imageO filme, O Anônimo, curta metragem roteirizado, dirigido e produzido por Vicentini Gomez, vem acumulando classificação em diversos festivais consecutivos.

Com 6’45’’, O Anônimo conta a história de um negro, escravo, do final do século XIX, que sonha com o dia em que não haverá mais diferenças nem discriminações entre as raças. Aparentemente uma história do passado, mas extremamente atual, com as frequentes manifestações racistas no Leste Europeu, em especial no futebol, contestadas e gerando organização  de grandes estrelas do futebol mundial liderados por Yaya Touré (jogador do Manchester City/Inglaterra) que se mobilizam para boicotar a copa do Mundo na Rússia em 2018, por conta de diversas manifestações racistas.

imageO Anônimo é protagonizado por Gésio Amadeu representou o personagem Alaor  na novela global Flor do Caribe.

O filme foi classificado para os festivais:

1 – FESTIVAL DE AUDIOVISUAL DE BELÉM/2013

Exibido no dia 18 de setembro. Indicação de melhor ator para Gésio Amadeu.

2 – FESTIVAL DO FILME ETONOGRÁFICO DO RECIFE – 2013

Exibido no cinema da Fundação Joaquim Nabuco no dia 28/10

3 – ARRAIAL CINE FEST  – PORTO SEGURO – 2013

Exibição em 03 de dezembro na praça caminho do mar.

Título em Português: O Anônimo

País de Origem: Brasil

Ano de Produção: 2013

Duração: 6”45′ min

Nome: Vicentini Gomez

Cidade/Estado: São Paulo/SP

Site: www.vicentinigomez.com.br

imageVicentini Gomez, o diretor

Vicentini Gomez, tem uma longa carreira como autor, ator e diretor, tanto na tv como no teatro e cinema.  Seus últimos trabalhos na tv Globo foram na novela “Avenida Brasil” como Serjão, o sequestrador da Carminha e atualmente representa o Delegado Cavalcante no novela das 18h da TV Globo, Joia Rara.

Em 2004/2005 produziu, roteirizou e dirigiu a série “Consciência na Cultura”, veiculada pela TV Cultura, realizada em parceria com a UNESP –Universidade Estadual Paulista- onde transformava teses de doutorado e dissertações de mestrado em documentários para a Televisão. Está em fase de pesquisa para desenvolver o roteiro do documentário “Justiça! Uma história”, a ser lançado em 08 de dezembro de 2014.

imageFrancisco Carlos Lopes (Chico Lopes) é um escritor reconhecido entre seus pares. Só por eles – e nem todos, na miríade de novos autores da literatura brasileira contemporânea – e leitores mais atentos. É o preço a ser pago, por estar isolado geograficamente e não escolher um caminho fácil. Sua literatura é cheia de arestas. No entanto, seu livro mais recente, “A Herança e a Procura”, de memórias e lançado em 2012, paga terno tributo para sua terra natal, Novo Horizonte, cidade do interior de São Paulo na qual nasceu em seis de maio de 1952. Chico Lopes, como é mais conhecido, também escreveu um livro de memórias sobre Poços de Caldas, onde viveu por vinte anos, chamado “Um Novo-Horizontino nas Montanhas”. O descartou completamente. “Foi só um desabafo”, é o que deixa escapar. Max Brod é o amigo de Kafka que salvou da extinção boa parte da obra do escritor austríaco, um dos nomes absolutamente fundamentais da literatura do século XX. Um perfil pode não ter a grandeza de Brod e salvar um livro, mas talvez o perfilado possa ser instigado a rememorar a história para recuperá-lo em parte.

