por Eduardo Simões
Baseado em Reparação (Companhia das Letras, 2002), romance do escritor inglês Ian McEwan finalista do Booker Prize 2001, o mais prestigioso prêmio literário britânico, o filme "Desejo e Reparação" é o campeão de indicações ao Globo de Ouro (sete), feito que pode repetir no Oscar, que anuncia os concorrentes no dia 22. Segundo longa de Joe Wright ("Orgulho e Preconceito"), o longa, que estréia amanhã (11/01) no Brasil, custou US$ 30 milhões (R$ 53 milhões) e é a narrativa de como uma sucessão de mal-entendidos, seguidos de mentiras, podem ser tão devastadores quanto a guerra, pano de fundo desta história de amor. >> Leia mais

Marcadores: , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 1/13/2008 09:05:00 PM | | | Voltar


Os livros do futuro


Folha de S. Paulo - 11/01/2008 - por Nelson Motta
É um livro? É um site? É um livro virtual! Talvez por sua origem gutemberguiana, a indústria do livro está demorando a descobrir e a usar os recursos digitais que estão à sua disposição. E que são o complemento ideal para vários gêneros literários. Melhor do que ler uma boa biografia é ler a história de um Picasso - e ver num site todos os seus quadros, esculturas e fotos de seus modelos e cenários. Se tudo isso fosse impresso, seria inacessível, em volume e preço. Com o site, é acessível e grátis para todos, um complemento da edição impressa. Como fazem as revistas e jornais. Melhor do que ler a biografia de um Cole Porter é também ouvir as suas músicas, ver suas fotos e vídeos. Ou a vida de Orson Welles, com seus roteiros e trechos de seus filmes. >> Leia mais

Marcadores:

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 1/13/2008 08:37:00 PM | | | Voltar

       

17 de Dezembro de 2007

Não posso e não devo me calar

Folha de S. Paulo - 17/12/2007 - por Paulo Cesar de Araújo
É lamentável que Roberto Carlos tenha entrado na Justiça sem ao menos ter lido a sua biografia, Roberto Carlos em detalhes. "Fizemos um resumo para ele", confessa o advogado Marco Antônio Campos. Se o resumo que o advogado fez ao cantor foi o mesmo que está na queixa-crime e propaga em entrevistas, está finalmente explicado por que Roberto Carlos ficou tão furioso com um livro que engrandece a sua vida e a sua arte. E agora também finalmente sabemos a que ele estava se referindo quando, na primeira manifestação contra o livro, disse em entrevista coletiva que nele haveria "coisas não verdadeiras". Ou seja, diante de toda a imprensa brasileira, um dos maiores artistas do país desqualifica o trabalho de um profissional apenas baseado num resumo adulterado que lhe foi fornecido por colaboradores. >> Leia mais

Marcadores: , , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 12/17/2007 07:54:00 PM | | | Voltar

       

19 de Novembro de 2007

Irã proíbe livro de Gabriel García Márquez

Folha Online - 14/11/2007
Autoridades iranianas proibiram a publicação da segunda edição em farsi do livro Memória de minhas putas tristes, do escritor colombiano Gabriel García Márquez, informou no dia 14/11 a editora iraniana Nilufar. A obra havia sido publicada pela primeira vez no Irã há três semanas, mas as autoridades não permitiram sua reedição. Uma fonte do Ministério de Orientação Islâmica iraniano disse que o livro foi publicado pela primeira vez por causa da "negligência" de uma pessoa que já foi demitida de seu cargo. Segundo a fonte, a editora também terá que assumir sua responsabilidade pela difusão do livro, classificado como "vergonhoso" pelo governo. Na versão iraniana, a palavra "prostituta" havia sido substituída por "minha bela". >> Leia mais

Marcadores: ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 11/19/2007 09:49:00 PM | | | Voltar

       

15 de Novembro de 2007

Depois do 'pede prá sair' do Cap. Nascimento, o real 'Por que não te calas?'

É a velha história: quem fala o que quer ouve o que não quer. O nosso peculiar Hugo Chávez desandou a chamar de "fascista" o ex-premiê da Espanha José María Aznar, quando o sucessor de Aznar, José Luiz Zapatero, e o rei Juan Carlos tomaram as dores. Pronto, foi um fuzuê!

"Por que não te calas?", rosnou o rei, apesar de ter sido sempre tão afável, numa imagem e numa fala que rodaram o mundo e dividiram opiniões. Não sem muitas gargalhadas, cá entre nós.

