Há 60 anos, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou a Resolução 181, partilhando o Mandato da Palestina em dois Estados, um judeu e um árabe. A comunidade internacional concluiu que essa seria a melhor maneira de conciliar os anseios de dois povos pelo mesmo pequeno pedaço de terra. Entre os 33 votos favoráveis, Brasil incluído, estavam as duas superpotências emergentes. Os países árabes, em bloco, votaram contra.
A resolução propôs fronteiras entre os dois novos países que presumiam uma intensa cooperação entre judeus e árabes. Previa ainda o estabelecimento de uma “União Econômica”, cuja administração ficaria em Jerusalém, a qual seria um enclave administrado pela ONU. A liderança da comunidade judia na Palestina aceitou o plano. Os países árabes o rejeitaram em bloco. Em vez de se organizarem para estabelecer seu Estado, foram impregnados pela pregação de abortar o nascimento do Estado judeu. Com a declaração da independência de Israel, em 48, o novo país foi imediatamente atacado. Seu incipiente Exército conseguiu resistir e, após meses de combates sangrentos, repeliu a invasão e ampliou suas fronteiras.
A tragédia palestina não foi a criação de Israel, mas sim a rejeição ao Estado judeu. Cerca de 750 mil palestinos foram deslocados pela guerra para acampamentos de refugiados nos países vizinhos. Boa parte deles e seus descendentes lá vive em condições miseráveis. Até 1979, prevaleceu um absoluto e unânime repúdio à existência de Israel. O bloqueio começou a ruir com o tratado de paz do país com o Egito. Em seguida, veio a paz com a Jordânia. Os acordos de Oslo, entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) marcaram o reconhecimento mútuo dos direitos nacionais dos dois povos.
A Conferência de Annapolis, na semana passada, pretendia repetir a fórmula de partilhar a antiga Palestina entre árabes e judeus. Não apresentou propostas concretas para os principais pontos de discórdia, mas pode ser o ponto de partida para um processo decisivo. A presença de representantes de países árabes que ainda não mantêm relações com Israel – notadamente a Síria – e a aceitação da criação de um Estado Palestino pela vasta maioria dos israelenses são sinais de que a paz no Oriente Médio pode agora se realizar. (MOISÉS STORCH, Coordenador dos Amigos Brasileiros do PAZ AGORA)
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