Chico vive atualmente em Brotas, no interior de São Paulo. Reencontrei-o enquanto ele visitava o sul de Minas Gerais, especificamente Poços de Caldas e a pequena Botelhos, cidade vizinha, em meados deste ano, para resolver pendengas burocráticas e rever familiares da esposa. Nas duas ocasiões em que conversamos, separadas por alguns dias de distância, Chico estava em um café na região central; na primeira vez com um caderno, sozinho à mesa, escrevendo – uma cena comum durante o tempo em que residiu na cidade. Na segunda, conversando com o advogado e escritor Tadeu Francisco Rodrigues. Uma feliz coincidência, pois havia mencionado no primeiro encontro que revisei o romance A Grande Peça, de Tadeu, que sem saber disso marcou uma conversa para trocarem seus livros e impressões. Em ambas as ocasiões, Chico estava informal como sempre e alheio às poses e posses de quem frequenta o local – políticos profissionais e enfatiotados também alheios a ele. No primeiro encontro, balizamos a segunda entrevista.

Ele mesmo resumiu a trajetória pós-Novo Horizonte, em uma folha de papel almaço, na primeira conversa: veio para Poços de Caldas em 1992, sem saber o que o esperava. Trabalhou no Jornal da Mantiqueira, hoje apenas Mantiqueira, no qual chegou a editor. Em 1994, passou a coordenar o cineclube da unidade local do Instituto Moreira Salles, popularmente conhecida como Casa da Cultura, onde ficou até 2012. Com a mudança para Brotas no ano passado, pôde dedicar-se somente à literatura. “O que o capitalismo faz é isso: ele te rouba tempo para escrever”, pondera. Tanto que o primeiro livro publicado veio apenas quando já tinha quase 50 anos: “Nó de Sombras”, lançado em 2000, reunia contos, tais como os dois posteriores, “Dobras da Noite”, quatro anos depois, e “Hóspedes do Vento”, já em 2010. O próprio Instituto Moreira Salles editou os dois primeiros, o terceiro saiu pela Nankin Editorial. O mais recente trabalho ficcional, a novela “O Estranho no Corredor”, veio em 2011, pela Editora 34. Mas não se dedica apenas à própria obra: é tradutor (“A Volta do Parafuso”, de Henry James, em edição bilíngue, é a mais notória) e colaborador contumaz de sites como o Verdes Trigos, no qual escreve artigos sobre cinema e literatura.

Também escreveu, sob encomenda, “Nos tempos do Agostinho”, biografia do ex-prefeito poços-caldense Agostinho Junqueira, trabalho que não citou. Talvez porque a sociedade local jamais verá refletida na obra de Chico a imagem idílica de uma cidade turística – que, no entanto, é fundamental para a compreensão da sua obra, pois seu primeiro livro começou a ser escrito justamente em 1992, sendo finalizado em 1999. “Chico nos arranca do velho e aparentemente pacato centrinho de Poços e nos atira para as bordas (…) nos obriga a dar meia volta e olhar ao redor, reconhecer a existência dos mais de cem bairros de Poços de Caldas”, escreveu, acertadamente, o cientista social e antropólogo Stélio Marras à época do lançamento de “Nó de Sombras”, na primeira edição do jornal Papo Arte. Chico morava no Parque Pinheiros, zona leste, nove quilômetros distante do centro. Pegava ônibus. Não por acaso, integrou a antologia “Cenas da Favela – Os melhores contos da periferia brasileira”, idealizada pelo escritor e agitador cultural Nelson de Oliveira, o grande impulsionador da Geração 90 da literatura brasileira – que havia perdido um pouco do contato com Chico e foi alertado por mim em dezembro de 2012, no lançamento da coletânea de ficção científica “Todos os Portais – Realidades Expandidas”, em São Paulo, que o amigo havia se mudado para Brotas.

