Jornal do Brasil – 12/09/2009 – Por Bolívar Torres
“Para qual rebelde fracassado você mandaria flores? Você se considera um?” A pergunta do jornalista Geneton Moraes Neto a Fernando Gabeira, colocada quase no final do livro de entrevistas Dossiê Gabeira: o filme que nunca foi feito (Globo, 126 pp., R$ 34), poderia dar espaço a uma resposta carregada de lugares-comuns saudosistas e do romantismo dos “anos de chumbo”. Vale lembrar, porém, que o entrevistado é o militante que desconstruiu seus próprios dogmas da esquerda revolucionária; é o ex-guerrilheiro que hoje condena os atos violentos dos quais tomou parte; é, em suma, o político que, dentro da linha reta de um partido, sempre acabou, por teimosia e inquietação, encontrando uma curva. A resposta, portanto, não poderia ser outra: “Hoje, já não sou um rebelde. Sou só fracassado”. A “maratona memorialística” de Dossiê Gabeira compilam seis horas de uma longa entrevista em regime de esforço concentrado. Em uma suíte de um hotel em Ipanema, alugada pela editora, Moraes Neto bombardeou Gabeira com temas como marxismo, exílio, a ruptura com o PT, o uso indevido das cotas de passagens aéreas na Câmara e, claro, o sequestro ao embaixador americano Charles Elbrick.

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