Entrevista: Henrique Chagas fala à comunidade judaica, no Papo em Comunidade
Shalom! Quer dica de bons livros? Que tal um passeio entre Verdes Trigos...
No Papo de hoje Henrique Chagas!
PIT - Olá Henrique, bem vindo ao Papo em Comunidade!
HC - É uma honra me apresentar à comunidade judaica, e de falar sobre literatura e sobre o site Verdes Trigos neste seu precioso espaço. Obrigado pela oportunidade que me concede.
PIT - Você é advogado, mas se dedica à literatura. Como se deu este interesse?
HC - Muito antes de me tornar advogado já tinha vontade de ser escritor. Na verdade sempre tive interesse pela leitura. Cresci vendo meu pai ler, ele lia muito e de tudo, tive o privilégio de aprender a ler com ele. Ensinou-me que somente o conhecimento poderia dar-nos um destino e uma vida melhor. Ainda adolescente, minhas veias literárias já saltavam através de poemas, de crônicas e de um pequeno romance inacabado. Para mim o livro mantém uma carga simbólica enorme. Foram os livros que despertaram em mim, ainda estudante, o desejo vulcânico de mudar o mundo sem armas, apenas com palavras, com letras e rimas, mesmo arriscando às atrozes conseqüências advindas do regime daqueles anos de chumbo. Queria mudar o mundo com uma prosa diferente, com palavras transformadoras, que alterassem o rumo das coisas. Por isso, independentemente da profissão que exerço o livro e a literatura tem lugar especial no meu viver.
PIT - Há muito tempo você criou o site Verdes Trigos. O que te levou a criá-lo?
HC - Foi em novembro de 1998, quando os blógues ainda não existiam. Imaginava escrever um livro “on line” com a participação do leitor, todavia desisti da idéia, pois o processo de criação é algo solitário. O que eu pretendia era escancarar o processo criativo com a interação dos leitores. Sequer existiam os conceitos da web 2.0, mas surgia, ali, um embrião do blógue, com meus comentários sobre os livros que lia e que davam fundamentação ao meu pensar. Preferi continuar o livro off line e dei seguimento à publicação de resenhas e ensaios literários. Assim nasceu o site Verdes Trigos.
PIT - Por que o nome Verdes Trigos?
HC - O escritor israelense Amós Oz afirmou que costuma, às manhãs, caminhar pelo deserto para captar suas vozes. Diz ele que as vozes do deserto são regalos para a sua escrita. Faz sentido porque desde menino eu ouço as vozes do vento, aprecio dias de ventania, pois o vento carrega com ele o som do primeiro dia da existência. Aquele mesmo vento, após bilhões de anos, ainda ecoa sobre nós. Desde pequeno aprendi a ouvir a voz do vento, quando criança passava horas admirando o balançar das espigas do trigo e captando o ruach criador. Diz o texto sagrado que, após a criação do mundo, o vento do Senhor pairava sobre as águas; é este o vento que me inspira a escrever.
Ao dar nome ao meu site cultural e literário, busquei inspiração no vento que balança as espigas do trigo, uma cena que carrego comigo. Como aprecio a arte de Van Gogh, associei a sua arte aos verdes trigos da minha infância, e à marca Verdes Trigos atribui conceito filosófico, que representa a esperança de um mundo melhor, que se conquista pela solidariedade, tolerância e pelo repartir do conhecimento. PIT - Qual a sua relação com o Judaísmo?
Câmara Municipal de Presidente Prudente congratula Verdes Trigos
Por requerimento apresentado pela re-eleita Vereadora Alba Lucena, a Câmara Municipal de Presidente Prudente, em sessão ordinária do dia 10 de novembro de 2008 aprovou votos de congratulações ao site cultural Verdes Trigos, que completou 10 anos de existência. Fica registrado nossos sinceros agradecimentos aos nobres edis, em especial à nobre Vereadora, desejando-lhe um novo e excelente quadriênio.
Mário Persona fala de Verdes Trigos, de livros, de leitura, em homenagem aos 10 anos do Portal Verdes Trigos. Obrigado Mário pelo rico e maravilhoso depoimento que motiva a continuar por mais décadas em prol da cultura, da literatura e do hábito da leitura.
Verdes Trigos 10 anos, depoimentos de Vicentini Gomez e Nanete Neves
Surpreso, emocionado, feliz e agradecido pelos depoimentos destes feras da cultura brasileira: do cineasta e ator Vicentini Gomez e da jornalista e escritora Nanete Neves.
"VerdesTrigos foi criada em 11/11/1998, numa noite de rara inspiração. Queria naquela época escrever um livro on line. Naquele tempo não havia ainda os blógues, mas eu imaginava escrever um livro com a participação do leitor, uma inusitada experiência que, tempos depois, Mário Prata realizou. Penso que o processo de criação é algo solitário, sem dar muita explicação, e o que eu pretendia fazer on line era escancarar o processo criativo. Gosto de estudar o processo criativo dos grandes autores, como Guimarães Rosa, Graciliano Ramos ou Machado de Assis, com todos os seus rabiscos, cortes, correções, trocas de títulos ou subtítulos.
Pretendia, então, também fazê-lo, mas em tempo real, onde os internautas pudessem acompanhar a criação e nela interferir através de comentários, críticas ou sugestões. Surgia, então, um embrião dos propagados blógues. Logo, no inicio, além de escrever o livro propriamente dito, comecei a comentar os livros e artigos que lia e que davam fundamentação ou serviam de inspiração ao livro. Muito interessante, todavia, o processo criativo ficou totalmente obsceno, escancarado. Preferi continuar o livro na solidão do quarto, na sua penumbra. Entretanto, dei seguimento à publicação de resenhas e ensaios literários.
Assim nasceu Verdes Trigos. Mais do que uma atitude, Verdes Trigos é também uma idéia e um conceito filosófico, onde procuro cultivar a esperança num mundo melhor, que se passa pela leitura, pelo estudo e pela dedicação a estes bens imateriais que produzimos e consumimos". (Henrique Chagas)
[NOTA] "Agradeço de coração todos os que nestes 10 anos nos acompanham, nos ajudam e não nos deixam desanimar. Os e-mails recebidos, com mensagens de estímulo e apoio, as críticas e comentários construtivos, nos estimulam a continuar sempre. Meu abraço especial aos fiéis colaboradores, aos amigos que nos ajudam com textos, notas, scripts de programação, layout, design, css e imagens photoshopadas. Por tudo e a todos, meus sinceros agradecimentos. Em especialíssimo, meus agradecimentos àquela que me compreende e me divide com o VerdesTrigos. Alessandra, desde o inicio, me apóia e me ajuda, e à ela minha especial gratidão".
UPGRADE => "Meus agradecimentos especiais a todos que nesta data me felicitam pelo VerdesTrigos, que hoje completa dez anos. Nenhuma palavra exprimirá o que meu coração sente: alegria, felicidade e satisfação por ver a marca consolidada, ao mesmo tempo, maior é a responsabilidade que se adquire. Obrigado a todos" Henrique Chagas.
Dia 11/11/2008, Verdes Trigos completará 10 anos on line
No próximo dia 11 de novembro, Verdes Trigos, o portal literário mantido pelo escritor Henrique Chagascompletará uma década de existência on line. Desde 1998 Verdes Trigos vem conquistando a fidelidade dos apaixonados por livros e por cultura, e, tem tido uma média de 5.000 visitas/dia. Todos os dias, o sítio oferece informações atualizadas sobre literatura e cultura em geral. “Nos verdejantes campos de trigo, o internauta tem acesso a resenhas de livros, críticas literárias e crônicas escritas por diversos autores, além de uma manancial de informações culturais”, explica Henrique.
“Depois de 10 anos na rede, hoje tenho inúmeros amigos escritores ou jornalistas que resenham livros, encaminham crônicas, contos ou ensaios para publicação, poupando-me de um árduo trabalho. Na verdade, faço um jornalismo cultural e de divulgação literária. Todos os dias chegam livros para divulgar no sítio, encaminhado tanto pelas editoras quanto pelos seus autores. Claro que é excelente receber livros, o maior presente que eu poderia receber. Bons livros devem ser divulgados e a leitura incentivada sempre”, conclui Henrique.
Neste dia 11 de novembro, Verdes Trigos, o portal literário mantido pelo escritor prudentino Henrique Chagas completa 10 anos de existência. Desde 1998 Verdes Trigos vem conquistando a fidelidade dos apaixonados por livros e por cultura, de todo País. O site oferece informações atualizadas sobre literatura e cultura em geral, resenhas de livros, críticas e crônicas.
Hoje, no Jornal O Imparcial, de Presidente Prudente, o jornalista SINOMAR CARMONA fez referencias elogiosas ao VerdesTrigos e aos 10 anos que comemoramos no próximo dia 11/11. Obrigado SINOMAR; sou lhe muito grato pelo apoio que sempre nos tem dado. Obrigado.