Inviável

imageTadeu, cujo primeiro livro veio à luz em fevereiro, procura conselhos. Os consegue. Ainda que isolado no interior, Chico conhece o mercado. Incentiva sem iludir. Quanto a si, é reticente. Vê-se como um escritor à parte das patotas do mundo literário. “O Estranho no Corredor” é uma narrativa que pode ser considerada uma novela e lhe trouxe reconhecimento do mais prestigiado prêmio literário brasileiro, mas na categoria romance: o terceiro lugar no Jabuti de 2012, em uma disputa eivada de polêmicas, na qual o jurado “C” (o crítico literário Rodrigo Gurgel, cuja identidade foi depois revelada) foi acusado de prejudicar medalhões e manipular notas. Em artigo no jornal local Brand News, com o qual colaborava, Chico relatava o incidente com bons olhos, pois o Jabuti frequentemente redunda em polêmicas que repercutem intensamente nos cadernos culturais. No primeiro encontro, havia comentado que fui um dos selecionados do microrromance da Bienal do Livro de 2012, cujo prêmio para os vencedores foi um par de ingressos, cada um valendo meros R$ 12,00. “Você ao menos ganhou R$ 24,00. Sabe para o que me serviu o Jabuti? Para nada. Não há prêmio em dinheiro para o terceiro colocado e o prêmio não despertou interesse algum”, dispara à queima-roupa. Seu primeiro romance – cujo título será “Passos de Eunice” ou “Corpos Furtivos” – permanece engavetado, à sua revelia. Todos os contatos com editoras revelaram-se infrutíferos.

Havia comentado que o romance de Tadeu tem potencial comercial, ainda que cultive o fazer literário, com camadas metalinguísticas sobrepondo-se e fundindo-se. “Se tem metalinguagem não é comercial. Quem faz sucesso é quem é ruim e acredita que aquilo é bom, que é um sucesso”, deplora Chico, exasperado com a mediocridade da vasta maioria de oportunistas que frequenta a lista de best-sellers. Ainda assim, é tradutor de literatura fantástica apreciada pelo público jovem (como a popular Charlaine Harris, em cuja obra é baseada a série True Blood), com a vaga esperança de que possa contribuir com a formação de leitores. “É um conceito criado nos EUA, o de Young Adults, que é uma forma de passar a mão na cabeça de adolescentes”, explica.

Enquanto ficcionista, ele não tem um viés edulcorado da vida ou prima pela aventura épica, ao contrário de fórmulas de best-sellers. “Comercialmente sou inviável pelas escolhas que faço”, ressaltando que não tem a menor intenção de ser agradável, seguindo a premissa de um dos mais proeminentes escritores brasileiros contemporâneos, Marcelino Freire: a de que o escritor tem que incomodar e provocar cisões. A temática social, noto, é tratada de forma particularmente chocante em A Many Splendored Thing, um conto de “Dobras da Noite” sobre pedofilia. “No interior, via que isso é muito comum. Um sujeito come um garoto e acha que não é homossexual, porque é ativo. Acha que homossexual é o passivo. E é homofóbico. Neste conto que você citou, o garoto é apaixonado pelo professor, é rejeitado e usado por um sujeito que depois diz que ele é apenas ‘um buraco’. Ele pede que possa chamar o sujeito pelo nome do professor, pede um beijo e o sujeito se nega, pois acha que não é homossexual. É surpreendente isso, porque ele se sente atraído pelos adultos, mas isso não é o problema, o problema são os adultos que abusam dele”. Num conto sobre voyeurs, A Fresta, de “Nó de Sombras” o mal-estar da iniciação sexual já era seminal. “O sujeito inicia a vida sexual com a mesma mulher que o pai ‘come’”. Ainda com toda a rejeição de editoras, ele não foge da temática incômoda no romance ainda inédito: “Escrevi sobre a velhice, porque a pior coisa é alguém dizer que a terceira idade é a melhor idade. É a melhor idade para médicos e a indústria farmacêutica, isso sim, agora vai dizer isso para alguém que sofre e está nesta idade. Toda a literatura sobre isso é uma grande empulhação, com exceção de ‘A Velhice’, de Simone de Beauvoir”.

