O filósofo francês Blaise Pascal (século 17) dividia a inteligência em dois tipos de “espíritos”. “Espírito”, aqui, significa “atividade intelectual” e não alma penada ou um princípio pessoal e imaterial como no kardecismo. Os dois tipos são: o espírito geométrico e o espírito de “finesse“.
O primeiro teria como vocação lidar com um grande número de questões ao mesmo tempo, arranjando-as de modo linear e encadeado, a fim de gerar deduções lógicas generalistas e de grande alcance. O segundo teria uma vocação para o detalhe e a sutileza, lidando melhor com um pequeno número de variáveis a cada vez, e fugindo das generalidades apressadas.
O geométrico ama a pressa e os resultados eficazes, o de “finesse” cultua a paciência e o cuidado, mas pode ser de eficácia duvidosa.
Normalmente eu tendo para o espírito de “finesse“. O problema é que numa sociedade gigantesca como a nossa, com problemas de dimensões estatísticas, o espírito geométrico tende a devorar a alma. E, por definição, a alma vive mal na geometria. Seu habitat natural é a “finesse” porque a geometria tende ao grosseiro quando envolve seres humanos.
Em nossa complexa sociedade, algumas questões são tratadas de forma grosseira porque nós temos pressa em resolvê-las ou porque queremos fazer mentiras passarem por verdades. E aí, nós caímos num frenesi geométrico.
Leitores perguntam qual é minha posição quanto ao tema das cotas nas universidades. Outros, perguntam-me: “Você é a favor ou contra os direitos gays?”.
O frenesi geométrico tende a dar respostas afeitas ao gosto de políticas públicas e movimentos sociais. Respostas geométricas são assim: “sou a favor” ou “sou contra” cotas ou direitos gays. E pronto.
Confesso: tenho alergia a esse negócio de “movimentos sociais” e suspeito muito do caráter de quem vive sempre metido neles. Não existe algo chamado “multidão do bem”, toda multidão é do mal.
Recentemente ouvi um comercial no rádio que falava “todos juntos com uma só vontade e um só objetivo” (algo assim). Sinto um frio na espinha quando vejo “vontades unidas”, pouco importa para quê.
Perdoe-me se isso parece uma falha de caráter, ou, quem sabe, se não sofri o suficiente na vida até hoje para confiar em multidões do bem, ou se conheço muitas mulheres bonitas e que gostam de tomar vinho antes do sexo. Na vida de um homem, o que decide sua realização é sempre sucesso profissional e sucesso com as mulheres, quem disser o contrário mente. Minha suspeita básica é de que desde os irmãos Caim e Abel (Caim matou Abel por inveja do amor de Deus pelo irmão), detestamos a felicidade no outro.
Mas e as cotas e os direitos gays? Tentemos uma resposta sem pressa.
Sou contra cotas raciais. Não acredito nessa coisa de dívidas históricas. Acho que isso serve para intelectuais fazerem carreiras ideologicamente orientadas (porque as universidades vivem sob repressão ideológica) e para pessoas politicamente articuladas garantirem seu futuro burocrático.
Sim, reinos africanos participavam do mercado de escravos e praticavam escravidão entre eles. Dizer que a escravidão dos africanos no Brasil foi uma mera questão de “europeus contra negros” é mentira. E mais: essa prática de cotas raciais (racismo “do bem”) é tão racista quanto qualquer outra.
Dizer que reinos africanos e africanos libertos da escravidão no Brasil participaram do comércio de escravos não é “preconceito contra negros”. Aqueles que afirmam isso o fazem por má fé.
Sou a favor de cotas em universidades públicas para estudantes de escolas públicas que se destacam em sua vida estudantil porque eu acredito em recompensar o mérito.
E os direitos gays? Não acho que gays devam ter direitos especiais. Leis que criminalizam gestos e palavras “contra os gays” para mim são mero fascismo.
Cirurgia para troca de sexo pago pelo Estado é um abuso para o contribuinte. Acho uma bobagem essa coisa de “homoafetividade”.
É um abuso quando professores de educação sexual dão bananas para meninos colocarem camisinha com a boca, como se ser gay fosse “normalzinho”. Deve-se respeitar o mal-estar das pessoas diante disso, e querer “formar” mentes nesse nível não é função da escola.
Entretanto, sendo gays pessoas comuns, acho que, sim, eles devem ter o mesmo direito que os outros: o direito de casar, criar filhos e ser (in)feliz no amor e na vida como todo mundo.

** ponde A volta das freiras feias, por Luis Felipe Pondé Luis Felipe Pondé é filósofo e psicanalista, doutorado em Filosofia pela USP/Universidade de Paris e pós-doutorado em Epistemologia pela Universidade de Tel Aviv. Atuou como professor convidado nas universidades de Marburg (Alemanha) e de Sevilha (Espanha). Atualmente é professor do programa de pós-graduação em Ciências da Religião e do Departamento de Teologia da PUC- SP, da Faculdade de Comunicação da Faap (Fundação Armando Alvares Penteado) e professor convidado da pós-graduação de ensino em ciências da saúde da Universidade Federal de São Paulo e da Casa do Saber.
Autor, entre outros títulos, de ” O Homem Insuficiente “, ” Crítica e Profecia “, ” Filosofia da Religião em Dostoievski”, ” Conhecimento na Desgraça ” e ” Ensaios de Filosofia da Religião”. É articulista da Folha de S. Paulo, com coluna semanal às segundas-feiras.