A primeira reação foi contra Chávez, que fala demais e não tem papas na língua. Chama George W. Bush de "Diabo" em plena Nova York, classifica Aznar de "fascista" diante do rei e agora acusa o próprio rei de "prepotente e desrespeitoso". Sem contar os impropérios que já despejou contra o Congresso brasileiro, que está votando justamente se apóia ou não a entrada da Venezuela no Mercosul. Ousado, esse Chávez. ++++

O cala-boca do rei da Espanha pode não ter sido lá muito diplomático, nem adequado à solenidade intrínseca à realeza, mas traduz uma advertência que vem de dentro da Venezuela para fora, no mundo. Chávez deveria refletir sobre ela, se é que ele é mesmo capaz de refletir além do seu próprio umbigo.  (Eliane Cantanhêde) + + + +

Marcadores:

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 11/15/2007 11:12:00 AM | | | Voltar

       

13 de Novembro de 2007

Todos os segredos

Folha de S. Paulo - 12/11/2007 - por Mônica Bergamo
O rabino Henry Sobel vai dedicar um capítulo de seu livro a Lula e Fernando Henrique Cardoso. E outro ao que chama de "dinâmica da política da comunidade judaica no Brasil". "Vou contar todos os segredos", diz Sobel para a coluna de Mônica Bergamo. "Não sei se vai vender. Mas garanto que a leitura será muito interessante". >> Leia mais

Marcadores: ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 11/13/2007 07:15:00 PM | | | Voltar

       

12 de Novembro de 2007

Jessica e Rogéria

SÃO PAULO - A semana foi do petróleo, mas duas fotos chamaram atenção: 1. A do travesti Rogéria seminu (ou seminua, como queiram), o que provocou o cancelamento da exposição do fotógrafo Luiz Garrido no Salão Negro da Câmara; 2. A da garota Jessica, presa com outros oito jovens da zona Sul carioca, acusados de formar uma quadrilha de "elite" de traficantes de ecstasy.
São imagens distintas e histórias de relevância desigual, mas juntas dizem algo sobre o "zeitgeist" (o espírito do tempo) do Brasil atual.
Invocou-se na Câmara, para censurar o retrato de Rogéria, o dever de preservar a criança e o adolescente de "tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor". Ora, aplicada a lei, a maioria dos ilustres congressistas estaria vetada para visitação, de crianças ou de marmanjos.
A foto de Rogéria sugere uma irreverência quase "naïve", nada tem de chocante ou vexatório e exibe de modo discreto parte daqueles pêlos que, como canta Chico Buarque, só a bailarina que não tem.
O excesso de moralismo ocupa o lugar da falta de moralidade. É o caso de parafrasear Theodor Adorno: o Congresso é permissivo no trato da verba pública e pudico com os costumes; o contrário seria melhor.
O estatuto do adolescente não vale mais para Jessica, 18 anos. Todos os grandes jornais a estamparam algemada, inclusive a Folha. "A bela do tráfico", carimbou um deles.
A mídia alimenta e satisfaz as perversões consentidas pela "sociedade do espetáculo". E, ao expor -aí sim- a garota a abusos de tratamento violento e desumano, ainda ajuda a criar a ilusão de que a lei é igual para todos. Não é. Pobre ou preta, Jessica teria direito às algemas, não à foto na capa: estaria no porão, sob os cuidados de praxe da polícia. O caso e sua cobertura pela mídia são sintoma de regressão social, nunca de avanço democrático.
A proibição de uma imagem e a hiperexposição da outra traduzem um momento do país. E vem referendar as taras conservadoras dos "homens de bem". (Fernando de Barros e Silva na FSP)

Marcadores: , , , , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 11/12/2007 08:35:00 PM | | | Voltar

       

11 de Novembro de 2007

GEORGE CLOONEY, em entrevista, manifesta contra o genocídio em Danfur

"As pessoas olham para nós, americanos, como se fôssemos brutos. E é verdade. Mas somos inteligentes o suficiente para corrigir os erros". (George Clooney)

George Clooney é um caso especial entre as celebridades de Hollywood. O astro de 46 anos do recém-lançado "Michael Clayton" (que chega ao Brasil em 30 de novembro) e diretor do ainda inédito "Leatherheads", comédia de época sobre o futebol americano, diz que teria preferido trabalhar nos anos 70, quando as posições políticas dos atores precediam suas carreiras.
Clooney pode não viver nessa era, mas sua influência, tanto artística quanto política, é inegável. O advogado que ele representa em "Michael Clayton" -um agente que combate uma multinacional que atua por métodos escusos- ilustra bem suas paixões políticas.
O astro de "Syriana" e "Onze Homens e um Segredo" optou por criticar o presidente George W. Bush e a guerra no Iraque e manifestar-se contra o genocídio em Darfur. "Sou inspirado pela urgência e importância e não quero me proteger -isso seria o pior de tudo", afirma. Leia entrevista na Folha de São Paulo, só para assinantes.

Marcadores: , , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 11/11/2007 09:16:00 PM | | | Voltar


O judeu é mais inteligente?, por Gilberto Dimenstein

Em entrevista à Folha de São Paulo, o cientista político norte-americano Charles Murray disse que a genética seria uma das explicações para a suposta inteligência superior dos judeus. Será?