Política e amizade

Tadeu precisa voltar ao escritório. Posteriormente, conta que Chico passou-lhe contatos em editoras. “Ele é muito gente fina”, impressionado com a gentileza. Conversamos de política. Nas suas memórias, Chico narra que viveu em uma rua chamada Coronel Junqueira, em Novo Horizonte. Noto que é uma coincidência sarcástica, posto que Ronaldo Junqueira, prefeito biônico de Poços de Caldas durante a ditadura, teve dois cargos comissionados na atual administração da cidade, que é petista. A esquerda local sempre definiu Ronaldo Junqueira, um fazendeiro, como coronel à moda antiga. Ele é mais reticente ainda ao falar de política. Fez questão de se mudar apenas depois do pleito de outubro de 2012, que elegeu uma chapa-pura multicultural do PT, tendo Eloísio do Carmo Lourenço (negro) como prefeito e Nizar El Khatib (muçulmano) como vice-prefeito. Mas não quer se estender sobre o assunto e não se demonstra muito surpreso quando lhe esclareço sobre o imbróglio Ronaldo Junqueira.

Voltamos à literatura, tema não necessariamente mais aprazível, mas ao qual é mais afeito. Durante seus anos em Poços de Caldas, Chico Lopes travava prosas literárias com Jurandir Ferreira, tido como o grande escritor da cidade. Ferreira, autor de “A Asa do Dragão”, “A Quieta Substância dos Dias” e “O Ladrão de Guarda-Chuvas” (prêmio Guimarães Rosa de melhor romance em 1994), é admirado por autores do porte de Ana Miranda e Ignácio de Loyola Brandão. Este último fez uma matéria sobre o isolamento e a verve do escritor para a revista Veja, em meados dos anos 1990, dando mais alguma notoriedade para Ferreira pouco antes da morte deste, em 1997. No entanto, havia mais do que um abismo geracional entre o novo-horizontino e o poços-caldense nascido em 1905. Jurandir era conservador; ainda assim trocavam livros e conversavam amigavelmente. “Ele não gostava da Semana de Arte de 22, era ligado à Belle Époque francesa, apreciava muito Anatole France, aquela ironia do Machado de Assis. Graciliano Ramos é o meu modelo, com aquela secura; não o Machado de Assis”, diverge Chico, que aproveita o momento para emendar uma porretada naquele que é cultuado como o grande escritor brasileiro: “Não consigo pensar no Machado de Assis sem pensar na Academia Brasileira de Letras, que acho detestável. Como que um gênio cria um mausoléu sem importância social?”. Tornamos às memórias da vivência com Ferreira, que lhe confessou que se sentia, à época, um fantasma em vida, pois não conhecia quase ninguém ao sair na rua – como se estivesse na Comala do romance Pedro Páramo, do escritor mexicano Juan Rulfo. “Convivi três anos com o Jurandir, no fim da vida dele; ele sentia-se deslocado, a maioria dos amigos havia morrido. Poços já era uma cidade desconhecida”.

Chico tem grande desprendimento com livros; observa que tenho em mãos, ao entrevistá-lo na primeira vez, “O Capote”, do mestre russo Gogol, que ele havia dado de presente para a escritora Darcy Ladeira Dias, até hoje residente em Poços de Caldas. Doou muito da sua coleção particular para a biblioteca em Brotas e em Poços. Graças a isto tive contato com a obra de Marcelino Freire, cujo livro “Angu de Sangue” foi doado à biblioteca municipal da Urca por Chico no início do século. “Os livros têm que circular, faço o que posso”.