Dia 11/11/2008, Verdes Trigos completará 10 anos on line
No próximo dia 11 de novembro, Verdes Trigos, o portal literário mantido pelo escritor Henrique Chagascompletará uma década de existência on line. Desde 1998 Verdes Trigos vem conquistando a fidelidade dos apaixonados por livros e por cultura, e, tem tido uma média de 5.000 visitas/dia. Todos os dias, o sítio oferece informações atualizadas sobre literatura e cultura em geral. “Nos verdejantes campos de trigo, o internauta tem acesso a resenhas de livros, críticas literárias e crônicas escritas por diversos autores, além de uma manancial de informações culturais”, explica Henrique.
“Depois de 10 anos na rede, hoje tenho inúmeros amigos escritores ou jornalistas que resenham livros, encaminham crônicas, contos ou ensaios para publicação, poupando-me de um árduo trabalho. Na verdade, faço um jornalismo cultural e de divulgação literária. Todos os dias chegam livros para divulgar no sítio, encaminhado tanto pelas editoras quanto pelos seus autores. Claro que é excelente receber livros, o maior presente que eu poderia receber. Bons livros devem ser divulgados e a leitura incentivada sempre”, conclui Henrique.
O XV Congresso Internacional do Trigo – Brasil de 2008 será realizado na simpática e acolhedora cidade de Curitiba, onde esperamos contar com a presença de um grande número de participantes deste tradicional evento. Este ano, o tema do encontro será a “INTEGRAÇÃO DA CADEIA PRODUTIVA DO TRIGO”, ou seja, uma melhor parceria e entrosamento entre os diferentes elos desta importante cadeia produtiva, de modo a aumentar eficiência na produção e a qualidade dos produtos, em benefício dos produtores e consumidores brasileiros. Como tradicionalmente acontece, teremos uma “Feira de Negócios”, com a participação de fornecedores industriais e exposição de novos equipamentos, insumos e tecnologia de interesse do setor. O programa começa no Domingo, dia 19 de outubro de 2008, com o credenciamento dos participantes. Em seguida haverá a cerimônia de abertura, com a palestra do Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. Por fim, o jantar de gala contará com o pronunciamento do Governador do Estado do Paraná, Roberto Requião. O encerramento do evento dar-se-á no dia 21 (terça-feira) à tarde, após a Reunião do Conselho Deliberativo da ABITRIGO. Nos dias 20 e 21 haverá vários painéis com a participação de ministros do Governo Federal, Secretários de Estado, altos funcionários dos ministérios da Agricultura, Indústria e do Comércio, conferencistas internacionais e as mais expressivas lideranças empresarias do setor. Aos Associados, Colaboradores, Produtores, Cooperativas, Parceiros, Fornecedores, todos enfim que participam da cadeia do trigo, do agricultor até o distribuidor de produtos acabados, os nossos votos de boas vindas.
Atenciosamente.
Associação Brasileira da Indústria do Trigo – ABITRIGO Informações no site: www.abitrigo.com.br ou pelo telefone: (11) 3078-9001
Quando se inicia um novo Rosh Hashaná, transmitimos à comunidade judaica nossa certeza que todos manterão inabaláveis as convicções que herdaram de seus ancestrais. Que a Fé em D'eus e sob sua benção possamos ter um Ano Novo tranqüilo, repleto de amor e especialmente de PAZ.
Netafim Brasil vence licitação para irrigar frutas no Ceará
Investimento avaliado em R$ 21 milhões será destinado aos projetos de Irrigação Baixo Acaraú e Tabuleiro de Russas. A Netafim Brasil, empresa de tecnologia israelense de irrigação com fábrica no Brasil,venceu uma licitação junto ao DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contras as Secas) para o fornecimento de equipamentos para irrigação de frutas no Estado do Ceará, no nordeste brasileiro. O investimento, avaliado em R$ 21 milhões, será destinado aos projetos de Irrigação Baixo Acaraú (localizado nos municípios de Marco, Bela Cruz e Acaraú) e Tabuleiro de Russas (localizado nos municípios de Limoeiro do Norte, Russas e Morada Nova).
Serão irrigados através do sistema de gotejamento mais de 1.000 hectares (divididos em lotes de 4 a 8 hectares). “A iniciativa vai promover o uso racional da água e a alta produtividade, além de proporcionar mais oportunidades de negócios e geração de emprego e renda. É o governo brasileiro utilizando a mais alta tecnologia para transformar o semi-árido brasileiro em um dos maiores pólos exportadores de frutas do mundo”, destaca Marcelo Artel, gerente de vendas da Netafim Brasil. Em seus 40 anos de existência, a Netafim vem mantendo o compromisso com a atualização tecnológica aliada à preservação ambiental. Pioneira na criação e desenvolvimento da tecnologia de irrigação localizada e líder no setor, a multinacional israelense produz e instala sistemas completos de irrigação por gotejamento e aspersão.
Dentre os sistemas de irrigação existentes hoje, o gotejamento é o mais eficiente no uso da água, adaptando-se a diversas culturas e a qualquer condição topográfica. Por estas razões, somado ao ganho de produtividade, é a tecnologia que mais vem crescendo nos últimos anos na agricultura brasileira. Trata-se de um moderno sistema em que a água é aplicada diretamente no solo próximo ao sistema radicular das plantas e que permite a fertirrigação. Sua criação é atribuída ao engenheiro israelense Simcha Blass, que juntamente com seu filho Yeshayahu, criou a Netafim em 1959. Com cerca de 2400 trabalhadores, a empresa opera hoje em mais de 110 países através de 32 subsidiárias e treze fábricas que utilizam a mesma tecnologia e prestam os mesmos serviços. São quatro centros de produção, Kibutz Hatzerim, Magal, Yaftach e Eilat e ainda outras fábricas nos E.U.A., Austrália, África do Sul, Brasil, China e Índia. No Brasil, a Netafim está presente desde 1994 e vem registrando um crescimento acelerado nos últimos 3 anos.
Seu parque fabril está instalado em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A empresa possui atuação nas diversas regiões do país, executando projetos com diferentes graus de complexidade, fornecendo produtos e sistemas de irrigação localizada para as mais diversas culturas, o que mantém sua liderança e referência no mercado. Com profissionais de alta capacidade técnica e uma política contínua de busca de qualidade e aprimoramento, a Netafim produz sempre a solução mais adequada para irrigação,proporcionando mais competitividade à produção agrícola. Os projetos são personalizados e desenvolvidos em software específico, levando-se em consideração as necessidades das culturas, condições topográficas, tipo de solo, qualidade e quantidade disponível de água, entre outras características fundamentais para a obtenção de resultados positivos com o sistema. (CAMBICI)
Do vento criador que pairou sobre as águas ao olhar mastigado, por Henrique Chagas
Acordei cedo, ainda estava na cama quando desejei caminhar pelo deserto, como faz diariamente o escritor Amós Oz, apenas para captar as vozes. Diz ele que as vozes do deserto são pratos regalados para a sua escrita. Gostaria, mas eu não ouço as vozes do deserto, nunca as ouvi, mas procuro ouvir as vozes do vento, aprecio dias de ventania, pois o vento carrega com ele o som do primeiro dia da existência. Procuro ouvir aquele vento que pairou sobre as águas no momento da criação do mundo. Aquele mesmo vento, após bilhões de anos, ainda ecoa sobre nós. O seu uivo, embora quase inaudível, é captado apenas pelos treinados a identificá-lo. Nem é preciso ter bom ouvido, basta ter capacidade suficiente para separá-lo do barulho infernal produzido pelo ser humano. Desde pequeno aprendi a ouvir a voz do vento, quando criança passava horas admirando o balançar das espigas do trigo e captando o ruach criador. Diz o texto sagrado que, após a criação do mundo, o vento do Senhor pairava sobre as águas; é este o vento que me inspira a escrever. Não é sempre que a minha lua está na casa três, mas creio que tenha sido predestinado a escrever, ao menos a contar algumas histórias. Quando não posso dizê-las, eu as escrevo; mas também não é fácil escrevê-las na forma que deveriam ser ditas. Primeiro, eu rascunho as idéias, depois, eu mastigo com o olhar cada palavra colocada, seja no papel, no computador ou mesmo na memória. Sinto que as palavras também mastigam o meu olhar; com o olhar mastigado, extraio das idéias rascunhadas a forma que desejo escrever para contar a minha história, o meu segredo, o meu rastro de existência ou ao menos a sombra do meu olhar sobre o mundo. Tenho comigo que de uma única palavra dita, por quem quer que seja, poder-se-á movimentar um turbilhão de idéias. Creio que se trata da força do vento criador, aquele mesmo vento, que procuro distinguir nos dias de ventania. Adoro os dias de agosto, pois venta muito. Ouvir o vento é tão importante quanto mastigar as palavras com o olhar. No leito de um centro cirúrgico, a enfermeira teve dificuldades em apanhar uma determinada veia do Ignácio Loyola Brandão, acometido por um aneurisma cerebral; ela lhe disse que estava diante de uma veia bailarina, pois sua veia dançava sob sua pele fugindo da agulha. Desta simples expressão, fez dela um livro. Mas a veia bailarina tratada no livro não é a veia fugidia, mas aquela que dançava em seu cérebro prestes a explodir feito uma bomba relógio. Bem mastigada a expressão, deu sentido à reflexão que trouxe em seu livro. Como no exemplo da veia bailarina, cada palavra depois de mastigada traduz a realidade do autor, da sua verdade, do seu mundo. Toda palavra dita é sagrada; merece ser reverenciada, mesmo que por um olhar mastigado, pois por detrás das palavras existe um mundo real, um mundo imaginário, um mundo futuro e um mundo que iniciou há bilhões de anos pela força do vento criador, aquele que pairou sobre as águas e que eu procuro ouvir seu eco para escrever minha história.