Na condição de judeu, não acredito nessa influência genética. Não é só porque, para mim, superioridade genética e barbárie se confundem na história. Mas, como alguém que trabalha com educação, acredito que exista uma cultura específica que ajude na projeção de um povo que, apesar de ter apenas 12 milhões de pessoas, tem 25% dos ganhadores do “Prêmio Nobel”.

O que existe entre judeus (e não só entre eles) é uma reverência obsessiva pelo conhecimento, que vem de gerações. É o chamado “Povo do livro”. O rabino, a pessoa mais importante da comunidade religiosa, não tem força por ser um intermediário com Deus, mas por ser um intérprete das leis, ou seja, um intelectual. Livros sagrados são feitos de perguntas.

O ritual iniciatório do judeu não é matar um guerreiro ou passar por privações. Mas é ler um livro (a Torá). Ou seja, se quiser virar adulto terá de saber ler em pelo menos uma língua. O analfabetismo sempre foi muito baixo entre os judeus, o que assegurou uma rede de escolas.

A educação não é vista como uma responsabilidade apenas da escola. Mas, em primeiro lugar, da família e, depois, da comunidade. Educa-se em casa, na sinagoga e também na escola. Aprende-se, portanto, todo o tempo e em todos os lugares.

Como o judeu é o povo por mais tempo perseguido da história da humanidade, desenvolveu-se a sensação do desafio permanente. Isso se traduz na idéia de que o estudo é a melhor defesa - e também a coisa mais segura para ser carregada [Tenho esta certeza].

Nessa junção dos capitais humano e social, tem-se a receita não do desempenho intelectual de um povo, mas da força divina da educação, replicável por qualquer agrupamento humano. [Publicado na Folha de São Paulo]

Gilberto Dimenstein membro do Conselho Editorial da
Folha de São Paulo e criador da ONG “Cidade Escola Aprendiz”

Marcadores: , , , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 11/11/2007 08:23:00 PM | | | Voltar

       

7 de Novembro de 2007

PF prende cinco acusados de cobrar propina no MinC

Folha de S. Paulo - 07/11/2007 - por Andréa Michael
A Polícia Federal prendeu ontem (06/11), em Brasília, quatro empresários e uma servidora pública acusados de montar um esquema de cobrança de propina para garantir a aprovação, no Ministério da Cultura, de projetos com incentivos fiscais previstos na Lei Rouanet. Eles responderão por corrupção passiva e ativa e formação de quadrilha (pena total de até 15 anos de prisão, se condenados). Pela investigação, o grupo atua há pelo menos um ano. O teor de escutas telefônicas feitas pela PF indica que as pessoas presas atuaram no interesse de ao menos 20 projetos que tramitaram ou tramitam na Cultura, atrás de financiamento pela Lei Rouanet, que garante ao investidor abater o valor destinado aos projetos (até 4% do Imposto de Renda devido). >> Leia mais

Marcadores: , ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 11/07/2007 07:51:00 PM | | | Voltar

       

4 de Novembro de 2007

Editora plagiou traduções de clássicos

Editora Martin Claret publicou "Os Irmãos Karamazov" e "A República", entre outros, com cópias de traduções alheias

Com cerca de 500 livros de bolso no catálogo, empresa fundada na década de 70 negocia venda de 75% de suas ações para a Objetiva


LUIZ FERNANDO VIANNA - DA SUCURSAL DO RIO
Em negociação para ter 75% de suas ações compradas pela Objetiva, braço brasileiro do poderoso grupo espanhol Santillana/Prisa, a Martin Claret é uma editora que já plagiou traduções. Os nomes dos verdadeiros tradutores foram omitidos e seus direitos, violados.
Criada nos anos 70, em São Paulo, pelo gaúcho Martin Claret, a empresa tem em seu catálogo cerca de 500 títulos de domínio público (de escritores mortos há mais de 70 anos) publicados em formato de bolso (preços de R$ 10,50 a R$ 18,90). Quatro casos de plágio estão confirmados: edições de "Os Irmãos Karamazov", "A República", "As Flores do Mal" e de três novelas de Franz Kafka reunidas num único volume-"A Metamorfose", "Um Artista da Fome" e "Carta a Meu Pai".
Lançada em 2003, a edição de "Os Irmãos Karamazov", de Fiodor Dostoievski (1821-1881), tem como tradutor um certo Alexandre Boris Popov, que não consta entre os poucos nomes que costumam passar obras do russo para o português. Na verdade, é cópia da tradução concluída em 1944 por Boris Schnaiderman para a extinta editora Vecchi. + + + + + +

Marcadores: ,

Primeira Página
Link permanente  - publicado por VerdesTrigos @ 11/04/2007 02:27:00 PM | | | Voltar

       

3 de Novembro de 2007