Foto: Chico Balero, aqui em Brotas, neste domingo, nove de dezembro, me fotografou ao lado do Jabuti que ganhei por O Estranho no Corredor. Ei-lo.Darcy é socialista, portanto tem mais afinidade ideológica com Chico, e também travou intenso diálogo literário com ele. “Ela escreve muito bem, mas não publica, a não ser textos esparsos, e procurar publicar em livro incentiva uma disciplina para escrever”, observa Chico. No entanto, Darcy é ainda mais fechada quando a procuro posteriormente para entrevistá-la; fala sobre suas memórias, ainda a ser publicadas em livro, mas isto daria outro perfil, tamanha a tessitura dramática dos seus 73 anos de vida. Vida, por ora, que prefere manter absolutamente fora dos holofotes, que podem se voltar para ela quando seu livro vier a lume, nesse mundo sedento por delebs (celebridades mortas), pois foi casada com o falecido ator Rogério Cardoso, muito popular devido aos papéis nos humorísticos Escolinha do Professor Raimundo e A Grande Família, ambos da Globo. Para falar de Chico, prefere munir-me de um pungente artigo escrito para o Jornal da Cidade (de Poços de Caldas) em dezembro de 2004, no qual compara sua visão afetada por um glaucoma que começara a afligi-la a um clássico conto de literatura fantástica do século XIX, O Horla, de Guy de Maupassant, escritor francês que, em duas versões igualmente transtornadas, descreve como a vista e a vida do narrador é turvada por um ser quase intangível. Intitulado “Ao escritor Chico Lopes”, ilustrado por uma foto em café cujo nome lhe foge à memória, no artigo ela conta como travou contato com o então mais recente trabalho do amigo, que em “Dobras da Noite” lhe dedica um conto. “Leram para mim. Mas nada pode substituir nossos olhos, além do que ler o que Chico escreve é sempre um exercício de muitas possibilidades. Nos contos, Chico é um mestre tanto nos temas, por vezes tão cáusticos, quanto na construção/desconstrução de seus personagens”.

Futuro incerto

Chico está satisfeito com Brotas. Achou interessante abandonar a posição confortável de ter um emprego no Instituto Moreira Salles, deixar Poços de Caldas e acompanhar a esposa, Maria Vitória da Costa Lopes, que trabalha nos Correios, quando ela conseguiu a transferência. A única filha do casal, Elisa, cursa Letras em São Paulo, na USP. “Se eu tiver um teto, roupas e um computador para escrever já está muito bom. Ainda sou hippie de Woodstock”. Com mais tempo para se dedicar à obra, isso aprofunda o drama, em mais de um sentido, devido a já citada dificuldade de encontrar editora para dar continuidade à carreira de romancista. Por ora, travada a carreira de prosador, publicará um livro de poesia, intitulado “Caderno Provinciano”, a ser lançado no dia 16 de novembro, pela Editora Patuá, de Eduardo Lacerda, que trabalha no esquema on demand e segundo Chico faz um trabalho bem-cuidado. O livro reúne poesias escritas ao longo de décadas e que ele, surpreso, não imaginava que veria publicadas. Ao nos despedirmos, sorrindo, o travo amargo é atenuado: “O Jabuti deve ter dado um prestígio que não percebi ainda”. Ainda assim, mesmeriza o que relatou logo antes. Sem dinheiro para ir até a premiação em São Paulo e sem apoio financeiro da editora para viajar, não pôde buscar o prêmio pessoalmente. O fato de que a esposa teria que faltar ao emprego, pois a cerimônia foi em um dia útil, também pesou. Ao menos agora pode contemplar um troféu Jabuti na sua sala. Enviado, ironicamente, pelos Correios.

image** Daniel Souza Luz nasceu em Poços de Caldas (MG) em 1974. É jornalista, revisor e escritor. Participou das coletâneas de minicontos Geração em 140 caracteres e Uma São Paulo de Todos. Escreve "micrônicas" diariamente no seu perfil no twitter: @danielsouzaluz

VerdesTrigos em 24/10/13

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A Caixa Econômica Federal e a Petrobras apresentam Serra Pelada, produção nacional dirigida por Heitor Dhalia ("À Deriva" e o "O Cheiro do Ralo"), que leva às telas de cinema uma viagem a maior mina a céu aberto dos tempos modernos.
Filme de Heitor Dhalia estreou no dia 18 de outubro de 2013, com Juliano Cazarré, Julio Andrade, Sophie Charlotte, Wagner Moura e Matheus Nachtergaele no elenco.
A Caixa teve participação decisiva no enredo do filme, já que o banco era compradora oficial de ouro. A agência bancária, bem como móveis e instrumentos de trabalho foram fielmente replicados a partir de fotos e documentos que se encontram no Museu da Caixa, localizado na Caixa Cultural São Paulo.

“Os amigos Juliano e Joaquim deixam São Paulo em busca do sonho do ouro.