Nasci numa segunda-feira, alguns dias após a morte de Albert Camus, o existencialista argelino. Eu sequer tinha nome para o batismo. Ainda nascituro, tia Porcina persuadiu por meses para que eu fosse nomeado Anselmo, estava absolutamente certa deste nome para mim. Já havia convencido boa parte da família de que Juscelino ou Brasilino, embora fossem nomes da moda, não seria bom nome para um filho dos Terras.
Para ela e boa parte da família, Anselmo era mais nome, tinha toda uma carga cultural importante, mas enfrentou o veto fatal de minha mãe. Coube a meu pai colocar fim à celeuma, sem qualquer justificativa: "Levará o nome do frei Henrique de Coimbra!" Emudeceram todos. Mamãe assentiu, afinal [confessou-me alguns anos antes de sua morte] tivera um candidato a namorado com este nome. Assim, eu, filho de José Terra, fui batizado Henrique Chagas.
Se com o nome sela-se um destino, levei a sério o traçado por meu pai. Em plena adolescência, com apenas quatorze anos, saí de casa, deixei meus pais e meus irmãos, ingressei num seminário católico; não tinha a intenção de ser padre, rezar missa ou aconselhar quem quer que seja [meu pai sabia disto], queria ser um palestrante, um mensageiro, um profeta, um disseminador de boas novas. Assim, tornei-me, como que predestinado pelo nome, religioso, apenas frei, irmão, cujos votos renunciei aos vinte e dois anos, idade certa para dar novo rumo à vida. Quedou-se o frei, todavia restou em mim o gosto pela difusão de boas novas, de cultura, de arte e literatura, e, enfim, das coisas do espírito.
Não, eu não acredito que o nome predetermina os rumos que vida dá. Sou eu quem dá os rumos à minha própria vida. Mesmo que eu me chamasse Juscelino, Brasilino, Alberto ou Anselmo, talvez até tivesse que pagar algumas promessas [essa foi sutil], mas chegaria aonde cheguei. Bobagem, tudo besteira, eu gosto do meu nome. O que importa mesmo, digo-lhe, é que pertenço à tribo dos Terras.
A leitura me dá sorte Henrique Chagas - Verdes Trigos Cultural - 12/6/2008
Carrego comigo a lembrança do meu pai, José Terra, sempre lendo. Foi com ele que aprendi a ler e a escrever. Ficava emocionado com a leitura da poesia de Camões na primeira página do Estadão. Pouco entendia e nem sabia que, por traz daqueles versos decassílabos haviam textos censurados, histórias que a ditadura militar decidira que eu não deveria saber. Li várias vezes a História Sagrada, um livro grosso que meu pai ganhou de um caixeiro viajante; fiquei impressionado com as peripécias do Rei Davi e seus filhos. Leia mais
Carrego comigo a lembrança do meu pai, José Terra, sempre lendo. Embora nunca tivesse freqüentado uma escola, lia todo e qualquer jornal que caia à sua frente. Um velho livro ou pedaço de jornal, tudo era objeto de leitura. O embrulho do açougue era sempre guardado para que fosse lido e relido. Toda vez que da roça ia para a cidade, caso tivesse algum trocado, ele comprava o jornal do dia. Quando não tinha, ele não se envergonhava, pedia um exemplar velho, mesmo que fosse de dias anteriores. Sempre trazia um jornal, e passava horas lendo e relendo. Desde criança assistia sempre a esta mesma cena, repetitiva e incansável. Ele não apenas se contentava em ler, comentava com mamãe as notícias e as opiniões dos jornalistas. Foi com ele que aprendi a ler e a escrever. Ele acompanhou-me no aprendizado através da cartilha “Caminho Suave”. Pequeninho, eu queria ser como meu pai, saber ler, para ler os jornais e entender o que estava acontecendo no mundo, no mundo que eu imaginava existir além do sitio da Onça Pintada [onde nasci e cresci]. Antes mesmo dos meus seis anos, eu já sabia ler e a escrever [meu primeiro dia de aula foi uma decepção: o professor nos ensinou a fazer traços verticais, horizontais e diagonais]. Ficava emocionado com a leitura da poesia de Camões na primeira página do Estadão. Pouco entendia e nem sabia que, por traz daqueles versos decassílabos haviam textos censurados, histórias que a ditadura militar decidira que eu não deveria saber. Meu pai lia diariamente a Bíblia, conhecia cada livro, cada capítulo e cada versículo. Ai do missionário que ousasse a lhe fazer proselitismo se dava mal, pois tinha que checar cada palavra dita ou mal interpretada. Adorava as histórias contadas por meu pai, eu imaginava cada cena: desde a velhice de Matusalém, dos homens gigantes da Cananéia, do sacrifício de Isaac até a venda de José aos mercadores egípcios.
Tinha dezessete anos quando li o livro proibido de Renato Tapajós. Eram dias perigosos aqueles: qualquer movimento, mesmo em câmara lenta, qualquer fala acima do tom, qualquer estranho rabisco poderia ser considerado ato subversivo ou revolucionário, com poderes capazes de derrubar o regime. Renato Tapajós foi preso porque escreveu um livro com técnica, tempo, ritmos e forma cinematográfica, denunciando o emprego brutal da tortura pelos militares.
Li o livro como se fosse um filme, mas sequer pretendia fosse um roteiro. Fiquei impressionado com a narrativa das cenas em câmara lenta. Inúmeras vezes, até hoje, me pego imaginando todos os movimentos de Lúcia, ao parar no sinal, no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua Bahia. Ah! O romance não se ambienta em Belo Horizonte, apenas minha imaginação insiste em vagar por aquelas ruas.
Ênio Silveira, que recusou a publicar o livro, tinha total razão, o livro mantem uma carga simbólica enorme, não foi por menos que a censura mostrou suas garras, prendeu o autor e os donos da editora. "Câmara lenta" despertou no humilde estudante, que fui, o desejo vulcânico de mudar o mundo, sem armas, apenas com palavras, com letras e rimas, mesmo que tivesse a se submeter às atrozes conseqüências advindas do regime.
Carrego comigo a lembrança do meu pai, José Terra, sempre lendo. Embora nunca tivesse freqüentado uma escola, lia todo e qualquer jornal que caia à sua frente. Um velho livro ou pedaço de jornal, tudo era objeto de leitura. O embrulho do açougue era sempre guardado para que fosse lido e relido.
Toda vez que da roça ia para a cidade, caso tivesse algum trocado, ele comprava o jornal do dia. Quando não tinha, ele não se envergonhava, pedia um exemplar velho, mesmo que fosse de dias anteriores. Sempre trazia um jornal, e passava horas lendo e relendo. Desde criança assistia sempre a esta mesma cena, repetitiva e incansável. Ele não apenas se contentava em ler, comentava com mamãe as notícias e as opiniões dos jornalistas.
Foi com ele que aprendi a ler e a escrever. Ele acompanhou-me no aprendizado através da cartilha “Caminho Suave”. Pequeninho, eu queria ser como meu pai, saber ler, para ler os jornais e entender o que estava acontecendo no mundo, no mundo que eu imaginava existir além do sitio da Onça Pintada [onde nasci e cresci]. Antes mesmo dos meus seis anos, eu já sabia ler e a escrever [meu primeiro dia de aula foi uma decepção: o professor nos ensinou a fazer traços verticais, horizontais e diagonais]. =>>> LEIA MAIS . A leitura me dá sorte: eu lhe garanto.
