O escritor de Poços de Caldas Chico Lopes lançará seu terceiro livro de contos, “Hóspedes do vento“, nos próximos meses, em São Paulo, em local e data a serem definidos. Reunindo treze narrativas, o livro finaliza uma trilogia iniciada com “Nó de sombras” e “Dobras da noite“, os dois primeiros livros de contos de Chico Lopes, publicados pelo IMS/SP respectivamente em 2000 e 2004. O autor fala um pouco do livro e de suas intenções.

Verdes Trigos: Qual a razão desse título? Quem seriam os “hóspedes do vento”?
Chico Lopes: O título é o de um conto sobre dois andarilhos. Naturalmente, é uma metáfora irônica – eles estão à mercê do vento, à mercê de todas as incertezas, desprovidos de tudo. O vento não é nada mais nada menos que a natureza e não hospeda nada, claro. Porque é simplesmente indiferente.
Os andarilhos me fascinam e me deixam intrigado e comovido, quando os vejo à beira das estradas. Creio que muita gente sente isso. Portanto, criei dois personagens que atravessam uma rodovia, em busca da cidade natal de um deles, o que pode ser uma realidade ou um delírio, não importa, mas os impele pelo mundo afora.

Verdes Trigos: Qual a diferença que este livro apresenta em relação aos dois anteriores?
Chico Lopes: Tem mais contos, e oito desses 13 contos são curtos, publicados pelo país afora, em jornais como Correio Brasiliense, Suplemento Literário do Minas Gerais, Rascunho e revistas como a “Cult” de SP. Três dos cinco contos restantes, inéditos, ganharam um prêmio de honra ao mérito no concurso “Josué Guimarães”, de Passo Fundo, RS, em 2007. Creio que os temas são um pouco mais diversificados.

Verdes Trigos: Você é tido como um autor denso e sombrio. Isso mudou?
Chico Lopes: Como mudaria, se o mundo não muda – ao contrário, piora – e o escritor, por mais que fuja, não faz senão refletir uma realidade desesperadora? Procuro é me aprimorar esteticamente. O que ambiciono sempre é uma espécie de Beleza tirada do pesar e da perplexidade, ainda que eu seja pessoalmente um sujeito nada carrancudo. Procuro a poesia dentro do extravio, da solidão. Tento mostrar ao leitor aspectos originais do mundo e das almas através do vigor narrativo. Continuo prestando tributo a meus escritores favoritos, como Dostoiévski, Graciliano, Julien Green, tentando estabelecer um diálogo profundo com um mundo caótico onde o ser humano está esmigalhado. Escrevo para almas adultas.

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