As últimas semanas foram emocionantes para os interessados no debate sobre o futuro do jornalismo e questões de direitos autorais e liberdade de informação. A Associated Press divulgou seu plano de incluir em cada notícia um software que permita rastrear a reprodução das informações em agregadores de conteúdo e ferramentas de busca. Estes dados permitirão à fundação sem fins lucrativos formada por 1,4 mil jornais americanos processar, por exemplo, o Google, porque o serviço de buscas apresenta a manchete e uma ou duas primeiras frases das notícias da AP. Poderia processar blogs que comentem uma notícia produzida pela AP sem adquirir a licença. Serviços como Delicious também poderiam ser afetados. Até mesmo usuários do Twitter que soem o alerta sobre algum evento poderiam ser processados. A agência pretende cobrar US$ 2,50 por palavra reproduzida, quando a citação somar cinco ou mais palavras.

A justificativa para a criação dessa ferramenta de fiscalização para as notícias da agência é que mesmo a reprodução da manchete e uma ou duas frases em um serviço de compartilhamento de links ou resultados de busca configuram uma infração de direitos autorais. Como já comentei anteriormente, é um argumento totalmente falacioso, porque a AP e qualquer jornal ou website podem impedir facilmente a aparição de seu conteúdo nos resultados de ferramentas de busca. O problema é que isso equivale a suicídio editorial, porque a maior parte do tráfego de leitores para qualquer website costuma vir das ferramentas de busca. Então, se esses serviços e agregadores geram audiência, não seria o caso de agradecê-los pelo serviço prestado gratuitamente?

Não, ao menos na opinião dos signatários da Declaração de Hamburgo. De fato, para eles as ferramentas de busca devem pagar para levar leitores aos jornais, porque lucram veiculando anúncios junto aos resultados de buscas. É engraçado, mas não há registro de alguma empresa de mídia propondo dividir os lucros dos anúncios em rádio, jornal e televisão com os entrevistados que fornecem matéria-prima para as notícias com o sacrifício de seu precioso tempo. Aliás, o entrevistado em geral tem de se deslocar até o estúdio por conta própria e muitas vezes não recebe nem um cafezinho. ==>> LEIA O TEXTO COMPLETO [Marcelo Träsel]

Dica da Joaninha – Ladybug Brasil

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Um comentário em “Jornalismo testa os limites do uso justo”

  1. Lucia Freitas disse:

    olha a honra… ter Joaninha aqui no Verdes Trigos!
    Acho esta questão do marcador para conteúdo maravilhosa – principalmente para nós blogueiros e para o bem das ferramentas de busca.
    A grande questão é: vamos ganhar dinheiro? Como? Eles estão mais perdidos que cegos em tiroteio…

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