Henrique Chagas, advogado de Presidente Prudente mantenedor do site cultural Verdes Trigos, considerado um dos melhores do País, tomou posse ontem, como membro correspondente da Academia de Letras Blumenauense, em Blumenau, Santa Catarina. Na mesma reunião, foi empossado também o governador do Estado de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira. (SINOMAR CALMONA)
Entrevista: 'O gosto amargo dos sonhos', com Amós Oz
O escritor Amós Oz fala de Israel e Palestina, o sonho do sionismo e como os políticos ouvem os artistas e depois esquecem tudo o que eles ouviram.
Amós Oz é um escritor israelense de fama internacional cujos trabalhos têm sido traduzidos para mais de 45 línguas. Em maio, com o roteirista Tom Stoppard e com o Vice-Presidente Al Gore, ele receberá o prêmio Dan David, totalizando três milhões de dólares. Oz, 69, que ensina literatura na Universidade Bem Gurion, no sudeste de Israel, foi citado pelos juízes por "retratar os eventos históricos e ao mesmo tempo enfatizar o individuo e a exploração pessoal do trágico conflito entre duas nações". Membro fundador do Movimento Paz Agora, Oz tem sempre estado à frente da dificuldade israelense referente à identidade e defende com fervor uma solução para os dois Estados. Ele recentemente deu uma entrevista à Joana Chen, da NEWSWEEK, na sua casa em Tel Aviv, sobre literatura, política e sobre as vozes dos mortos que não se vão.
NEWSWEEK: O que você acha que faz a sua escrita tão acessível para as pessoas do mundo inteiro? Amós Oz: Eu acho que há algo universal no provincial. Meus livros são muito locais, mas de um modo estranho, eu acho que o quanto mais local, paroquial e provincial, mais universal a literatura pode ser.
Por que tão poucos livros seus tem sido traduzidos para o Árabe? A tradução árabe é tão importante para mim quanta outra qualquer. É aquela que eu me envolvo mais. Infelizmente, há uma parede de resistência nos países árabes. Muitos editores árabes não tocam em nada vindo de Israel, não importa se vem dos falcões [radicais] ou das pombas [diplomáticos]
O que você fez para remediar isto? "De amor e trevas" é agora traduzido para o Árabe pela família de George Khoury, um aluno israelense palestino que levou um tiro na cabeça por terroristas que o confundiram com um judeu enquanto ele estava praticando seu "jogging" em Jerusalém. Eu estou muito tocado por isto e pela nobre decisão da família de tratar esse livro como uma ponte entre as nações.
O portal literário VerdesTrigos oferece conteúdo interativo, inteligente, culto e de indiscutível bom gosto. É um dos meus preferidos. Recomendo! (sinomar, 27/01/2008)
Obrigado pela recomendação do VerdesTrigos na sua coluna impressa e virtual. Bem sabe que sou leitor diário da sua coluna no IMPARCIAL e tenho o seu site como um dos meus favoritos e também recomendo aos internautas que visitam o VerdesTrigos, especialmente para conhecerem o que se passa na cidade de Presidente Prudente/SP. Sua opinião faz diferença em nossa cidade e em nossa sociedade. Obrigado.
Para desejar-lhe um ano novo doce, desejo-lhe anos sustentáveis. Uno-me ao Mude o Mundo e convido-o a nos ajudar a mudar este mundo, mudar o rumo: dar sustentabilidade à vida neste planeta a partir de atitudes.
1. Que em 2008, você economize Água; 2. Que em 2008, você consuma menos carne; 3. Que em 2008, você apague a luz; 4. Que em 2008, você deixe o carroem casa; 5. Que em 2008, você consuma orgânicos; 6. Que em 2008, você use menos papel; 7. Que em 2008, você utilize menos sacolinhas plásticas; 8. Que em 2008, você prospere deforma sustentável; 9. Que em 2008, você seja voluntário; e 10. Que em 2008, você mude o mundo.
MARCELO BIRMAJER: uma entrevista exclusiva para VerdesTrigos.
VerdesTrigos atravessou a fronteira da lingua portuguesa, é muito lido e acessado por visitantes de lingua espanhola: da Argentina, Uruguai, Paraguai ou Bolivia, entre outros. Motivo pelo qual temos recebido emails de visitantes destes paises amigos, que querem nos conhecer e também dar-se a conhecer. Da Argentina, tivemos a grata satisfação de ler "Histórias de Homens Casados", do escritor Marcelo Birmajer, cujo livro inicia com "Um conto de Natal". Absorvido pela prazerosa leitura, adquiri "El Once", em lingua espanhola, as histórias do bairro de Once, em Buenos Aires, onde se criou Marcelo Birmajer e onde se passa quase a totalidade de sua ficção. Em "El Once", o leitor encontra o retrato deste populoso e singular bairro portenho, tanto do ponto de vista afetivo e pessoal do autor.
Assim, através da jornalista argentinaZaiDe Moz, Verdes Trigos entrevista Marcelo Birmajer:
MARCELO BIRMAJER EL ARTE DE CONTAR HISTORIAS Escritor, periodista y guionista, Marcelo Birmajer nació en Buenos Aires un 29 de noviembre de 1966. Muy jóven publicò en el periòdico "Nueva Presencia" y fue corresponsal en Argentina de la revista israelí "Nueva Aurora".
Hoje, 11/11/2007, Verdes Trigos completa nove anos.
"VerdesTrigos foi criada em 11/11/1998, numa noite de rara inspiração. Queria naquela época escrever um livro on line. Naquele tempo não havia ainda os blógues, mas eu imaginava escrever um livro com a participação do leitor, uma inusitada experiência que, tempos depois, Mário Prata realizou. Penso que o processo de criação é algo solitário, sem dar muita explicação, e o que eu pretendia fazer on line era escancarar o processo criativo. Gosto de estudar o processo criativo dos grandes autores, como Guimarães Rosa, Graciliano Ramos ou Machado de Assis, com todos os seus rabiscos, cortes, correções, trocas de títulos ou subtítulos.
Pretendia, então, também fazê-lo, mas em tempo real, onde os internautas pudessem acompanhar a criação e nela interferir através de comentários, críticas ou sugestões. Surgia, então, um embrião dos propagados blógues. Logo, no inicio, além de escrever o livro propriamente dito, comecei a comentar os livros e artigos que lia e que davam fundamentação ou serviam de inspiração ao livro. Muito interessante, todavia, o processo criativo ficou totalmente obsceno, escancarado. Preferi continuar o livro na solidão do quarto, na sua penumbra. Entretanto, dei seguimento à publicação de resenhas e ensaios literários.
Assim nasceu Verdes Trigos. Mais do que uma atitude, Verdes Trigos é também uma idéia e um conceito filosófico, onde procuro cultivar a esperança num mundo melhor, que se passa pela leitura, pelo estudo e pela dedicação a estes bens imateriais que produzimos e consumimos". (Henrique Chagas)
[NOTA] "Agradeço de coração todos os que nestes 09 anos nos acompanham, nos ajudam e não nos deixam desanimar. Os emails recebidos, com mensagens de estímulo e apoio, as críticas e comentários construtivos, nos estimulam a continuar sempre. Meu abraço especial aos fiéis colaboradores, aos amigos que nos ajudam com textos, notas, scripts de programação, layout, design, css e imagens photoshopadas. Por tudo e a todos, meus sinceros agradecimentos. Em especialíssimo, meus agradecimentos àquela que me compreende e me divide com o VerdesTrigos. Alessandra, desde o ínicio, me apoia e me ajuda, e à ela minha gratidão".
UPGRADE => "Meus agradecimentos especiais a todos que nesta data me felicitam pelo VerdesTrigos, que hoje completa nove anos. Nenhuma palavra exprimirá o que meu coração sente: alegria, felicidade e satisfação por ver a marca consolidada, ao mesmo tempo, maior é a responsabilidade que se adquire. Obrigado a todos"Henrique Chagas.
O argentino Borges disse certa vez que só escrevemos sobre experiências que imaginamos possíveis de acontecer e que tais fenômenos são mui pouco originais, isto é, o campo que nos é oferecido éexíguo, daí escrevermos sobre poucas coisas, se pretendemos originalidade. Eis, então, que só escrevemos sobre o que é sempre possível. Para fugir deste rame-rame, deveríamos, penso, buscar material no que existe fora do comezinho sempre. Dentro do sempre há um tudo descrito ou seráque ainda há algo a ser descerrado?