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Publicado por VerdesTrigos em 15/03/2010 às 22:02

O Estado de S. Paulo – 14/03/2010 – Por Raquel Cozer
A sensação de quem lê livros no Kindle em ambientes públicos hoje em dia é mais ou menos como a de um pai ou uma mãe que sai para passear com o bebê. Todo mundo que esbarra no dono de um e-reader para, faz festa, quer pegar e saber detalhes. Para os detentores de e-readers, porém, esses aparelhos já ocupam um patamar que os celulares alcançaram por aqui nos anos 90: foi possível viver sem eles por décadas, mas deixar de usá-los agora seria um problemão. Assim como os celulares não aboliram o telefone fixo, o Kindle também não elimina o livro impresso para essa primeira geração de usuários. Os critérios de compra são diferentes, avalia o escritor e editor Paulo Roberto Pires. Com 1.500 títulos em papel em casa, carrega o Kindle que usa há nove meses com o que chama de volumes “meio descartáveis”, que ele não pode mais se dar ao luxo de tentar enfiar nas estantes. Folhear faz falta, assim como ver a estante cheia. A editora Mariana Zahar tem quase uma coleção de e-readers – umSony Reader, um Cooler, um Kindle e um aplicativo de Kindle para iPhone -, mas não raro eles servem de aperitivo para a compra do título impresso.

EU USO…….. o meu kindle, mas também compro vários livros. Só hoje encomendei 05 novos livros na Livraria Cultura, afinal nem todos os livros que quero ler estão disponíveis na Amazon.

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Nesta terça-feira, dia 16 de março, acontece o lançamento dos livros As melhores seleções estrangeiras de todos os tempos e As melhores seleções brasileiras de todos os tempos, escritos pelos jornalistas Mauro Beting e Milton Leite, respectivamente. A noite de autógrafos e o coquetel ocorrem na Saraiva MegaStore do Shopping Eldorado (Av. Rebouças, 3.970 – Pinheiros – 1º Piso – São Paulo/SP – Tel: 11 3819-5999), a partir das 18h30.

As melhores seleções estrangeiras de todos os tempos
Neste livro, Mauro Beting mostra sua escala das melhores seleções estrangeiras que participaram de Copas do Mundo. O jornalista guia o leitor por um passeio pela história do Futebol, montando um guia com narrativas, fotografias, lista de convocados e detalhamento dos esquemas táticos de cada equipe. Por meio deste livro, o leitor conhecerá as trajetórias de seleções como a da Hungria de 1954, da Inglaterra de 1966, da Holanda e da Alemanha – ambas de 1974, da Itália de 1982, da Argentina de 1986 e da França de 1998.

As melhores seleções brasileiras de todos os tempos
Neste livro, o jornalista e narrador esportivo Milton Leite escolhe algumas seleções brasileiras, reunindo personagens em entrevistas e mostrando episódios de campanhas nacionais no futebol. São apresentados, neste livro, os bastidores das equipes campeãs das Copas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, além do grupo de 1982. A obra conta com fotografias e depoimentos de protagonistas dessas campanhas – como Pelé, Zico e Ronaldo

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Publicado por VerdesTrigos em 15/03/2010 às 21:24

Como entender a agressividade que nos habita e o descontrole que por vezes nos toma? Freud, apesar do brilhantismo de sua criação intelectual, não conseguiu responder a esta questão senão pela postulação de uma pulsão de morte. Em Pulsão de morte?, André Martins, filósofo e psicanalista, analisa detalhadamente as questões que Freud tentou responder com o conceito de pulsão de morte e o destino desse na história da psicanálise, buscando desconstruir sua suposta necessidade ou seu interesse, reinterpretando, com a ajuda de Winnicott, mas também de Spinoza, Nietzsche e Deleuze, as indagações clínicas e teóricas que determinaram a sua criação.

Estamos diante de um trabalho revolucionário, lúcido e corajoso, muito bem escrito, rico e abrangente, com características inclusive enciclopédicas, e onde afirmação, crítica e ironia se integram. Um trabalho escrito com entusiasmo e profundo conhecimento, que por vezes usa o martelo de Nietzshe para demolir alguma idéia a ser reconstruída. Uma empreitada gigantesca levada a termo com brilhantismo. Novas idéias e propostas teóricas inovadoras que, projetando uma clínica psicanalítica que visa a potência de agir do analisando, são trazidas para o exame e o deleite do leitor. Uma metapsicologia renovada para novos tempos. (Nahman Armony , médico psiquiatra e psicanalista da Sociedade Psicnalítica Iracy Doyle (SPID) e do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro (CPRJ)

CONVITE PARA O LANÇAMENTO: clique aqui (dia 17/03/2010, na Livraria da Travessa, em Ipanema, Rio de Janeiro/RJ)

PARA COMPRAR O LIVRO: clique aqui ou clique na imagem da capa.

***** André Martins é professor Associado da UFRJ, onde é membro do Programa de Pós-Graduação em Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Doutor em Filosofia pela Université de Nice, Doutor em Teoria Psicanalítica pela UFRJ, com Pós-Doutorado Sênior em Filosofia pela Université de Provence. É membro do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro (CPRJ), do Espace Analytique de Paris, do Groupe International de Recherches sur Nietzsche (GIRN) e do Grupo de Pesquisas História, Saúde e Sociedade (UFRJ), coordenador do Grupo de Pesquisas Spinoza e Nietzsche (SpiN – UFRJ), e membro colaborador do Groupe de Recherches Spinozistes (GRS – ENS-LSH Lyon). Organizador de O mais potente dos afetos: Spinoza e Nietzsche (Martins Fontes, 2009) e autor de diversos artigos científicos publicados no Brasil e no exterior nas áreas de Filosofia, Psicanálise e Saúde.

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Publicado por VerdesTrigos em 14/03/2010 às 18:51
Teatro Santo Agostinho
Temporada da Peça Teatral
“Cântico dos Cânticos”

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