Depois de confrontar tradição e traição no livro A alma imoral, lançado pela Rocco em 1998 e cujas vendas foram catapultadas pelo sucesso do monólogo homônimo adaptado para os palcos pela atriz Clarice Niskier, em 2006, o rabino Nilton Bonder, 49 anos, escolheu brincar com o título do maior sucesso editorial de auto-ajuda deste ano, O segredo, de Rhonda Byrne. Em O sagrado, seu 17º livro, que será lançado no dia 1º de dezembro, o rabino da Congregação Judaica do Brasil, graduado em engenharia mecânica pela Universidade de Columbia e doutor em literatura hebraica pelo Jewish Theological Seminary, coloca o sagrado como a terceira via milenar entre o racionalismo e o esoterismo, capaz de resgatar a auto-estima do ser humano numa era de competição e incertezas. Bonder critica a auto-ajuda - que, segundo ele, é como uma pizza, gostosa ao paladar, mas vazia de nutrientes - e admite enxergar poesia em horóscopos de jornal. "Leio e acho bonito. Não interpreto aquele parágrafo como oráculo, mas como poesia".
E por que escrever este livro?
- A vontade surgiu depois de perceber que as pessoas não vêem a verdadeira proposta espiritual, a terceira via, que chamo de sagrado. Não é a via do racionalismo nem a desse ocultismo mágico que promete que um dia você pode encontrar a pedra da felicidade, a maneira de transformar metais vis em ouro. O filme gerou para mim, naquela viagem - uma viagem nos dois sentidos da palavra - a sensação de que as pessoas estão num descaminho nesta busca por coisas bonitas. Meu livro não tem intenção de desqualificar esta procura por coisas mais sutis, numa tentativa de sair deste mundo que funciona 24 horas por dia. Mas, sim, mostrar que as pessoas são tentadas por produtos cada vez mais refinados, com linguagem interessante, que as conduzem a desvios e enganos.
Teme que seu livro pegue carona no sucesso de 'O segredo'?
- Fiquei muito em dúvida se o escreveria ou não. Demorei por falta de tempo, e, quando o fiz, O segredo tinha se tornado best-seller. Meu grande temor é que este livro seja um antiproduto de O segredo, também se tornando, portanto, um produto. Isso o esvaziaria em muito sentidos. Quis escrever O sagrado para que as pessoas que tiverem sido tocadas por O segredo façam uma distinção importante.
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