Perdoe-me eventual paciente leitor por esta minha pretensa-pseudo filosofagem em torno do escrever e seus temas. É que, colaborador episódico do sítio literário Verdes Trigos, vi-me, de repente, de mouse em punho e nada desingular no cotidiano me ocorreu para narrar, pois pelejava comigo mesmo em torno de dois episódios distintos, mas concomitantes e interligados, que aconteceram no mundo literário de Brasília, DF. Um, o conto "Hóspedes do vento", de Chico Lopes, escritor e também colaborador de Verdes Trigos; o outro, o artigo "Escrever para quem?", de Pedro Paulo Rezende, escritor e jornalista da equipe do Correio Braziliense, ambos publicados no encarte literário Pensar, do referido periódico, sábado, dia 27 de outubro. ++++++++
Portal literário Autores & Leitores comemora aniversário com Antologia
Dia 15 de outubro, o portal literário Autores & Leitores (www.autoreseleitores.com ) comemora dois anos no ar, contribuindo para a divulgação de novos autores e autoras. O portal foi idealizado por Silvino Bastos, a partir da sua experiência pessoal em relação à dificuldade enfrentada pelos novos autores para encontrar espaço para divulgar seus trabalhos e encontrar seu público leitor. Para registrar este segundo aniversário, o portal Autores & Leitores lançará sua primeira Antologia, intitulada "Antológica Primazia" que contém 18 textos especialmente selecionados, a partir da avaliação do público leitor. Antológica Primazia" contará com uma dedicatória especial de Henrique Chagas e deverá estar pronta dentro de alguns dias.
Coletânea AMÓS OZ => Lançamento hoje pelo PAZ AGORA | BR 11/9/07
"Na arena israelense-palestina, penso que podemos conter o fanatismo. Não podemos curá-lo, mas podemos contê-lo, fortalecendo a classe média, fortalecendo a sociedade civil, e os segmentos seculares, moderados e pragmáticos de ambas as sociedades, palestina e israelense..." (Amós Oz)
O PAZ AGORA|BR completa 6 anos de sua rearticulação neste 11 de setembro - dia que, em 1973 e 2001, manchou de tristeza a Humanidade. Às tentativas de minorias fanáticas de se impor, semeando desentendimento e terror, reagimos difundindo uma mensagem de diálogo e de esperança. Também nesta data, há exatos 3 anos, o site www.pazagora.org está no ar. Desde então, já publicou mais de 1000 artigos, a grande maioria inéditos em português. Muitos deles vêm sendo reproduzidos em outros importantes veículos de informação.
Neste 6º aniversário, apresentamos aqui uma compilação atualizada de dezenas de textos de (e sobre) Amós Oz, reunindo palavras que certamente dão voz à grande maioria das pessoas (daqui e dali), que anseiam por um mundo melhor e mais justo. O diálogo e o respeito pelo outro haverão de prevalecer sobre o fanatismo.
Dos duros retornos às ilhas demolidas, por Chico Lopes.
Um amigo, dos vários com quem compartilhei sonhos e exaltações de juventude nos anos 70 e hoje em dia não se encontram mais em Novo Horizonte, interior de SP, me reencontrou aqui pelas páginas do Verdes Trigos e, desde então, temos trocado alguns e-mails. O tom de nossa correspondência é de inevitável saudosismo misturado a inevitáveis malogros - velhos conhecidos de décadas que não voltam mais, naturalmente, nos comprazemos em lembrar acontecimentos, pessoas, leituras em comum. Ele está em S.Paulo, com uma loja de informática, e eu moro em Poços de Caldas, MG, muito longe da pequena cidade onde nascemos e vivemos por tanto tempo. De lá, saiu antes de mim. Levou de mim a lembrança de uma espécie de guia literário - nossas conversas giravam em torno de livros e idéias que nos levavam para muito longe daqueles velhos horizontes limitados, indo de Carlos Castaneda a Dostoievski e Tolstoi. Eu era mais velho e fazia com que lesse tais e quais livros, para trocarmos opiniões. O que me impressionou, quando me escreveu dizendo que continuava a me ler aqui pelas páginas deste site, foi o fato de não haver me esquecido. Em geral, como cético que sou, tenho a impressão de nunca ter causado ou deixado impressões mais profundas em ninguém - o problema pode consistir em eu me auto-avaliar, sempre, com sobriedade talvez excessiva. Não me considero um sujeito particularmente afetuoso, mas as pessoas, surpreendentemente, podem ver em nós coisas que nem imaginamos. Podem até gostar de nós, o que é mais surpreendente ainda. ++++++
Incentivar o hábito de leitura, esse é o objetivo do site da ONG cultural "Verdes Trigos". Criada há nove anos em Presidente Prudente, a página recebe em média 3.400 visitas por dia. Lá é possível encontrar dicas de livros e comentários sobre obras que ainda não estão a venda. Tudo isso porque as editoras enviam seus exemplares para o fundador da ONG, Henrique Chagas, fazer a análise dos livros.
Entre as pessoas que cultivam o hábito de leitura, o site está cada vez mais popular. Há 9 anos as visitas diárias não passavam de 100 pessoas.
"Quando comecei, existia um site chamado 'Lemon Yellow' (Limão Amarelo), que era escrito por uma professora universitária e o título principal dizia:'I link therefore I am'(Eu linco, logo existo). Era uma espécie de diário, no qual ela fazia análises criticas dos livros que lia. Comecei a acompanhar o trabalho e, a partir disso, eu fiz algo parecido. Leio em média 10 livros por mês e a cada 300, 400 livros acumulados, dôo para bibliotecas comunitárias", conta Chagas.
Ele acrescenta que é importante dividir os conteúdos literários com as pessoas que se interessam e não podem comprar. "É um dever social disseminar o gosto pela leitura", garante.
O site Verdes Trigos também conta com colaboradores aleatórios, ou seja, pessoas que visitam a página e mandam conteúdo para Chagas. Ele edita e seleciona as melhores matérias antes de disponibilizá-las na internet. (Daiane Renata Pavarelli, Gabriela Cristiane Rodrigues, Gisele da Silva Ramos e Vagner Pereira da Silva).
[Nota] A matéria acima está publicada no Blog Interlogado. Concedi entrevista para Daiane Pavarelli antes do feriado.
Links relacionados MARIA CLARA LIVROS => Um blog para quem gosta de livros
Documentário ''Matarazzo'' é gravado em Pres Prudente, SP
O cineasta Vicentini Gomez esteve ontem em Presidente Prudente para dar continuidade à gravação do documentário "Matarazzo: uma história", previsto para ser concluído entre abril e maio do próximo ano. No período da tarde, quatro prudentinos - um historiador, uma antropóloga, a filha de um gerente das Indústrias Francisco Matarazzo e um escritor - estiveram presentes nas instalações do Matarazzo, onde foram entrevistados pelo cineasta. Hoje, Gomez estará no local para filmar o desenvolvimento da obra, que vai transformar o Matarazzo no maior centro cultural do Oeste Paulista. No total, serão realizadas aproximadamente 2 horas de gravação, que vai se somar a um material bruto de 15 horas. Para o cineasta, o material coletado por meio de entrevistas é relevante para o filme, porque coloca o telespectador dentro do contexto histórico e social sobre o qual as indústrias Matarazzo está inserido. "O Centro Cultural Matarazzo vai permitir o desenvolvimento de uma série de atividades que, talvez, não seria possível sem este local. A revitalização é algo caro, mas que felizmente a Secretaria de Cultura resolveu abraçar. Esse processo é realmente importante, porque vai possibilitar a realização de vários eventos culturais para Presidente Prudente e região em um único espaço", afirma. Além de Kunzli, estiveram presentes no prédio Izaura Victor, filha do gerente das Indústrias Matarazzo, Paulo Victor; o historiador Francisco Maia Neto e o professor, escritor e diretor do Centro Cultural Virtual "Verdes Trigos", Henrique Chagas. O local irá abrigar a Escola Municipal de Artes Professora Jupyra da Cunha Marcondes, um teatro municipal com capacidade para 700 lugares, quatro salas para ensaios de espetáculos teatrais e de dança, café e praça de alimentação, três galerias de artes plásticas, cinema, museu, laboratório de fotografia, flat para hospedar artistas e convidados e ala para parte administrativa da Secretaria de Cultura, que será transferida para o prédio. >>>>>
Entrevista com o criador do sítio cultural ''VerdesTrigos''. Acompanhe
Cíntia Corrales entrevistouHenrique Chagas para o OverMundo. A entrevista esteve por vários dias ocupando a primeira página de destaques em razão dos votos recebidos por apreço à matéria elaborada. Confira:
"Desde o ano passado, tendo conhecido o site Verdes Trigos, tornei-me leitora assídua e passei a admirar o trabalho de seu criador, Henrique Chagas. Generoso com todos que o procuram, terminamos estreitando contato. O site tem como principal razão de ser fomentar o hábito da leitura, divulgando conteúdos culturais, especialmente literários. Nesta entrevista no Overmundo vamos conhecer um pouco mais sobre Henrique e seu trabalho. Nascido em Cruzália, interior de São Paulo, ele e os seis irmãos eram conhecidos como os filhos do "Zé Terra", o homem que vendia vassouras. "Meu pai foi vítima da tuberculose e não podia trabalhar na roça, então fabricava vassouras." Assim, eles iam descalços até a escola. Trinta anos depois de ter saído de lá, ele participou da comemoração dos 60 anos da Escola Joaquim Gonçalves de Oliveira, à qual fez uma doação de cerca de 200 livros, mostrando aos jovens um exemplo vivo de perseverança".