O ano é 1980. Os dois chegam a Floresta Amazônica como tantos outros milhares de homens chegaram. Repletos de sonhos e ilusões. Mas a vida no garimpo muda tudo. A obsessão pela riqueza e pelo poder os destrói.

Juliano se torna um gangster. Joaquim deixa todos os seus valores para trás. Uma história sobre a febre do ouro, sobre ganância e violência. Sobre uma grande amizade e seu fim”.

 

 

Informações:
site oficial do filme Serra Pelada, em http://serrapeladaofilme.com.br/

VerdesTrigos em 23/10/13

Fi Bueno realmente acredita na vida e na magia que a envolve !

Acredite Na Vida é o nome do segundo cd do cantor e compositor, que leva a assinatura do maestro Ruriá Duprat na direção musical e arranjos. O novo trabalho traz doze canções, todas autorais, e retrata a alegria de viver desse paulistano que fez da música seu passaporte para circular pela vida.

Os arranjos base são do próprio Fi Bueno com apoio do seu pianista e tecladista Marcelo Maita e do parceiro musical e guitarrista Lucas Martins, que com sua MPC ajudou a encontrar uma roupagem jovem e sofisticada para todo o trabalho. Robinho Tavares assinou todas as faixas como baixista. Numa praia reggae, funk, xote, bem brasuca, Robinho e o baterista Samuel Fraga acertaram em cheio o groove das doze músicas.

O sanfoneiro Toninho Ferragutti foi convidado para gravar a faixa 3, Minha linda Menina, que é um xote com uma pegada funk-reggae. Três músicas do disco contaram com dezesseis músicos da Jazz  Sinfônica e da Osesp, interpretando os  arranjos sofisticados criados por Duprat. O maestro Ruriá Duprat participa ao piano de Acredite Na Vida que abre o disco, além de comandar os sintetizadores em quase todas as músicas.

Quatro faixas contaram com o trio de metais da tradicional big band brasileira Soundscape, tendo como destaque o saxofonista e flautista Vítor Alcântara. Vítor também gravou a música mais experimental do disco, Nature, tocando sax-alto, e em Para Sempre, o sax- tenor e flauta transversal.

Fi Bueno tocou violão de nylon, aço, guitarra, zabumba e triângulo e imprimiu sua marca swingada, com muita influência da música anos setenta.

É um disco muito variado ritmicamente, dançante, com referências que vão de João Gilberto, passam por Gil, nos reefes agudos e sem letra, e chegam aos mineiros em Passará, que traz um ar de Clube da Esquina para os dias de hoje.

O disco foi gravado e mixado pelo renomado engenheiro de som Luís Paulo Serafim no estúdio 11:11 e no estúdio Banda  Sonora.

Fi Bueno começou sua carreira musical muito jovem, tocando piano aos seis anos, passou para o violão aos doze, idade em que se apaixonou pela poesia. Foi a paixão pela escrita que o levou ao bacharelado em Letras na USP, sempre pensando em aprimorar seu conhecimento como  suporte para sua música/ letra. Teve como professores José Miguel Wisnik, LuizTatit e Hansen (nome completo).

Estudou música, por mais de dez anos, com o grande baixista e professor Luís Cavalcanti, o Luizão.Com quinze anos, quando ainda não cantava profissionalmente, mas já era multiinstrumentista e dançarino de forró, ganhou maratonas no estilo dançando no KVA, onde também foi professor de dança

Como guitarrista, acompanhou a cantora Vanessa Jackson, o cantor Bilé, fez a turnê de Rey Verçosa em Punta Del Leste. Suas primeiras composições gravadas entraram no disco de Rey Verçosa, uma delas ( Samba da Nega) com parceria da cantora Janaina, da banda Bicho De Pé. Integrou as bandas Forrozeando e Bagana como violonista e pandeirista. Chegou a tocar violão com o Falamansa em Itaúnas, terra do forró.

Na USP, foi violonista e arranjador da banda Tralha e Tal e formou junto com Kadu Aiala, a banda Joga Bonito. Essas duas bandas se apresentaram entre 2002 e 2007 em diversos festivais da USP  e em bares como o Jardim Elétrico.

