Orientada pelo Prof. Dr. Sadao Omote, Mara Peixoto defendeu tese para obtenção do título de doutora em educação, no dia 28 de fevereiro de 2008, no anfiteatro I,da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista, Campus de Marília
Título da Tese: INCLUSÃO ESCOLAR E GÊNERO: O AMBIENTE ESCOLAR COMO FATOR DE INFLUÊNCIA NO CURRÍCULO SOCIAL E ACADÊMICO DOS ALUNOS DAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL.
RESUMO
Nesta tese, verificamos o desempenho escolar dos alunos nas séries iniciais do Ensino Fundamental, as ocorrências de episódios escolares registrados no Livro Negro, a percepção e concepção dos atores da escola sobre o desenvolvimento, comportamento e desempenho escolar dos alunos. Também observamos a atuação do professor em sala de aula e, separadamente, o aluno durante as aulas e no recreio. Iniciamos a elaboração dos protocolos de coleta de dados com uma filmagem do ambiente escolar. Filmamos nos períodos manhã e tarde as diversas situações dos alunos, professores, funcionários e direção de uma escola estadual e outra particular. Dessa filmagem retiramos categorias de eventos significativos. Essas constituíram o instrumento de observação do professor e do aluno. Para conhecer a concepção dos profissionais a respeito dos alunos, buscamos a visão de BOM ALUNO e MAU ALUNO entre profissionais atuantes na região de Marília. O resultado ofereceu os itens do check-list, nas formas masculino e feminino, aplicado aos profissionais participantes da pesquisa. Para verificar o desempenho escolar dos alunos da rede municipal, realizamos uma pesquisa documental. As provas do SARESP/2005 nos forneceram o desempenho dos alunos da rede estadual. Obtivemos os dados do Livro Negro por transcrição integral dos registros das escolas. Analisamos os dados coletados em busca de subsídios para verificarmos a possibilidade da influência de questões de gênero no processo de ensino e aprendizagem do aluno. Apuramos que o gênero masculino está em defasagem, comparado ao gênero feminino. Embora a distribuição dos alunos sem registro no Livro Negro tenha revelado que tanto meninos quanto meninas possuem valores percentuais semelhantes (49% e 51%, respectivamente), a análise da distribuição segundo o gênero revelou um percentual maior de alunos do gênero masculino com registro no Livro Negro (71%) do que o de meninas (29%). A aplicação do X² indicou-nos que de fato houve diferença quanto ao gênero (p < 0,0001). Durante a observação do professor, o número de meninos e meninas aproximou-se de 50% para cada gênero. Embora as ações do professor devessem ser semelhantes para ambos, isso não ocorreu na realidade investigada. Apuramos uma ligeira tendência do professor de direcionar aos meninos ações mais restritivas do que às meninas. Na observação do aluno, apuramos que as ações apresentadas pelos meninos apontavam que eles são mais ativos, agitados mostram mais iniciativa que as meninas. Constatamos a tendência dos profissionais da escola para avaliar negativamente os meninos e positivamente as meninas. Apuramos uma diferença nos estereótipos apontados pelos profissionais das escolas estaduais e municipais. A tendência para estereotipar ou não os alunos de acordo com o gênero mostrou a influência exercida por esse comportamento no ambiente escolar. Concluímos que para melhorar o desempenho social e acadêmico dos alunos, a escola carece de olhar mais acuradamente as questões de concepção de gênero. Por meio de comportamentos oriundos das idéias preconcebidas sobre os fatores de gênero no ambiente escolar, a escola perde a oportunidade de cumprir com seu papel de incentivar a prática da inclusão de meninos e meninas na escola e entre si mesmos.
PALAVRAS-CHAVE: Ambiente Escolar - Ensino Fundamental - Gênero - Inclusão Escolar - Políticas Públicas.
Marcadores: bibliotecas, ciência, cultura, Presidente_Prudente, sociedade