Uma entrevista com o criador de Verdes Trigos, no Overmundo
Henrique Chagas, criador do sítio cultural VerdesTrigos, concedeu entrevista para a socióloga Cintia Corrales. A entrevista está publicada no site OverMundo. Veja o resultado no link abaixo:
Os 03 livros mais vendidos através do portal VerdesTrigos
1) Teatro Laboratorio de Jerzy Grotowski, O O trabalho artístico de Grotowski é um dos mais significativos do teatro contemporâneo. Sua foi a elaboração do training, como exercício continuado, cotidiano e personalizado para o ator; sua a primeira experimentação sistemática e concreta da relação ator-espectador em um espaço cênico unitário. Sua a definição do grupo teatral como lugar de exploração pessoal e pesquisa artística, em um trabalho protegido, só em parte finalizado em cada um dos espetáculos. Sua a proposta de uma ética do ator como sujeito de experiências autênticas, que aperfeiçoa e desenvolve as intuições de Stanislávski. Muito do teatro contemporâneo, mesmo esteticamente distante dele, não teria sido possível sem o trabalho de Grotowski. A evidência deste papel é reconhecida internacionalmente pelos que fazem, assistem e amam a arte do teatro e sua extraordinária expressão contemporânea na criação e reflexão do grande diretor polonês. Este livro traz a tradução dos textos reunidos por Ludwik Flaszen e Carla Pollastrelli para a Fondazione Pontedera Teatro e vertidos para o nosso vernáculo pela professora Berenice Raulino. 2) NA PRAIA Inglaterra, 1962. As profundas mudanças na moral e no comportamento sexual que abalariam o mundo ao longo daquela década ainda estão em estado de gestação. Edward Mayhew e Florence Ponting, ambos virgens, se instalam num hotel na praia de Chesil, perto do Canal da Mancha, para celebrar sua noite de núpcias. Ele é um rapaz recém-formado em história, de origem provinciana, sua mãe tem problemas mentais e o pai é professor secundário. A noiva é uma violinista promissora, líder de seu próprio quarteto de cordas, filha de um industrial e de uma professora universitária de Oxford. O desajeitado encontro íntimo desses dois jovens ainda marcados pelos resquícios da repressiva moral vitoriana é repleto de lances cômicos e comoventes, configurando uma autêntica tragicomédia de erros. 'Na praia', entretanto, vai além disso. O drama dos recém-casados transcende o registro particular e o retrato de época para alcançar a dimensão de uma obra universal sobre o momento da perda da inocência, essa expulsão do paraíso que é um ponto de inflexão na vida de todo indivíduo. McEwan alterna os pontos de vista de Edward e Florence, radiografando seus pensamentos e motivações mais secretos. O sentimento trágico que fica no leitor vem da percepção dos estragos profundos e duradouros que um pequeno gesto, um único mal-entendido, uma palavra infeliz podem causar na vida dos personagens. 3) E A HISTORIA COMEÇA Grandes escritores escreveram e reescreveram a primeira frase de um livro várias vezes. A partir de sua experiência como romancista e crítico literário, Oz desenha neste livro o mapa da genialidade e processa a gênese de uma obra-prima, desconstruindo textos de importantes escritores, analisando os métodos utilizados para cativar os leitores e tecendo comentários sobre as estranhas e sedutoras formas pelas quais tais autores iniciaram suas obras.
Conheças as palavras mais buscadas os googles da vida e que encontraram VerdesTrigos (ah! a lista facilita o serviço do google para este mês de julho)
www.google.com.br/ig?hl=pt-br, contardo calligaris, van gogh, verdes trigos, cruz missioneira, roberto carlos em detalhes, ruinas de são miguel, o vestido - carlos herculano lopes, telas de van gogh, resenha do filme o nome da rosa, o vestido carlos herculano lopes, vincent van gogh, orkut, verdestrigos, contos eroticos, sinuca, ong, poetas mineiros, homenagem aos pais formatura, resenha o nome da rosa, resenha o caçador de pipas, contardo caligaris, livro o vestido, calligaris, nebulosa helix, cruz de caravaca, o vestido de carlos herculano lopes, guaranis, karl larenz, teoria do big bem, van goh, juliana paz sem calcinha, resenha a moreninha, camila pitanga, homenagem aos pais, resenha de a moreninha, o caçador de pipas resenha, sete povos das missões, piadas do humorista ari toledo , ilha das flores download, vicent van gogh, van gog, o julgamento de sócrates, ken wilber , teoria do universo , o nome da rosa resenha , resenha caçador de pipas, participação politica, amos oz, o caso do martelo, colonia cecilia, biografia de van gogh, contardo, download do livro o que aprendi com bruna surfistinha, ricardo guilherme dicke, modelo de tabela price, biografia de vincent van gogh, ong cultural, resenha oração dos moços, homenagens aos pais, nebulosa de helix, igreja de são miguel arcanjo , o nome da rosa, julgamento de socrates, domingos pellegrini, o vestido carlos herculano, ot list, obras de van gogh, o pobre de deus, são miguel das missões, you tube, mercador de veneza, banco brasil japan, sexo, alakazam, resenha mercador de veneza, hotmail , os caminhos de che, fundamentalismo religioso, van gogh biografia, dramatização, marketing de massa, o ultimo voo do flamingo, editora lingua geral, resenha revolução dos bichos, evangelho de judas, oração aos moços, biografia de vicent van gogh , o senhor é meu pastor, carlos herculano lopes, resenha do livro a moreninha, ruinas de são miguel, fotos de guilherme bentana , no tempo das tangerinas resenha, resenha o mercador de veneza, videos bizarros, contos femininos, protetor de telas , o caçador de pipas download, biografia de lia zatz, trigos, ruinas de san inacio , brasil telecom, luxor, no tempo das tangerinas, resenha no tempo das tangerinas, o mercador de veneza , love orkut , a historia do quadro de girassois de van gogh, caminhos de che , midia training , senhoras do santíssimo feminino , sombras de julho, teoria psicoindividual, everest , roda gigante , resenha a revolução dos bichos , biografia de carlos herculano lopes , moacyr scliar, gmail , quais os metodos da pedagogia libertaria, enron, resenha quincas borba, um amor anarquista, julgamento de socrates, o senhor e o meu pastor, doe livros, resenha do livro a mulher que escreveu a biblia, clube da putaria, resumo do livro a letra escarlate, urda alice klueger, www.arianosuassuna.com.br, contos eróticos, guilherme bentana foto, a vida de van gogh, poesia sobre brasilia, mike potira, resenha dom casmurro , protetor de tela , fotos do reporter guilherme bentana , luisa sato , consulta spc, culturas, comunidades orkut, consulta serasa , engill koliqi, antropologia política, airport planning, misiones , ong cultura , biografia de lourenço, cazarré, biografia domingos pellegrini, fernando roberto janz, resenha do livro o nome da rosa, agenor soares de moura e muito mais
IBOPE: A audiência do VerdesTrigos continua no mesmo patamar do mês anterior, com sinais visíveis de crescimento
Audiência de VerdesTrigos => MAIO/2007·········JUNHO/2007 Número de visitas: 106.220 visitas························108.041 visitas Páginas visitadas: 278.427 Páginas····················· 276.729 Páginas Bytes/banda: 23.45 GB·············································27.72 GB
Confira. Para um sítio cultural, com conteúdo diferenciado, sem patrocício, é certo que temos um público fiel e qualificado, a quem agradeço de coração. Pense nisso.
Encerro o post adiantando pra vocês as palavras (surpreendentemente) emocionadas de Henrique Chagas, editor do Verdes Trigos, que escreveu a orelha do Hierosgamos quando ainda mal nos conhecíamos: "Com despudorada narrativa erótica, da pele à cona, ela brinca com palavras de múltiplos sentidos, e nos desperta para o desejo de também construir uma vida de amor." Tá certo, Henrique: é esta exatamente a minha desmesurada pretensão. Pelo menos pra mim, funcionou. Funcionou pra você e espero que funcione pra cada leitor que arriscar me ler, ainda que na contramão da crítica, ou da falta eloqüente dela. (leia o post da Noga)
"Muitas pessoas devem ter se deparado com algum site que oferecem serviços, produtos ou apenas conteúdo mas que em si próprio não inspirava o mínimo de confiança e falando em confiança você talvez já conheça o Verdes Trigos é um blog de conteúdo cultural, o layout dele não é lá estas coisas mas, o conteúdo sim este vale por muitos layouts bem planejados que existem por ai, de alta qualidade". (Web Doce Web)
CRANIK entrevistou Henrique Chagas, do Portal VerdesTrigos
O administrador do CRANIK "Ademir Pascale Cardoso" entrevista o criador do sitio cultural Verdes Trigos "Henrique Chagas". (23/09/06).