Fundou a gafieira do bar Magnólia com o Trio Saci, que contava com os parceiros, compositores e cantores Samuel Braga e Tiago Rocha,   e com esse trio, se apresentou em diversos bares da Vila Madalena, fazendo um som que mesclava os clássicos do forró e do samba. Durante dois anos o Trio Saci fazia a gafieira do Magnólia aos domingos e foi aí que Fi se lançou como cantor, em 2006.

Em 2008 e 2009 já se apresentava em endereços musicais paulistanos, como no Bar Brahma onde fez três temporadas,  acompanhado por Nadinho ( baixo), Evaldo Tocantins ( sax) e Pelé (bateria).

Em 2010 lançou seu primeiro  disco, Lançar No Mar, que incluía a música Amor vem de  amor, que estrou para a trilha sonora da minissérie Antonia, da TV Globo. Com o repertório desse cd, Fi Bueno apresentou-se na capital em vários palcos.

Fi Bueno criou e atua no Projeto Tocar, patrocinado pelas empresas OI, CCR, Ihara epela ong Sertão Bras, que oferece aos estudantes da rede pública, com idade entre 12 e 16 anos, a oportunidade de estudar música gratuitamente, com professores altamente capacitados, e que acontece desde 2012 em São Paulo e Itu.

Paralelamente à carreira artística, é proprietário e professor da escola Casa da Música, em São Paulo, que se destaca por usar um método próprio desenvolvido pelo músico.

www.fibueno.com.br

 

imageLançamento do livro “Pedagogia do Suprimido”, de Zeh Gustavo
Sábado, dia 19 de outubro de 2013, de 15h-17h
Urbe Café Bar (Rua Antônio Carlos, 404, Consolação, São Paulo)

Quando publicou, num 2008 de aparente satisfação ou conformidade com os limites da política social então bastante populares, seu livro “A Perspectiva do Quase”, Zeh Gustavo já parecia antever que faltava alguma – ou muita – coisa. Diz o autor, na época, em entrevista ao jornal Algo a Dizer: “A poesia hoje é um instrumento de luta, luta criativa contra o utilitarismo reinante, e também uma possibilidade de intervenção discursiva à margem das mensagens onipresentes do estatuto do poder supermercadológico.” Complicado? Em 2013, as ruas mostraram que esse sentimento de insuficiência da vida contemporânea é capaz de tomar conta de uma grande massa de gentes de todos os matizes.
É nesse clima de contestação que se insere “Pedagogia do Suprimido”, que traça um inventário poético das refinadas estratégias de anulação do indivíduo, nas sociedades contemporâneas. O título do livro remete à obra do educador Paulo Freire, que propunha a emergência de uma pedagogia própria, para a libertação do oprimido. Na poesia-tese de Zeh Gustavo, o oprimido estaria a tal ponto enredado na trama desumanizante de um deus-máquina-mercado, programador até dos sentimentos, desejos e emoções, que teria involuído para uma condição de plena compressão – ou supressão, de si. Uma espécie de morte em vida que o autor busca flagrar, usando da própria biografia, inventada ou não, e de seu olhar aparentemente desencantado para, de maneira lírica, se situar em um combate por mais vida. Face a um sistema que tenta reduzir, dia a dia, o ser urbano a um estado mínimo de mero consumidor, alienado do potencial de realização de sua existência, a poesia faz-se arma para uma retomada, com amor e alma.

Sobre o autor
Zeh Gustavo é músico e escritor. Sambista, compõe e canta com o grupo Terreiro de Breque, do qual é fundador, além de ser intérprete do Cordão do Prata Preta, bloco da Região Portuária do Rio de Janeiro. Na literatura, publicou, entre outros títulos, "A Perspectiva do Quase" (poesia, Arte Paubrasil, 2008) e "Idade do Zero" (poesia, Escrituras, 2005). Em 2012 participou da organização do FIM {Fim de Semana do Livro no Porto}, e integrou a coletânea de contos “Porto do Rio do início ao fim" (contos, Rovelle, 2012).

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