Um apaixonado por livros desde criança, Henrique Chagas faz questão de ressaltar a importância da literatura na vida das pessoas. "Ler é agregar conhecimento. Dessa maneira você consegue compreender melhor o que acontece na sua vida, ao seu redor e na sociedade. Livros são ótimos instrumentos de reflexão", conclui.
Com a proposta de estimular a leitura e saciar a fome de cultura, Henrique criou o sítio cultural Verdes Trigos ( www.verdestrigos.org), que, desde 1998, oferece informações atualizadas sobre literatura e cultura em geral. "Nos verdejantes campos de trigo, o internauta tem acesso a resenhas de livros, críticas literárias e crônicas escritas por diversos autores, além de uma manancial de informações culturais", explica Henrique, seu criador.
Henrique Chagas nasceu em Cruzália, no interior de São Paulo, e seu pai cultivava trigo. "Quando criança tinha o costume de ficar embaixo de árvores lendo livros que eram de meu pai. Gostava de ficar olhando para o horizonte e deixava minha imaginação caminhar. Olhava os trigais, com os seus cachos ainda verdes, formando verdadeiras ondas pelo vento". Hoje, advogado em Presidente Prudente/SP, onde vive e trabalha, Henrique, como o menino de outrora, planta, cultiva e contempla "Verdes Trigos", que lhe é uma fonte de cultura e conhecimento".
Comunique-se.com A Brasil Telecom, que vinha patrocinando o site desde o fim do no., anunciou que vai retirar o apoio por "motivos de economia". Se os editores do portal não conseguirem um novo patrocinador, o site deixa de ser atualizado a partir de 01/07
O portal NoMínimo pode deixar de ser atualizado em 01/07. A informação foi divulgada pelo próprio site, em texto assinado pelos editores. A Brasil Telecom, que patrocina o portal desde o fim do seu predecessor, o No., em 2002, decidiu retirar o apoio, e não aceita ser sócia com uma participação menor.
O NoMinimo recebeu aviso prévio da rescisão do contrato de patrocínio no fim de abril. Os editores do portal, desde então, já tiveram encontros e reuniões com possíveis novos patrocinadores, mas ainda não fecharam nenhum acordo. Explicar a situação no próprio site foi a forma encontrada de pedir ajuda - e de "dividir a aflição com os leitores".
Com cinco anos completados no domingo (03/06), o NoMínimo conta com 24 colaboradores - com nomes bem conhecidos e prestigiados nas redações do País - e tem uma média mensal de 3 milhões de pageviews e cerca de 150 mil assinantes. O site é herdeiro do No., um dos pioneiros projetos de jornalismo online no Brasil, e o seu nome foi a forma encontrada para explicar a "poda avassaladora" após o estouro da bolha da internet, como definiu o próprio portal (Comunique-se)
[NOTA] Sorte ao NoMínimo!
VerdesTrigos está sem patrocínio desde 1998 e não chegará ao fim tão cedo, mesmo que nunca consiga um patrocinador. Em homenagem aos nossos 100.000 visitantes mensais continuaremos. Entretanto, se eu conseguir um patrocinador será ótimo. Não precisa ser uma Petrobrás, CEF ou BB. Eu aceito a sua empresa.
Veja a audiência de dois anos atrás (maio/2005): Clique aqui
Para um sítio cultural, com conteúdo diferenciado, sem patrocício, é certo que temos um público fiel e qualificado, a quem agradeço de coração. Pense nisso.
Um empresário amigo meu passou por uma experiência que revela bem o modo brasileiro de ser. Homem sério, já no terceiro ou quarto casamento, ele voltou ao escritório num fim de tarde, abriu a porta e acendeu a luz. Sobre sua mesa, nua e com a tesoura aberta, sua bela e insinuante secretária. Entre as pernas dela, também nu mas em pé, o mais novo estagiário da empresa. A secretária continuou na mesma posição, e disse: - Não é nada disso que o senhor está pensando. Eu posso explicar tudo. Meu amigo se virou e antes de sair, ouviu: - O senhor poderia apagar a luz? >>>>> leia mais
Amós Oz participa da FLIP- Festa Literária Internacional de Parati, RJ
Indicado ao Prêmio Nobel de Literatura e consagrado em Israel e no mundo, o autor participará na sexta-feira, dia 06 de julho, às 19 horas, da mesa 10 - Panteras no Porão, dentro da programação da Festa Literária Internacional de Parati, FLIP, que acontecerá de 04 a 08 de julho de 2007 na cidade de Parati, Rio de Janeiro. Para maiores informações, acesse www.flip.org.br
Programação: sexta-feira, dia 06 de julho de 2007 Local:TENDA DOS AUTORES Mesa 10 - PANTERAS NO PORÃO Amós Oz e Nadine Gordimer
"Qualquer escritor que tenha um mínimo de valor espera propiciar um brilho tênue para iluminar o labirinto belo e sangrento da experiência humana," diz a Prêmio Nobel Nadine Gordimer. Mas qual é o significado da literatura num país dividido pela história, embotado pela opressão ou dilacerado pela violência? Gordimer, autora de A Filha de Burger e O Engate, e Amós Oz, o mais importante romancista e militante pela paz em Israel, autor de De Amor e Trevas, falam sobre o papel da literatura no resgate de uma humanidade permeada pela injustiça.
Amós Oz (1939, Jerusalém, Israel), fundador e principal representante do movimento israelense Paz Agora, é o escritor mais influente de seu país. Poucos autores escrevem com tanta compaixão e clareza sobre as agruras presentes e passadas de Israel. Em romances como Meu Michel (2002) e Conhecer uma mulher (1992), Pantera no porão (1999) explora a persistência do amor durante a guerra.
De amor e trevas (2005) é um livro de memórias sobre sua infância em Jerusalém. O autor já recebeu o Prêmio da Paz de Frankfurt, o Prix Femina Étranger, o Prêmio Israel e a Legião da Honra, na França. Seu último romance é Rhyming Life and Death (2007).
Em 1991 foi eleito membro da Academia de Letras Hebraicas; Em 1992, recebeu o Prémio de Frankfurt pela Paz, e ganhou o Prémio Israel de Literatura, o mais prestigioso do país. Em 1998 (50º ano da Independência de Israel), recebeu o Prémio Femina em França e foi indicado para o Prémio Nobel de Literatura em 2002. Em 2004 recebeu o Prémio Internacional Catalunya, junto com o pacifista palestino Sari Nusseibeh, e também Prémio de Literatura do jornal alemão Die Welt, por "Uma História de Amor e Escuridão". Publicou cerca de duas dezenas de livros em hebraico, e mais de 450 artigos e ensaios em revistas e jornais israelitas e internacionais (muitos dos quais para o jornal do Partido Trabalhista "Davar" e, desde o encerramento deste na década de 1990, para o "Yediot Achronot"). Tem livros e artigos seus traduzidos por todo o mundo e quase toda a sua obra se encontra traduzida em Portugal.
Henrique Chagas, da Verdes Trigos, compõe o Júri Inicial do Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2007
Não sei quem vencerá o Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2007, mas já sei quem vou indicar até o próximo dia 25 de maio de 2007 para receber o prêmio. È uma enorme honra ter sido convidado pela Curadoria para participar como membro do Júri Inicial. Minha enorme responsabilidade é votar em cinco livros da lista de livros inscritos para compor a relação dos 50 finalistas da primeira fase do Prêmio. Vou votar também em cinco profissionais entre os membros do Júri Inicial para formar o Júri Intermediário, composto por 15 profissionais que irão selecionar os 10 finalistas da segunda fase do Prêmio.
Não vou relevar agora quais os cinco livros dos inscritos estou indicando para compor a relação dos 50 finalistas, mas adianto que os indicados foram comentados na Verdes Trigos, tiveram notas publicadas e divulgadas no portal, com inúmeros elogios dos leitores. E mais, por óbvio, tive o privilégio de lê-los de forma criteriosa. Teria o prazer de indicar os 50 finalistas, mas o regulamento determina a indicação de somente 05 deles. Faço com a consciência tranqüila e espero que pelo menos um delas esteja entre os 10 finalistas.
Conheça a lista dos livros inscritos => clique Conheça os membros do Júri Inicial => clique
O interior de todos nós, por Vivaldo Lima Trindade.
Não há uma forte tradição na literatura brasileira em produzir autores de livros de suspense. Alguns bons escritores, como Machado de Assis e Ricardo Ramos, praticaram o gênero ocasionalmente em narrativas curtas. Edgar Allan Poe, nos E.U.A. foi um dos grandes mestres dessa arte. Manter uma narrativa que se baseie na suspensão de um segredo primordial para a história é uma formula comum à prosa policial, de terror e, nos tempos da Guerra Fria, de espionagem. Culminou ainda numa expressão de cunho mais popular recheada de muito sexo e morte, o pulp, de que no Brasil são exemplo aqueles livrinhos vendidos em banca, com capas berrantemente coloridas e papel jornal, espécie de entretenimento descartável. O difícil mesmo é encontrar esse suspense puro, desligado do policial e do terror, e que, ainda assim, exiba rigor formal, apuro de linguagem e alguma criatividade. Pois é esse o caso de Nó de Sombras (Instituto Moreira Sales, São Paulo, 2000), de Chico Lopes.
Já no prefácio, Ignácio de Loyola Brandão afirma sua originalidade, incômodo e emoção que a leitura dos dez contos do livro lhe proporcionou. E remete ao cinema como fonte de comparação, talvez pelo fato do autor ser um estudioso da matéria. Fala também de seu caráter de independência por não correr atrás da mídia, mesmo residindo fora dos grandes centros - ele mora em Poços de Caldas - e sabendo da importância desta para se construir uma carreira bem-sucedida, sua oposição à auto-ajuda e à influência opressiva de Rubem Fonseca. Na verdade, o significativo é a literatura de Chico Lopes e está na destreza com que ele utiliza as palavras, na exatidão com que constrói o seu mundo a partir de um cenário de cidade do interior e na investigação que faz da alma humana. >>>> Leia mais
Hoje (15/05) às 20h, o escritor Miguel Sanches Neto participa da terceira ediçao do Paiol Literário 2007 (Praça Guido Viaro, s/n.o, Prado Velho - Curitiba - PR). Realizado devido a uma parceria entre o jornal literário Rascunho, a Fundaçao Cultural de Curitiba e o Sesi Paraná, o projeto já trouxe a Curitiba (PR), este ano, os escritores Michel Laub e Ana Maria Machado. Até dezembro, estao previstos mais sete encontros mensais (confira no link a programaçao completa para 2007). Miguel Sanches Neto, além de escritor, é doutor em Teoria Literária pela Unicamp, professor de Literatura Brasileira na UEPG e colunista e crítico literário do jornal Gazeta do Povo. O Paiol Literário deste mes será mediado pelo jornalista Paulo Camargo. Informações pelo telefone 41-3213-1340.
Programação do Paiol Literário: - 15 de maio (terça-feira): Miguel Sanches Neto - 19 de junho (terça-feira): Flávio Moreira da Costa - 17 de julho (terça-feira): Bernardo Carvalho - 14 de agosto (terça-feira): Sérgio Sant`Anna - 11 de setembro (terça-feira): Alexei Bueno - 9 de outubro (terça-feira): Roberto Pompeu de Toledo - 6 de novembro (terça-feira): Luiz Vilela - 18 de dezembro (terça-feira): Marçal Aquino
Talvez em razão dessa vulgarização, quem dispara na frente no número de adaptações de sua vida para o cinema é Vincent Van Gogh, claro. Talvez por ser o mais paradigmático dos pintores, ao menos na visão cinematográfica. Ele é tudo isso - um problema para a família, um problema para os amigos, e, acima de tudo, um enorme problema para si mesmo. O imaginário popular o consagrou como o louco que cortou a própria orelha e certos fatos de sua vida parecem importar mais do que sua própria pintura. Alçou-se à condição de lenda, com tudo quanto isso tem de grandioso e equivocado.
Os filmes sobre ele são sempre os mais procurados, e há pelo menos três em VHS e DVDs, sendo o mais lembrado "Sonhos", de Kurosawa, onde é vivido por Martin Scorsese, no episódio do trigal com corvos. É só um episódio, mas a tecnologia permitiu que as imagens das telas mais queridas de Van Gogh comparecessem com a força impressionante que sempre tiveram. Os outros dois filmes são "Van Gogh", de Maurice Pialat, francês, e "Van Gogh - Vida e obra de um gênio", norte-americano, de Robert Altman. Não são grande coisa, o primeiro pelo terrível vício francês de fazer filmes em que a emoção é descarnada pelos discursos, a secura desdramatizante, as racionalizações, o falatório, e o segundo por ser uma redução de uma minissérie realizada para a televisão holandesa. Nos filmes, o pintor é interpretado por Jacques Dutronc e Tim Roth, respectivamente.
Até aqui, porém, não existia em VHS ou DVD brasileiro o maior dos filmes sobre ele, SEDE DE VIVER, dirigido por Vincente Minnelli em 1956. Encontrei-o milagrosamente numa simples banca de revistas, a um preço razoável, e não pisquei para adquiri-lo, temendo que fosse mesmo um milagre fácil de se volatilizar. Traz Kirk Douglas no papel principal, e podem esquecer todos os outros Van Goghs: ele é definitivo, com a barba ruiva, a expressão atormentada e uma dignidade a toda prova. >>>> por Chico Lopes
Entrevista com Henrique Chagas para o portal "Autores e Leitores"
Henrique Chagas, 47, escritor e advogado, radicado em Presidente Prudente/SP, concedeu entrevista ao portal "Autores e Leitores", onde destacou a relevância do papel "religioso" na sua obra. Henrique não se vê como um ser fortemente influenciado pela religião no seu sentido comum, mas sente-se religado ao Eterno. "Assim, creio que não sou nada religioso no sentido comum, mas sou extremamente religioso no sentido ontológico da palavra. Desde que me entendo, sempre me vejo religado a uma força transcendente. Busco sempre identificar-me com Aquele cujo nome é impronunciável. Esse religare transparece nas minhas idéias e nos meus textos; e, mais, materializa-se na reflexão do sentido da nossa existência e da nossa identidade humana", disse Henrique.
Henrique revelou que está trabalhando um romance: "Escrevo um romance cuja temática é exatamente esta reflexão sobre o sentido da existência humana, muito mais profundo que nosso mero sentido religioso, ao contrário, projeto nas personagens as nossas dificuldades de compreensão do sagrado e do profano. Penso que não existem coisas sagradas e coisas profanas. Tudo é sagrado, já dizia Djavan. Nessa busca de identidade as personagens se esbarram com a sua inexorável pequenez frente ao universo, ao aquecimento global, à escassez de água que já se avizinha, muito embora neste mundo pós-moderno tudo seja facilitado pela tecnologia de ponta". Falou ainda do seu trabalho como advogado e especialmente de Verdes Trigos.
O Dicionário Sefaradi de Sobrenomes é fruto da persistência, do talento e da erudição de Guilherme Faiguenboim, Paulo Valadares e Anna Rosa Campagnano. Nele muitos brasileiros poderão promover um reencontro com o seu próprio passado, religando o que a intolerância religiosa, os efeitos da Inquisição e o isolamento obliterou.
O livro 'Dicionário Sefaradi de Sobrenomes - Inclusive Cristãos-Novos, Conversos, Marranos, Italianos, Berberes e sua História na Espanha, Portugal e Itália' conta com 12.000 sobrenomes e 17.000 verbetes. O livro também descreve a história dos sefaradis em duas partes - da antiguidade até a expulsão dos judeus; e da dispersão (após a expulsão) dos sefaradis até o século 20, que mostram a extraordinária saga de dezenas de milhares de famílias sefaradis ao longo de seis séculos.
[nota] Preciso dar uma estudada neste livro de sobrenomes, porque minha história familiar é totalmente singular. Meus ancestrais paternos vieram de Portugal. Meu avô aqui no Brasil adotou o sobrenome de Terra. Meu avô era conhecido como Antônio Terra, veio da região de Queluz/RJ para Piraju/SP. Meu pai nasceu em Bernardino de Campos/SP. Vieram, por volta de 1924, para o oeste de São Paulo, pleno sertão. Por ocasião da guerra, meu pai quis de toda maneira lutar nas tropas aliadas. Mas para se inscrever nas Forças Expedicionárias era necessário ter documentos. Num único todos foram ao Cartório de Maracai/SP e tiraram seus novos documentos. Meu avô adotou outro sobrenome: Antonio Leite das Chagas. Deixar de ser um Terra para tornar-se um Chagas. Meu avõ faleceu em 1960; não cheguei a conhecê-lo pessoalmente, mas meu pai sempre dele contava histórias. Ele tinha costumes eminentemente judaicos, apesar do catolicismo nada praticante.Afinal, qual será o meu verdadeiro sobrenome? Nem acredito que seja Terra, muito menos Chagas.